Repositório Institucional da UFNT
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O Solaris: Repositório Institucional da Universidade Federal do Norte do Tocantins, é uma ferramenta desenvolvida para promover a literatura científica de forma livre e sem custo de acesso, disponibilizando toda a produção acadêmica, técnica, científica, intelectual e cultural da UFNT, de maneira organizada, por área temática, proporcionando visibilidade das publicações, bem como garantindo a preservação da memória institucional.
O nome Solaris faz alusão à organização de um sistema, como por exemplo o Sistema Solar, também representa o clima quente da região norte, onde estamos localizados e nossa proximidade à linha do Equador.

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Submissões Recentes
O PNLD Literário e a leitura de literatura nos anos finais do ensino fundamental: desafios e perspectivas a partir da realidade do estado do Tocantins
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) VALE, Márcia Sepúlvida do
Esta tese investiga as políticas públicas voltadas ao livro e à leitura no contexto nacional, com recorte no Programa Nacional do Livro e do Material Didático Obras Literárias (PNLD Literário), analisando sua implementação no município de Paraíso do Tocantins e as implicações para a leitura de literatura na educação básica. Parte-se da compreensão da literatura como direito cultural e de formação humana e do reconhecimento do papel do professor na mediação dessa experiência, entendendo que tal direito deve ser assegurado pelas políticas educacionais e fortalecido pelo trabalho docente, uma vez que a literatura se constitui como espaço de construção artística, simbólica, sensível e crítica. A pesquisa insere-se no campo da abordagem qualitativa, articulando três dimensões metodológicas complementares: pesquisa documental, pesquisa de campo e pesquisa-ação. A pesquisa documental incidiu sobre leis, editais, resoluções e guias que regulamentam o PNLD Literário, além da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), do Documento Curricular do Tocantins (DCT) e das normativas que tratam da formação continuada para os professores, permitindo identificar continuidades, rupturas e silenciamentos nas políticas de fomento ao livro e à literatura. A pesquisa de campo envolveu 33 profissionais da educação, sendo professores de Língua Portuguesa, servidores da Superintendência Regional de Ensino de Paraíso do Tocantins (SRE) e da Secretaria Estadual de Educação (SEDUC), e teve como objetivo compreender como o programa é apropriado pelas escolas, quais desafios emergem de sua execução e de que forma a literatura se insere no cotidiano escolar, tanto no planejamento pedagógico quanto nas práticas de leitura desenvolvidas com os estudantes. Como desdobramento dessa etapa, foi elaborado e executado um curso de formação continuada fundamentado na pesquisa-ação, realizado entre abril e setembro de 2024, em dois encontros presenciais. A proposta teve como objetivo promover o diálogo entre teoria e prática, priorizando o debate sobre a leitura de literatura, a mediação do professor e o processo de seleção das obras do PNLD Literário 2020, com o intuito de fortalecer a autonomia docente e o entendimento da literatura como experiência estética e formativa. Os resultados da pesquisa evidenciam: (1) a influência de aspectos econômicos e ideológicos nas decisões que determinam o acesso à leitura e ao conhecimento na âmbito nacional; (2) o desconhecimento da estrutura e do funcionamento do PNLD Literário pelos professores; (3) a substituição dos textos literários por textos paradidáticos nas obras selecionadas pelo PNLD Literário 2020 nas escolas da rede estadual do Tocantins; (4) o esvaziamento da leitura de literatura na BNCC e a concepção que iguala a literatura a um gênero textual no DCT; (5) carência de formação especializada para o ensino de literatura nas escolas. Conclui-se que o fortalecimento da leitura de literatura nas escolas públicas requer a seleção de acervos de obras plurais e a articulação entre políticas de formação continuada, valorização do trabalho docente e o reconhecimento da literatura como linguagem artística indispensável à formação humana.
Multiletramentos e cidadania digital na EJA: aspectos sociais e possibilidades pedagógicas
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) BRITO, Jordana de Oliveira
Neste trabalho, apresentamos os resultados de uma pesquisa-ação realizada em uma turma do IV ciclo (8o e 9o anos) da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de uma escola municipal de Imperatriz, no estado do Maranhão. A pesquisa, situada no campo da Linguística Aplicada (LA), com ênfase no eixo do letramento digital, tem como objetivo geral investigar a contribuição dos multiletramentos para a promoção da cidadania digital entre os estudantes da EJA. Para fundamentar esta proposta, revisamos estudos aplicados sobre letramento (Soares, 2004), multiletramentos (Rojo, 2012; Kersh, 2016; Ribeiro, 2020), cidadania digital (Siqueira, 2018; Nunes, 2015) e ensino da língua portuguesa, conforme as orientações da Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017). A sequência didática foi elaborada a partir da disciplina Cidadania Digital da SaferNet, organização não governamental que atua na defesa dos direitos humanos na internet, garantindo que a abordagem pedagógica esteja alinhada aos desafios e demandas contemporâneos do ambiente digital. Por se tratar de uma pesquisa de natureza interventiva, propomos, neste estudo, formas de trabalhar a cidadania digital a partir da cultura de referência dos educandos, com foco em textos multimodais para o tratamento de temáticas de relevância social tanto no ambiente virtual quanto no mundo físico. Os resultados evidenciaram que a pedagogia dos multiletramentos constitui um caminho viável e significativo para o desenvolvimento da cidadania digital na Educação de Jovens e Adultos (EJA), possibilitando aos alunos experiências de leitura e escrita que favorecem uma postura mais crítica diante dos conteúdos disponíveis na internet. A pesquisa é relevante tanto para a formação continuada da professora-pesquisadora quanto para o campo brasileiro de estudos em linguagem e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ela o faz ao oferecer um modelo de sequência didática replicável e ao apresentar evidências de que a produção multimodal crítica é acessível e transformadora, especialmente no que tange à formação de cidadãos éticos e conscientes.
