Repositório Institucional da UFNT


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O Solaris: Repositório Institucional da Universidade Federal do Norte do Tocantins, é uma ferramenta desenvolvida para promover a literatura científica de forma livre e sem custo de acesso, disponibilizando toda a produção acadêmica, técnica, científica, intelectual e cultural da UFNT, de maneira organizada, por área temática, proporcionando visibilidade das publicações, bem como garantindo a preservação da memória institucional.

O nome Solaris faz alusão à organização de um sistema, como por exemplo o Sistema Solar, também representa o clima quente da região norte, onde estamos localizados e nossa proximidade à linha do Equador.

 

Submissões Recentes

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O TRABALHO COM O CONTEÚDO TEMÁTICO NOS GÊNEROS PROJETO DE CURTA-METRAGEM D EDOCUMENTÁRIO E DOCUMENTÁRIO DA OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) OLIVEIRA, Eliane de Jesus
Esta tese configura-se como um estudo teórico-analítico acerca do conteúdo temático dos gêneros discursivos Projeto de Documentário e Documentário da Olimpíada de Língua Portuguesa, e tem como objetivo compreender como se caracteriza a passagem do recorte temático do gênero “Projeto de curta-metragem de documentário” para o gênero “Documentário”, produzidos no concurso da Olimpíada de Língua Portuguesa, realizado no ano de 2019. O corpus desta pesquisa é composto por 62 Projetos e Documentários pertencentes às fases semifinalista, finalista e vencedores, produzidos nas cinco regiões brasileiras. Desse número total de documentos, foi feito um recorte para selecionar os três gêneros analisados. Esta investigação está situada no campo de estudos da Linguística Aplicada, possibilitando-nos um diálogo entre o campo de estudo da Linguística de Texto e Dialogismo do Círculo de Bakhtin, para melhor compreendermos os objetos de pesquisa investigados. No âmbito da Linguística de Texto, destacamos as relações textuais de coesão responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção do tema, ao passo que no contexto do Dialogismo, nosso interesse recai sobre a relação do conteúdo temático ao cronotopo, à esfera sociodiscursiva, às projeções ideológicas, à valoração/avaliação social/axiológica e à dialogicidade (relações dialógicas). Caracteriza-se como uma pesquisa documental, de natureza qualitativa de cunho interpretativista. Os resultados mostram que as relações coesivas utilizadas para a progressão temática foram a de Reiteração e Associação, respectivamente. Já no domínio do Dialogismo, foram utilizados diversos recursos linguísticos para a passagem do conteúdo temático do Projeto de Documentário para o Documentário, tais como imagens em preto e branco e monumentos históricos, representando o passado, imagens do lugar tematizado representando o tempo presente, imagens da preparação de comida típica, trilha sonora e dialeto, que marcam também o estilo de linguagem e a posição valorativa dos alunos-autores. Tais recursos foram utilizados em função do cronotopo, da esfera sociodiscursiva, das projeções ideológicas, da valoração/avaliação social/axiológica e da dialogicidade (relações dialógicas).
