Imagens e silêncios: a representação da mulher negra em livros didáticos de História.
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Data
2025
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Editor
Universidade Federal do Norte do Tocantins
Resumo
Esta dissertação parte das minhas inquietações e desafios em sala de aula, quanto à temática racial; racismo, relações de gênero, classe e identidades. Nesse sentido, o foco dessa pesquisa foi o de analisar as imagens e o modo como os livros didáticos do oitavo ano do ensino fundamental têm representado imageticamente as mulheres negras no Período Imperial brasileiro, de 1822 a 1889, e quais suas implicações na formação das identidades dos/as estudantes. Para isso, selecionamos as coleções didáticas (PNLD- 2020-2023) “Inspire História”, “História Sociedade e Cidadania”, “Teláris” e “Projeto Araribá” para verificar quais são as imagens e como elas são utilizadas. Como aporte teórico para elaboração das análises, ancoramo-nos em Quijano (2004), Lugones (2014), Choppin (2014), Bittencourt (2015) e Chartier (1990). Para a análise das imagens, recorremos a alguns teóricos sobre o assunto, tais como Pesavento (2008), Paiva (2006), Mauad (2007) e Joly (1999). Estas imagens aparecem de diferentes formas, como em fotografias, litografias, pinturas presentes nos livros didáticos selecionados. Para discutir sobre a epistemologia decolonial, recorremos a Wash (2013), Wash; Maldonado (2018), além de Ballestrin (2013), Enrique Dussel (2005), Bernardino-Costa; Grosfoguel (2016). Utilizamos, também, as concepções teóricas do feminismo negro, tais como as pesquisadoras Lélia Gonzalez (2020), bell hooks (2019) e Djamila Ribeiro (2023), entre muitas outras. A pesquisa enquadra-se na abordagem metodológica hermenêutica dialética, pautada na busca da compreensão e de uma atitude crítica (Minayo, 2014). Com esse intuito, elaboramos dois questionários, os quais nos permitiram pensar as concepções das alunas por meio de seus próprios posicionamentos, materializados em respostas que revelaram falas carregadas de preconceitos; e na coleta documental. Como resultados, destacamos que as representações imagéticas das mulheres negras nos livros didáticos analisados não trazem o seu protagonismo nas lutas de resistência diante da escravidão, nem suas contribuições para a formação cultural e social do Brasil. Dessa forma, o que encontramos nos materiais foi um perfil eurocêntrico, a partir do uso de imagens canônicas sobre o Brasil, nas quais estão presentes o olhar do colonizador sobre os colonizados. Como consequências dessa visão pedagógica colonial, vimos que os/as estudantes negros/as, por não serem representados positivamente, não se sentem confortáveis para assumirem as suas raízes afrodescendentes. Tendo em vista a minha prática docente na escola pública do Município de Açailândia/MA, realizei aulas-oficina com imagens valorativas e positivas da história das mulheres negras e apresento todo esse processo como produto. Um material didático que contempla sugestões teórico-metodológicas de aulas-oficina.
Descrição
Palavras-chave
Ensino de História, Livro didático, Imagens, Mulheres Negras.
Citação
BORGES, Soraya Alves. Imagens e silêncios: a representação da mulher negra em livros didáticos de História. 204f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de História) – Universidade Federal do Norte do Tocantins, Araguaína, 2025.
