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Navegando por Autor "BARROSO, Fabiane Silva"

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    Língua Indígena Apinajé de Sinais: a marca da iconicidade como princípio organizador do léxico
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) BARROSO, Fabiane Silva
    Esta tese investiga a Língua Indígena Apinajé de Sinais (LIAS), uma língua gesto-visual utilizada pelos indígenas Surdos do povo Apinajé, no Tocantins (TO). A pesquisa parte das observações preliminares de Barroso (2022), que identificaram a presença de um repertório comunicativo distinto da Língua Brasileira de Sinais (Libras), motivando a necessidade de examinar a legitimidade desse sistema enquanto língua natural. O objetivo central da pesquisa consiste em analisar a influência da iconicidade na formação do léxico da LIAS e descrever suas características estruturais e culturais. Para isso, a tese dialoga com autores que discutem a iconicidade, o léxico e a cultura nas línguas de sinais (Carneiro, 2017; Souza; Quadros, 2023) e com pesquisas dedicadas às Línguas Indígenas de Sinais (Ferreira, 2021; Santos, 2023; Garcia, 2024; Santos, 2024), situando a LIAS no campo emergente dessas línguas minoritárias. A metodologia combinou abordagem etnográfica e procedimentos descritivos, articulando observação participante, convivência prolongada nas aldeias Palmeira e Patizal, registros fotográficos e videográficos, entrevistas informais e anotações de campo. O processo analítico envolveu a transcrição detalhada dos sinais, descrição linguística com base nos parâmetros das línguas de sinais, comparação estrutural e análise semântica, especialmente, em relação aos sinais correspondentes da Libras. Destaca-se o papel fundamental dos discentes indígenas Apinajé do curso Educação do Campo, que atuaram como mediadores culturais e linguísticos, contribuindo para contextualizar usos, validar interpretações, identificar variações e esclarecer nuances culturais. Esse diálogo permanente entre pesquisadora, discentes e comunidade fortaleceu a consistência e a autenticidade do corpus. Foram documentados 49 sinais organizados em cinco campos semânticos: alimentos, animais, relações familiares, verbos e elementos da natureza. Trata-se do primeiro glossário sistematizado da LIAS, o que confere caráter inédito à pesquisa. Os resultados evidenciam que a iconicidade constitui o principal princípio de formação do léxico, profundamente influenciado pelas práticas culturais e ambientais do povo Apinajé. Em grande parte dos sinais, observou-se o predomínio do foco no processo — como sinais ligados ao preparo de alimentos, atividades cotidianas e práticas tradicionais — em contraste com padrões mais lexicalizados presentes na Libras. Essa característica demonstra que a LIAS não apenas representa o referente, mas reencena ações socialmente significativas, reafirmando a relação entre corpo, cultura e língua. A análise também identificou sinais compartilhados entre LIAS e Libras, decorrentes principalmente do contato linguístico promovido pela escolarização e pela circulação de repertórios da Libras no contexto indígena. A influência da Libras não descaracteriza a LIAS; ao contrário, reafirma sua autonomia e aponta para a necessidade de políticas linguísticas que assegurem sua preservação, conforme alertam pesquisas recentes sobre outras LISs. Conclui-se que a LIAS constitui uma LIS autônoma, dotada de léxico, estrutura e motivações culturais próprias, distinta da Libras e de sinais caseiros; sua documentação inédita contribui significativamente para os estudos linguísticos, amplia o debate sobre a diversidade das línguas de sinais no Brasil e reforça a importância da preservação das Línguas Indígenas de Sinais como patrimônio cultural e identitário dos povos indígenas.

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