Navegando por Autor "SOUSA, Carlos Antonio Oliveira"
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Item Reflexos socioambientais do gerenciamento de resíduos sólidos realizado no município de Tocantinópolis(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) SOUSA, Carlos Antonio OliveiraO presente trabalho analisou a disposição inadequada de resíduos sólidos urbanos e a crônica ausência de planejamento por parte do poder público local em Tocantinópolis (TO). Diante de um cenário em que a postura governamental negligencia abertamente as diretrizes e metas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei no 12.305/2010), a investigação partiu do seguinte problema de pesquisa: Qual a percepção dos moradores dos povoados Olho D’água e Mangal em relação aos impactos socioambientais gerados pelo lixão? Para responder a essa questão, o objetivo geral deste estudo foi analisar como os moradores dos povoados Olho D’água e Mangal percebem e interpretam os impactos socioambientais do lixão municipal, que se encontra em operação contínua desde o ano de 1985. Do ponto de vista metodológico, o estudo adotou uma abordagem qualitativa de natureza aplicada. Utilizou-se o método fenomenológico como eixo orientador, o que permitiu capturar, descrever e compreender a essência das vivências, angústias e interpretações dos atores sociais diretamente afetados pela proximidade do depósito de resíduos. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e observação direta em campo, buscando dar voz a uma população historicamente invisibilizada pelas esferas de poder. Os resultados da investigação evidenciaram um cenário de vulnerabilidade extrema. Os moradores relataram a proliferação de vetores de doenças, episódios frequentes de queima de lixo com emissão de fumaça tóxica, contaminação visual e odor fétido constante, além do receio latente quanto à contaminação do solo e dos recursos hídricos. Diante disso, manifestou-se a urgência inequívoca do encerramento definitivo das atividades do lixão. Ficou clara a necessidade premente de o município cumprir o seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), viabilizando os consórcios intermunicipais ou investimentos diretos para a implantação de um aterro sanitário tecnicamente adequado. Outrossim, a omissão e a negligência estatal perpetuam graves riscos à saúde pública e aceleram a degradação dos ecossistemas locais. Torna-se imperativo, portanto, que as políticas públicas de saneamento básico e gestão de resíduos deixem o plano teórico e sejam efetivamente implementadas na região, garantindo a justiça ambiental, a dignidade humana e a qualidade de vida das comunidades adjacentes.