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TOPONÍMIA EM LIBRAS DOS BAIRROS DE ARAGUAÍNA – TOCANTINS
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) NUNES, Ester Fernandes
Este estudo teve como objetivo central o levantamento, a criação, registro, e a análise dos aspectos estruturais e motivacionais dos topônimos em Libras atribuídos aos bairros do município de Araguaína, estado do Tocantins. A pesquisa insere-se no campo da Toponímia, subárea da Onomástica que se dedica ao estudo do léxico da língua, com ênfase nos nomes próprios de lugares. Especificamente, buscamos os seguintes objetivos: (i) identificar os bairros que já possuíam sinais em circulação na comunidade surda local; (ii) mapear os bairros que ainda não possuíam um sinal; (iii) propor a criação de sinais toponímicos para esses bairros; (iv) analisar as motivações semânticas e morfológicas envolvidas na criação dos sinais; e (v) registrar e divulgar os resultados obtidos de forma sistematizada. Contamos com a participação de 14 surdos adultos, com idades entre 23 e 50 anos, todos integrantes da comunidade surda de Araguaína. Os dados foram gerados por meio de observação participante, entrevistas semiestruturadas e registros audiovisuais, com as orientações metodológicas nas obras de Dick (1980, 1990, 1996), Isquerdo (2012) Brito (1995), Xavier (2006), e Nascimento (2020) para estudos em comunidades surdas. A fundamentação teórica articula os pressupostos da toponímia clássica (DICK, 1980, 1990, 1996) e da onomástica, incorporando contribuições contemporâneas do campo da Libras, como os trabalhos de Sousa (2019; 2022; 2023), Miranda (2020), Xavier (2012), que discutem a nomeação de espaços urbanos na perspectiva da língua de sinais, bem como a interface entre lexicografia, identidade e cultura surda. Dos 81 bairros de Araguaína considerados nesse estudo, 25 já possuíam sinais estabelecidos em Libras, e em uso pelos participantes da pesquisa. Para os 56 bairros restantes, foram propostos novos sinais. Os dados foram organizados em Fichas Lexicográfico-Toponímicas Digitais, a partir das quais foi possível categorizar os sinais em três tipos principais: (i) nativos, (ii) inicializados e (iii) soletrados. Quanto às motivações, os topônimos foram agrupados em duas grandes categorias: motivação icônica, subdividida em (a) material e (b) cultural, e motivação baseada na língua portuguesa, englobando (c) calque e (d) grafia. Os resultados evidenciaram uma predominância de sinais inicializados, formados a partir da grafia do nome do bairro em português. Contudo, de modo geral, observamos a presença de diversos processos de formação de sinais, bem como de diferentes motivações, conforme descrito na literatura. Entre elas, destacam-se: sinais com motivação icônica, de natureza material ou cultural, sinais baseados em estruturas do português, de calque linguístico, sem motivação aparente e com dupla motivação. Esses achados revelam a riqueza e a complexidade dos mecanismos linguísticos e socioculturais que permeiam os processos de nomeação em Libras.
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VOCABULÁRIO BILÍNGUE KRAHÔ/PORTUGUÊS DOS CAMPOS LEXICAIS ANIMAIS E ALIMENTOS
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) CAVALCANTE, Francisca Martim
Este trabalho é resultado de nossas pesquisas realizadas no Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura (PPGLLIT) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e apresenta a proposta de construção de um vocabulário da língua indígena Krahô, tendo como L1 a língua materna e, como L2, a língua portuguesa. O objetivo é elaborar um vocabulário Krahô/Português organizado por campos lexicais, que sirva como instrumento de valorização, registro e preservação da língua, sob uma perspectiva lexicográfica, intercultural e bilíngue, considerando a realidade sociolinguística do povo Krahô. O estudo contempla a observação dos usos e das funções da língua materna nos diversos domínios sociais da comunidade, bem como aspectos de sua estrutura gramatical. Partindo do princípio de que um vocabulário reúne elementos que interseccionam os vocabulários de uma comunidade ou de um segmento social, selecionados a partir dos critérios de alta frequência e distribuição regular entre os falantes, este trabalho organiza, até aqui, os campos lexicais de “animais” e “alimentos”. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico e descritivo que buscou compreender os aspectos internos e externos da língua Krahô, os conhecimentos da comunidade sobre suas duas línguas (Krahô e Português), bem como os usos e as funções de ambas, de acordo com os diferentes domínios sociais. A pesquisa, de natureza descritiva e qualitativa, é permeada por abordagem etnográfica, considerando a imersão na comunidade por meio de visitas técnicas e pesquisa de campo, e por procedimentos de análise de conteúdo, ancorados na Lexicografia, ciência que tem por objeto a língua como sistema, investigando-a de modo sistemático e considerando os diversos discursos que circulam nas comunidades linguísticas. O levantamento de dados contou, principalmente, com documentos produzidos pelo Laboratório de Língua Indígena (LALI), construídos com a participação e a revisão de professores indígenas Krahô. Metodologicamente, o trabalho apoia-se nas contribuições de Flick (2012), Oliveira (2012), Mattos e Castro (2011) e Bogdan e Biklen (1994); teoricamente, dialoga com autores da Sociolinguística, como Labov (1968), Braggio (1997) e Rodrigues (1986); da Educação Escolar Indígena, como Albuquerque (2011, 2012, 2016), Grupioni (2001), Santos (2014) e Abreu (2012); e da Lexicografia, como Zavaglia (2012), Welker (2004), Isquerdo e Finatto (2010), entre outros. Os resultados indicam que, apesar dos desafios relacionados ao contato intenso com a sociedade envolvente e às pressões culturais e linguísticas, a sociedade Krahô resiste, preservando sua língua, seus saberes e suas práticas culturais. Espera-se que este trabalho contribua como recurso pedagógico para a manutenção da língua materna e da cultura Krahô, além de colaborar com a divulgação e o reconhecimento desse povo no contexto do Estado do Tocantins.