Professor e alunos no entremeio das línguas: efeitos de acolhimento no ensino e no aprendizado da língua portuguesa a refugiados hispanofalantes em Araguaína (TO)
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) CARNEIRO, Felipe Gonçalves
Nesta investigação, analisamos e problematizamos em que medida se engendra o processo de ensino e de aprendizado da língua portuguesa, como língua de acolhimento, para cubanos e para venezuelanos, na condição de refugiados, que se encontram na cidade de Araguaína, norte do estado do Tocantins. Em vista dessa prática discursiva, a qual envolve professor, alunos, língua portuguesa, como objeto de saber, e o atravessamento da língua espanhola, o nosso objetivo se consistiu em refletir e em tecer considerações acerca desse quadro a partir de um viés discursivo, tendo como parâmetro a prática discursiva de produção textual a partir do processo de (re)escrita de textos temáticos na língua de acolhimento. Os objetivos específicos foram: 1) compreender os efeitos produzidos no âmbito do processo de (re)escrita dos refugiados na língua ‘estranha’, língua do outro, do desconhecido, a partir das intervenções do professor, em que os alunos são levados a elaborar uma relação com o objeto de saber; e 2) analisar em que medida as intervenções do professor no processo de (re)escrita dos refugiados, ou seja, no mo(vi)mento de escuta singular, propiciam a irrupção de emergências subjetivas que, por sua vez, resvalam em possíveis significantes de acolhimento, em que sujeitos e sentidos são acolhidos. Os objetivos traçados se deram a partir de nosso problema de pesquisa, qual seja: quais os efeitos de acolhimento no ensino e no aprendizado da língua portuguesa a refugiados hispanofalantes, considerando a prática discursiva de (re)escrita na língua portuguesa? O procedimento de coleta de material de análise se deu a partir de nossa participação como professores e pesquisadores em um projeto de extensão voltado a refugiados, em que atuamos em 2023 e em 2024. Nesse período, 28 hispanofalantes concluíram o curso básico de língua portuguesa como língua de acolhimento. Com ancoragem no dispositivo teórico-analítico da teoria materialista do discurso, partimos da premissa de que sujeito e sentido, constitutivamente, imbricam-se. Com a premissa que assumimos, formulamos o pressuposto de que o acolhimento de sujeitos, na condição de refugiados, articula-se ao acolhimento de sentidos. Portanto, no espaço discursivo didático-pedagógico, que é constituído por um jogo entre professor, alunos e objeto de saber, conjecturamos que, para o acolhimento de refugiados por parte do professor, na função de sujeito suposto saber, a partir de suas estratégicas didáticas e metodológicas, torna-se preciso abrir espaços para uma possível escuta singular, tendo em conta as marcas presentes nos textos temáticos. Dessa forma, entendemos que assumir essa perspectiva abre possibilidades aos diferentes processos de subjetivação e de inscrição nas línguas, de modo a propiciar que sujeitos e sentidos sejam acolhidos pelo professor. Nosso enfoque está, portanto, na relação sujeito- sentido-acolhimento a partir da intervenção do professor. Sendo assim, partindo da pressuposição de que no processo de subjetivação e de inscrição de refugiados nas línguas, por meio da prática discursiva de ensino e de aprendizado da língua portuguesa, como língua de acolhimento, com o apoio da intervenção didático- pedagógica do professor no seu mo(vi)mento de escuta singular, há a irrupção de possíveis significantes de acolhimento, em que, conforme hipotetizamos, sujeitos e sentidos são acolhidos. A partir das intervenções no processo de (re)escrita de textos temáticos, é possível que haja a instauração de processos transferenciais, de modo a produzir efeitos de acolhimento que incidam em deslocamentos significativos no processo de aprendizagem dos refugiados hispanofalantes.
