Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais - PPGDire

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O PPGDire é um curso de pós-graduação stricto sensu em nível de mestrado acadêmico, presencial e reconhecido pelo CAPES/MEC, com nota 3 na última avaliação. Visa desenvolver estudos interdisciplinares sobre populações vulneráveis urbanas e/ou rurais da região norte do país. Os egressos são capacitados para analisar as demandas populares e dinâmicas regionais de forma interdisciplinar.

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Resultados da Pesquisa

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    ARRANJOS PRODUTIVOS INTERROMPIDOS EM BABAÇULÂNDIA/TO: modos de individuação do sujeito pelo Estado
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Islana barbosa da
    A construção de grandes empreendimentos hidrelétricos, como a Usina Hidrelétrica (UHE) de Estreito, gera grandes impactos, afetando diretamente as condições de vida e de trabalho das comunidades locais. Considerando essa premissa, nesta dissertação, analisamos, sob a ótica da Análise do Discurso, as discursivizações e os modos de individuação de sujeitos pertencentes aos Arranjos Produtivos Locais (APLs) interrompidos pela formação do reservatório da UHE em Babaçulândia, Tocantins. Os sujeitos entrevistados são ex-barqueiros, ex-barraqueiros, ex-oleiros, ex-vazanteiros e ex-quebradeiras de coco. Inscritos em uma abordagem qualitativa, a pesquisa baseou-se em entrevistas semiestruturadas, utilizando a técnica de amostragem bola de neve para seleção dos participantes. Os áudios das entrevistas foram transcritos, de onde foram recortadas sequências discursivas (SD); no total foram realizadas 10 entrevistas. A análise tomou como ponto de partida as sequências discursivas para a compreensão de como os sujeitos pertencentes aos APLs significam os impactos advindos da formação do reservatório. Os resultados revelam processos de subjetivação marcados pela ruptura das condições materiais de produção, formações discursivas que contrastam a memória de um passado de autonomia produtiva e de abundância com um presente marcado pela precariedade, pela dependência e pela experiência de injustiça. A análise evidencia diferentes processos discursivos de modos de individuação frente à perda. Concluímos que a interrupção dos APLs desencadeou processos de individuação, marcados pela falha ou pela falta do Estado, moldando as posições-sujeito e as formas como esses indivíduos significam suas trajetórias e resistem ou se resignam diante das transformações impostas. A pesquisa contribui com a compreensão da discursividade subjetiva dos impactos de grandes projetos por meio da AD
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    Um estudo discursivo sobre os arranjos produtivos locais alterados em Babaçulândia/Tocantins
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Midian Ferreira dos Santos
    Neste trabalho, temos como objetivo analisar, discursivamente, a configuração dos arranjos produtivos locais dos pescadores e do apicultor no município de Babaçulândia, estado do Tocantins, antes e depois da formação do lago da Usina Hidrelétrica de Estreito (UHE). Trata-se de pensar, portanto, nos modos de vida e de fazer desses trabalhadores quando havia o rio e, depois, com a transformação deste em lago, considerando a constituição dessa Usina, A pesquisa está inserida no campo da Análise de Discurso (AD) de base materialista, articulando conceitos como formação discursiva, sujeito, território e prática socioespacial da resistência. Parte-se do pressuposto de que a construção da hidrelétrica gerou impactos significativos nas práticas produtivas, exigindo dos trabalhadores novas formas de adaptação e de permanência em seus arranjos produtivos locais. A metodologia envolveu entrevistas com roteiro semiestruturado, realizadas com 08 pescadores e um apicultor local, além de análise documental. O método de análise é o materialismo histórico-dialético, pois buscamos perseguir as condições de produção dos modos de vida e de fazer dos trabalhadores entrevistados. As análises partiram de sequências discursivas (SD) recortadas das transcrições feitas dos áudios das entrevistas realizadas por nós. Os resultados evidenciaram que, mesmo diante dos efeitos provocados pela transformação do rio em lago, o quê implicou mudanças nos modos de vida e de fazer desses trabalhadores, eles construíram processos de ressignificação de suas atividades, preservando práticas produtivas que se constituem também como forma de resistência e (re)construção de identidade territorial. Concluímos que as práticas produtivas, em Babaçulândia/TO, não apenas persistem, como também revelam uma dinâmica de luta simbólica por reconhecimento e por pertencimento ao território historicamente vivido.
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    A infância ribeirinha que perdeu o rio: crianças amazônidas de Babaçulândia atingidas pela usina hidrelétrica de Estreito.
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SOUSA, Cimara leite de
    O presente trabalho objetiva compreender a infância das crianças descendentes dos ribeirinhos da ilha de São José realocados no reassentamento Baixão no município de Babaçulândia- TO em função do deslocamento forçado pela barragem da UHE de Estreito. Para tanto, foram realizadas entrevistas com cinco antigos moradores da ilha e quatro professores que exerceram função na escola da localidade, bem como oito crianças do Baixão realizadas por meio da produção de desenhos e suas significações. As entrevistas foram analisadas sob a luz da dinâmica dos contextos ambientais apresentada por Urie Bronfenbrenner – e avaliados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin –, com o auxílio do software WebQDA. A partir dos resultados chegou-se a três categorias temáticas: i) Infâncias; ii) Infância e natureza morta; iii) Macrossistema. O primeiro descreve como era a infância ribeirinha no ambiente da ilha. O segundo os desafios enfrentados pela população em seu novo local de vivência e como estes afetam infância. O terceiro versa sobre os instrumentos de domínio e força utilizados para impedir que os moradores acessem seus direitos. Os desenhos foram analisados considerando a técnica do Instrumento Gerador de Mapas Afetivos (IGMA) proposto por Bomfim. Os resultados alcançados por meio da narrativa das crianças revelaram sentimentos potencializadores, despotencializadores e mistos em relação ao reassentamento Baixão e ilha de São José. De modo geral, concluiu-se que, a construção da usina alterou de maneira significativa o contexto infantil dos descendentes dos ribeirinhos. Notou-se que a mudança para um ambiente sem acesso ao rio limitou a compreensão das crianças em relação a amplitude geográfica do rio o que marca uma transição ecológica, na qual, os filhos dos ribeirinhos, se apresentam como a primeira geração familiar que não se identificam como tal. O fim da infância ribeirinha das famílias estudadas é um dano social e subjetivo que nenhuma análise de impacto social e psicológico havia previsto.