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DO MESSIANISMO FALIDO AO INDIVIDUALISMO DEMISSIONÁRIO: Leitura, escrita e constituição dos sujeitos leitor e escritor na ficção de Moacyr Scliar e Cristovão Tezza.
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) FREITAS, José Carlos de
Esta tese vincula crítica literária e filosofia, refletindo sobre o messianismo utópico falido e o individualismo demissionário em personagens-leitores e personagens-escritores constantes nos romances de Moacyr Scliar e Cristovão Tezza. Ela identifica nos personagens de Scliar o messianismo utópico, estes levados à desistência ou à loucura, prestando-se ao riso e à zombaria, numa forma irônica, por parte de seu autor, de fazer constar as utopias como discursos falidos, mas não menos necessários para quem busca um outro mundo possível, através da revolução do mundo presente. Identifica igualmente nos personagens de Tezza o individualismo demissionário, reduzidos à indiferença, à desesperança, ao cinismo, à misantropia e à inércia em relação ao engajamento nas causas sociais. Para tanto, a pesquisa se pautou por recobrir o papel que o leitor tem diante de livros que lê e o papel do escritor diante dos textos que escreve ou quer escrever, ambos dentro das coordenadas circunstanciais de sua vida privada e pública. De Scliar, foram tomados sobretudo os romances Eu vos abraço, milhões, O exército de um homem só, A majestade do Xingu, A mulher que escreveu a bíblia, O centauro no jardim, Mês de cães danados, Manual da paixão solitária, Os vendilhões do templo, Os voluntários, A festa no castelo. De Tezza, a atenção se volta principalmente para os romances Trapo, O professor, A suavidade do vento, O fantasma da infância, Juliano Pavollini, A tensão superficial do tempo, A tradutora, Beatriz e o poeta, Aventuras provisórias, Um erro emocional,O filho eterno. Sendo uma tentativa de compreensão dos atos da leitura e da escrita que busca exemplos em personagens fictícios, ela convocou o apoio dos teóricos da Literatura, como George Steiner, Tzvetan Todorov, Émile Faguet, Vincent Jouve, Julien Benda, Isaiah Berlin, Terry Eagleton, Ricardo Piglia, Michele Petit, Ayn Rand, Regina Zilberman, Umberto Eco, Wolgang Iser, Octavio Paz, Roland Barthes, entre outros; e, em filósofos, como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud, Michel Foucault, Judith Butler, Immanuel Kant, Karl Marx, Michael Löwy, Hannah Arendt, Fredric Jameson, Ernst Bloch, Theodor Adorno, Paul Ricoeur, Roger Scruton, Emil Cioran, Michela Murgia, Donatela Di Cesare, Enzo Traverso, entre outros. A confluência de teóricos da Literatura com os pensadores da Filosofia serve para mostrar os procedimentos de efetivação das teorias utópicas e as crises das utopias a partir de seus resultados e como isto tem servido de álibi para a desistência de engajamentos e para novos levantes de detratores das mesmas. Esta tese também pondera sobre o surgimento do fascismo nas sociedades contemporâneas nas diversas nações do planeta e acredita que a Literatura se apresenta como uma leitura antecipada dos tempos sombrios.
