Efeito agudo do inseticida Fipronil em Peixe Neotropical
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2022
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Resumo
O uso do fipronil como inseticida agrícola tem crescido consideravelmente e sua aplicação
indiscriminada tem intensificado a contaminação dos ecossistemas aquáticos, gerando alerta de
preocupação à saúde dos peixes. Este estudo avaliou a toxicidade aguda do inseticida fipronil
no peixe neotropical Colossoma macropomum via respostas integradas de múltiplos
biomarcadores. Os animais foram divididos em três grupos: Controle (livre do contaminante);
F40 (expostos à concentração de 40 µg L -1 ) e F160 (exposto à 160 µg L -1 ), por 96 horas. Após
exposição, amostras de sangue, fígado, músculo, cérebro e brânquias foram coletadas para
análise de biomarcadores neurotóxicos, fisiológicos, citogenéticos, bioquímicos e
morfológicos. A atividade da acetilcolinesterase aumentou no músculo dos animais expostos
ao grupo F160 em relação ao controle e F40, indicando distúrbio na junção neuromuscular.
Embora o não comprometimento morfofuncional (I org ) do tecido cerebral, houve um aumento
no índice de lesão individual (I alt ) para edema intracelular em F160, quando comparado ao
controle e ao F40, indicando ação neurotóxica do inseticida. Não houve alterações na
morfologia branquial e densidade de ionócitos entre os grupos expostos, todavia, foi observado
uma desregulação osmo-ionica plasmática, evidenciada pelo aumento do íon Na + no grupo
F160 em relação ao controle, diminuição de K + de forma concentração dependente e aumento
na osmolalidade total em F40 quando comparado ao controle. Não houve alteração para o íon
Cl após exposição. Os parâmetros hematológicos, índices hematimétricos e leucócitos totais
decresceram de forma concentração dependente, indicando possíveis quadros de anemia e
infecção tecidual, além de poder levar à uma disfunção no transporte de gases. A frequência de
eritrócitos micronucleados não sofreu alteração após a exposição, entretanto, o potencial
citogenotóxico do contaminante foi expresso através das alterações nucleares eritrocitárias.
Embora o fipronil não tenha prejudicado a funcionalidade do tecido hepático, foi observado
alterações morfológicas do tipo alteração da arquitetura hepática nos grupos tratados em relação
ao controle, e do tipo degeneração citoplasmática entre tratados. A glicose plasmática e o índice
hepatossomático permaneceram inalterados após a exposição. A redução nos níveis de
glicogênio hepático de forma concentração dependente indicam interferência do contaminante
no metabolismo do peixe, sugerindo metabolização de glicogênio nas células para manter os
níveis de glicemia normais. A normalidade do sistema de biotransformação GSH-GST e
biomarcadores de danos hepáticos (alanina-transaminase e bilirrubinas) demonstraram que a
integridade dos hepatócitos e função de biotransformação não foram afetadas pela ação do
inseticida. A toxicidade do fipronil em C. macropomum ocorreu em diferentes concentrações,
promovendo alterações morfofisiológicas, neurotóxicas e fisiológicas no organismo, com
preservação da funcionalidade do órgão analisados.
Descrição
Palavras-chave
neurotoxicidade, ecotoxicologia aquática, biomarcadores, pesticida, tambaqui.
Citação
SILVA, Ducilene do Carmo da. Efeito agudo do inseticida Fipronil em Peixe Neotropical. 2022.81f. Dissertação(Mestrado em Sanidade Animal e Saúde Pública nos Trópicos) – Universidade Federal do Norte do Tocantins, Araguaína, 2022.