Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais - PPGDire
URI permanente para esta coleçãohttps://solaris.ufnt.edu.br/handle/123456789/78
O PPGDire é um curso de pós-graduação stricto sensu em nível de mestrado acadêmico, presencial e reconhecido pelo CAPES/MEC, com nota 3 na última avaliação. Visa desenvolver estudos interdisciplinares sobre populações vulneráveis urbanas e/ou rurais da região norte do país.
Os egressos são capacitados para analisar as demandas populares e dinâmicas regionais de forma interdisciplinar.
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Item Uma análise das atas do Conselho Estadual de Alimentação Escolar (CAE) do Tocantins pela via das políticas públicas: as (in)ações sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Maria Do SocorroO objetivo desta pesquisa é analisar as atas do Conselho Estadual de Alimentação Escolar do Tocantins (CAE-TO), realizadas entre 2013 e 2023, e identificar como as decisões registradas refletem ou restringem as liberdades substantivas e instrumentais dos estudantes, em conformidade com a teoria do desenvolvimento como liberdade de Amartya Sen. A metodologia adotada foi a análise de conteúdo, com base em Bardin (2016), aplicando uma categorização estruturada que inclui segurança alimentar, educação de qualidade, governança, accountability e participação comunitária. Foram analisadas 74 atas, que documentaram as discussões e deliberações do CAE-TO, evidenciando desafios como burocracia, falta de recursos e falhas na execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Os resultados indicam que, embora o CAE-TO tenha buscado promover a segurança alimentar e o bem-estar dos estudantes, há necessidade de melhorias na governança e na capacitação dos conselheiros para assegurar a eficácia das políticas públicas de alimentação escolar. As conclusões sugerem recomendações para aprimorar a atuação do CAE-TO e alinhar suas práticas aos princípios de desenvolvimento humano sustentável.Item Uso da terra e cobertura vegetal no assentamento Vera Cruz/Maranhão: subsídios à produção de alimentos e à soberania alimentar(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) REIS, Graciany Costa dosA presente dissertação analisou o uso da terra e a cobertura vegetal no assentamento Vera Cruz, localizado no município de Grajaú, Maranhão, destacando as estratégias camponesas de produção de alimentos e a promoção da soberania alimentar. O estudo parte da compreensão da paisagem como um sistema dinâmico e indissociável entre natureza e sociedade, conforme a abordagem de Bertrand (2004), e do território como condição, meio e produto das práticas sociais, conforme Santos (2006). Adotou-se como base metodológica o materialismo histórico- dialético, permitindo interpretar as contradições e transformações que permeiam o espaço agrário. A pesquisa foi conduzida por meio de uma abordagem quali- quantitativa, exploratória e descritiva, com o uso de levantamento bibliográfico, análise documental, aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas com os assentados, além de técnicas de geoprocessamento para o mapeamento do uso da terra e cobertura vegetal entre 2015 e 2025. Os resultados indicaram que o assentamento Vera Cruz é caracterizado por uma paisagem híbrida, onde áreas de vegetação nativa coexistem com espaços degradados pelo uso intensivo da terra. A produção agrícola é diversificada, com predomínio de mandioca, arroz, feijão, milho, hortaliças e frutíferas, majoritariamente destinadas ao autoconsumo, evidenciando a lógica da agricultura camponesa e sua contribuição para a soberania alimentar local. As entrevistas revelaram sentimentos ambíguos entre esperança e frustração, associados às condições precárias de infraestrutura, falta de assistência técnica, envelhecimento da população e ausência de políticas públicas efetivas. As mulheres assumem papel central na produção de alimentos, especialmente no cultivo de hortaliças, frutíferas e feijão, reafirmando sua importância na preservação de saberes tradicionais e na reprodução da vida no campo. Conclui-se que a soberania alimentar no assentamento depende da valorização das práticas agroecológicas, da preservação da biodiversidade e do fortalecimento das políticas públicas voltadas à agricultura camponesa. A pesquisa confirma que o objetivo proposto foi alcançado, ao demonstrar como as estratégias camponesas articulam resistência, identidade e sustentabilidade em um contexto de desafios estruturais. Além de contribuir empiricamente para o debate sobre reforma agrária, soberania alimentar e paisagem rural, este trabalho tem relevância especial por ser a primeira dissertação do Programa de Pós-Graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais a ser desenvolvida no estado do Maranhão, constituindo-se como referência para futuras investigações sobre os assentamentos rurais do bioma Cerrado maranhense.