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ANÁLISE DO VOCABULÁRIO DA LÍNGUA INDÍGENA KA’APOR DE SINAIS NA PERSPECTIVA DOS ARTEFATOS CULTURAIS DO POVO INDÍGENA SURDO
(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) MOTA, Leila Saraiva
Esta tese intitulada “Análise do vocabulário da língua indígena Ka’apor de sinais na perspectiva do artefato linguístico cultural do povo indígena surdo”, tem como objetivo geral: Registrar os elementos linguísticos e culturais a partir dos artefatos culturais linguísticos existentes na língua Indígena Ka’apor de sinais. Os objetivos específicos são: descrever a trajetória histórica da educação dos indígenas ouvintes e surdos; identificar o(s) perfil(s) dos indígenas surdos da etnia Ka’apor; apresentar a estrutura linguísticas dos sinais da língua indígena Ka’apor de sinais utilizados pelos indígenas surdos; apresentar os aspectos fonológicos dos sinais da língua indígena Ka’apor de sinais; identificar, por meio da sinalização dos vocabulários lexicais da língua indígena Ka’apor de sinais, as implicações culturais e linguísticas. Compreendemos que um estudo desta natureza abrange não apenas a estrutura linguística das línguas indígenas de sinais (LIS), mas, também, a função social e cultural da língua indígena Ka’apor de sinais. Sendo assim, a metodologia adotada foi realizada na área do campo dos estudos linguísticos na perspectiva etnográfica qualitativa. O lócus onde ocorreu a pesquisa foi a Terra Indígena Alto Turiaçu, dos povos indígenas da etnia Ka’apor, localizada no norte do estado do Maranhão. A pesquisa realizou-se, especificamente, nas aldeias Waxingi r-ena e Paraku’y. Os participantes foram indígenas surdos, todos usuários da língua indígena Ka’apor de sinais. As técnicas utilizadas nesse estudo foram o questionário semiaberto, traduzido com uso de filmagens. As teorias que nele foram elencadas tiveram como base as concepções de Malinowski (2018), Oliveira, Coelho e Sanches (2022), Rocha e Eckert (2008), Miranda (2020), Leite (2015), Richardson (2017) e Bardin (2012), autores que fundamentaram a escolha dos procedimentos e do método de análise de dados. Foi possível catalogar, mediante mapeamento, 141 sinais existentes na língua indígena Ka’apor de sinais, os quais foram organizados nas categorias: fonologia dos sinais na perspectiva das ENM; léxico nas descrições imagéticas da sinalização da língua indígena Ka’apor de sinais; tipologias dos verbos (incorporação); o vocabulário lexical da língua indígena Ka’apor de sinais e os artefatos culturais visuais do povo surdo. Foi possível comprovarmos que a função dos vocabulários lexicais está além da gramatical, pois os vocabulários lexicais estão presentes na cultura Ka’apor, nas identidades dos indígenas surdos, na comunicação diária nas relações da aldeia e no ato político do povo Ka’apor. Gramaticalmente, os vocabulários lexicais sinalizados pelos indígenas surdos fazem parte de um sistema altamente desenvolvido, onde cada vocábulo possui significados e cada unidade mínima é combinada seguindo os princípios dos elementos linguísticos de uma língua natural, apresentando um padrão de organização, pois, de acordo com que comprovamos neste estudo, durante a sinalização dos vocabulários, os sinais executados seguem uma ordem linguística de CM, M e P.A. Também foi possível identificarmos a presença das ENM nos léxicos sinalizados, além de identificarmos que os léxicos sinalizados seguem um padrão estabelecido pela linguística, conforme mostramos. Nesta Tese concluímos que a função da língua indígena ka’apor de sinais vai além da ordem linguística desse povo, discutir sobre o vocabulário lexical da língua indígena ka’apor de sinais é discutir sobre a cultura presente nos ritos, nos saberes tradicionais indígenas, na caça e nos hábitos alimentares, que vêm sendo repassado e mantido entre os indígenas surdos e ouvintes Ka’apor. Além disso, a língua indígena Ka’apor de sinais está presente nas práticas sociais, na organização econômica e política do povo Ka’apor. Tudo isso faz parte do funcionamento social dessa língua, portanto, esperamos que as discussões realizadas neste Tese contribuam de forma significante para que a Língua Indígena Ka’apor de sinais seja valorizada, reconhecida, revitalizada, preservada e autenticada, pois o indígena surdo tem direito de registrar a história da sua Língua, seus valores, cultura e povo. Nesse sentido, pensamos na urgência da criação de uma política linguística que garanta a pluralidade, a riqueza e o reconhecimentos da língua indígena Ka’apor de sinais do povo indígena surdo.