Língua Indígena Apinajé de Sinais: a marca da iconicidade como princípio organizador do léxico
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) BARROSO, Fabiane Silva
Esta tese investiga a Língua Indígena Apinajé de Sinais (LIAS), uma língua gesto-visual utilizada pelos indígenas Surdos do povo Apinajé, no Tocantins (TO). A pesquisa parte das observações preliminares de Barroso (2022), que identificaram a presença de um repertório comunicativo distinto da Língua Brasileira de Sinais (Libras), motivando a necessidade de examinar a legitimidade desse sistema enquanto língua natural. O objetivo central da pesquisa consiste em analisar a influência da iconicidade na formação do léxico da LIAS e descrever suas características estruturais e culturais. Para isso, a tese dialoga com autores que discutem a iconicidade, o léxico e a cultura nas línguas de sinais (Carneiro, 2017; Souza; Quadros, 2023) e com pesquisas dedicadas às Línguas Indígenas de Sinais (Ferreira, 2021; Santos, 2023; Garcia, 2024; Santos, 2024), situando a LIAS no campo emergente dessas línguas minoritárias. A metodologia combinou abordagem etnográfica e procedimentos descritivos, articulando observação participante, convivência prolongada nas aldeias Palmeira e Patizal, registros fotográficos e videográficos, entrevistas informais e anotações de campo. O processo analítico envolveu a transcrição detalhada dos sinais, descrição linguística com base nos parâmetros das línguas de sinais, comparação estrutural e análise semântica, especialmente, em relação aos sinais correspondentes da Libras. Destaca-se o papel fundamental dos discentes indígenas Apinajé do curso Educação do Campo, que atuaram como mediadores culturais e linguísticos, contribuindo para contextualizar usos, validar interpretações, identificar variações e esclarecer nuances culturais. Esse diálogo permanente entre pesquisadora, discentes e comunidade fortaleceu a consistência e a autenticidade do corpus. Foram documentados 49 sinais organizados em cinco campos semânticos: alimentos, animais, relações familiares, verbos e elementos da natureza. Trata-se do primeiro glossário sistematizado da LIAS, o que confere caráter inédito à pesquisa. Os resultados evidenciam que a iconicidade constitui o principal princípio de formação do léxico, profundamente influenciado pelas práticas culturais e ambientais do povo Apinajé. Em grande parte dos sinais, observou-se o predomínio do foco no processo — como sinais ligados ao preparo de alimentos, atividades cotidianas e práticas tradicionais — em contraste com padrões mais lexicalizados presentes na Libras. Essa característica demonstra que a LIAS não apenas representa o referente, mas reencena ações socialmente significativas, reafirmando a relação entre corpo, cultura e língua. A análise também identificou sinais compartilhados entre LIAS e Libras, decorrentes principalmente do contato linguístico promovido pela escolarização e pela circulação de repertórios da Libras no contexto indígena. A influência da Libras não descaracteriza a LIAS; ao contrário, reafirma sua autonomia e aponta para a necessidade de políticas linguísticas que assegurem sua preservação, conforme alertam pesquisas recentes sobre outras LISs. Conclui-se que a LIAS constitui uma LIS autônoma, dotada de léxico, estrutura e motivações culturais próprias, distinta da Libras e de sinais caseiros; sua documentação inédita contribui significativamente para os estudos linguísticos, amplia o debate sobre a diversidade das línguas de sinais no Brasil e reforça a importância da preservação das Línguas Indígenas de Sinais como patrimônio cultural e identitário dos povos indígenas.
A Narrativa do Sol e da Lua e sua Relevância na Cosmologia do Povo Apinayé
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) FREITAS, Rita de Cássia Nogueira de
Esta dissertação tem como objeto de estudo a narrativa do Sol e da Lua do povo Apinayé, pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê e à família Jê. Partindo dessa perspectiva, o presente trabalho tem como objetivo geral compreender a relevância da narrativa do Sol e da Lua na cosmologia do povo Apinayé, analisando seus significados simbólicos, sociais e culturais e sua contribuição para a preservação da identidade e da tradição oral. As narrativas, enquanto simbólicas, desempenham um papel fundamental nas sociedades tradicionais, pois não apenas explicam as origens do mundo e dos seres, mas também estruturam a vida social, orientam práticas culturais e reforçam a identidade coletiva. Este estudo é de natureza qualitativa, baseado em pesquisa bibliográfica com análise documental, fundamentada na investigação de registros escritos, históricos e etnográficos sobre o povo Apinayé, encontrados no site do Armazém da Memória, da Funai e do SPI. Os estudos clássicos sobre o povo Apinayé servem de base para o referencial teórico. Nimuendajú (1956; 1983) fornece a principal interpretação da cosmologia e da narrativa do Sol e da Lua, ao passo que DaMatta (1976) examina o sistema dual das metades Kolti e Kolre e suas oposições simbólicas. No âmbito linguístico, as pesquisas de Albuquerque (1999; 2007; 2011; 2012) ressaltam o papel da língua e da oralidade na transmissão de saberes e na preservação da cultura. Os resultados da pesquisa indicam que a narrativa do Sol e da Lua atua ao mesmo tempo como base cosmológica, estrutura social e princípio pedagógico, permanecendo como elemento central na preservação da memória e identidade Apinayé.
