Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura - PPGLLIT
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O Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura da Universidade Federal do Norte do Tocantins, Câmpus de Araguaína — nota “5” na Avaliação Quadrienal Capes 2017 – 2020 —, tem fundamental importância na formação e qualificação de professores e pesquisadores do ensino superior no Norte/Nordeste do Brasil.
O programa oferece cursos de mestrado e doutorado em uma única área de concentração: “Ensino e Formação de Professores de Línguas e de Literatura”, organizada em quatro linhas de pesquisa: Teoria, análise linguística e diversidade cultural em contexto de formação; Ensino de literatura e letramento literário; Práticas discursivas em contextos de formação; Linguística aplicada a contextos de formação.
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Resultados da Pesquisa
Item VOCABULÁRIO BILÍNGUE KRAHÔ/PORTUGUÊS DOS CAMPOS LEXICAIS ANIMAIS E ALIMENTOS(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) CAVALCANTE, Francisca MartimEste trabalho é resultado de nossas pesquisas realizadas no Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura (PPGLLIT) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e apresenta a proposta de construção de um vocabulário da língua indígena Krahô, tendo como L1 a língua materna e, como L2, a língua portuguesa. O objetivo é elaborar um vocabulário Krahô/Português organizado por campos lexicais, que sirva como instrumento de valorização, registro e preservação da língua, sob uma perspectiva lexicográfica, intercultural e bilíngue, considerando a realidade sociolinguística do povo Krahô. O estudo contempla a observação dos usos e das funções da língua materna nos diversos domínios sociais da comunidade, bem como aspectos de sua estrutura gramatical. Partindo do princípio de que um vocabulário reúne elementos que interseccionam os vocabulários de uma comunidade ou de um segmento social, selecionados a partir dos critérios de alta frequência e distribuição regular entre os falantes, este trabalho organiza, até aqui, os campos lexicais de “animais” e “alimentos”. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico e descritivo que buscou compreender os aspectos internos e externos da língua Krahô, os conhecimentos da comunidade sobre suas duas línguas (Krahô e Português), bem como os usos e as funções de ambas, de acordo com os diferentes domínios sociais. A pesquisa, de natureza descritiva e qualitativa, é permeada por abordagem etnográfica, considerando a imersão na comunidade por meio de visitas técnicas e pesquisa de campo, e por procedimentos de análise de conteúdo, ancorados na Lexicografia, ciência que tem por objeto a língua como sistema, investigando-a de modo sistemático e considerando os diversos discursos que circulam nas comunidades linguísticas. O levantamento de dados contou, principalmente, com documentos produzidos pelo Laboratório de Língua Indígena (LALI), construídos com a participação e a revisão de professores indígenas Krahô. Metodologicamente, o trabalho apoia-se nas contribuições de Flick (2012), Oliveira (2012), Mattos e Castro (2011) e Bogdan e Biklen (1994); teoricamente, dialoga com autores da Sociolinguística, como Labov (1968), Braggio (1997) e Rodrigues (1986); da Educação Escolar Indígena, como Albuquerque (2011, 2012, 2016), Grupioni (2001), Santos (2014) e Abreu (2012); e da Lexicografia, como Zavaglia (2012), Welker (2004), Isquerdo e Finatto (2010), entre outros. Os resultados indicam que, apesar dos desafios relacionados ao contato intenso com a sociedade envolvente e às pressões culturais e linguísticas, a sociedade Krahô resiste, preservando sua língua, seus saberes e suas práticas culturais. Espera-se que este trabalho contribua como recurso pedagógico para a manutenção da língua materna e da cultura Krahô, além de colaborar com a divulgação e o reconhecimento desse povo no contexto do Estado do Tocantins.Item DO MESSIANISMO FALIDO AO INDIVIDUALISMO DEMISSIONÁRIO: Leitura, escrita e constituição dos sujeitos leitor e escritor na ficção de Moacyr Scliar e Cristovão Tezza.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) FREITAS, José Carlos deEsta tese vincula crítica literária e filosofia, refletindo sobre o messianismo utópico falido e o individualismo demissionário em personagens-leitores e personagens-escritores constantes nos romances de Moacyr Scliar e Cristovão Tezza. Ela identifica nos personagens de Scliar o messianismo utópico, estes levados à desistência ou à loucura, prestando-se ao riso e à zombaria, numa forma irônica, por parte de seu autor, de fazer constar as utopias como discursos falidos, mas não menos necessários para quem busca um outro mundo possível, através da revolução do mundo presente. Identifica igualmente nos personagens de Tezza o individualismo demissionário, reduzidos à indiferença, à desesperança, ao cinismo, à misantropia e à inércia em relação ao engajamento nas causas sociais. Para tanto, a pesquisa se pautou por recobrir o papel que o leitor tem diante de livros que lê e o papel do escritor diante dos textos que escreve ou quer escrever, ambos dentro das coordenadas circunstanciais de sua vida privada e pública. De Scliar, foram tomados sobretudo os romances Eu vos abraço, milhões, O exército de um homem só, A majestade do Xingu, A mulher que escreveu a bíblia, O centauro no jardim, Mês de cães danados, Manual da paixão solitária, Os vendilhões do templo, Os voluntários, A festa no castelo. De Tezza, a atenção se volta principalmente para os romances Trapo, O professor, A suavidade do vento, O fantasma da infância, Juliano Pavollini, A tensão superficial do tempo, A tradutora, Beatriz e o poeta, Aventuras provisórias, Um erro emocional,O filho eterno. Sendo uma tentativa de compreensão dos atos da leitura e da escrita que busca exemplos em personagens fictícios, ela convocou o apoio dos teóricos da Literatura, como George Steiner, Tzvetan Todorov, Émile Faguet, Vincent Jouve, Julien Benda, Isaiah Berlin, Terry Eagleton, Ricardo Piglia, Michele Petit, Ayn Rand, Regina Zilberman, Umberto Eco, Wolgang Iser, Octavio Paz, Roland Barthes, entre outros; e, em filósofos, como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud, Michel Foucault, Judith Butler, Immanuel Kant, Karl Marx, Michael Löwy, Hannah Arendt, Fredric Jameson, Ernst Bloch, Theodor Adorno, Paul Ricoeur, Roger Scruton, Emil Cioran, Michela Murgia, Donatela Di Cesare, Enzo Traverso, entre outros. A confluência de teóricos da Literatura com os pensadores da Filosofia serve para mostrar os procedimentos de efetivação das teorias utópicas e as crises das utopias a partir de seus resultados e como isto tem servido de álibi para a desistência de engajamentos e para novos levantes de detratores das mesmas. Esta tese também pondera sobre o surgimento do fascismo nas sociedades contemporâneas nas diversas nações do planeta e acredita que a Literatura se apresenta como uma leitura antecipada dos tempos sombrios.Item ANÁLISE DO VOCABULÁRIO DA LÍNGUA INDÍGENA KA’APOR DE SINAIS NA PERSPECTIVA DOS ARTEFATOS CULTURAIS DO POVO INDÍGENA SURDO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) MOTA, Leila SaraivaEsta tese intitulada “Análise do vocabulário da língua indígena Ka’apor de sinais na perspectiva do artefato linguístico cultural do povo indígena surdo”, tem como objetivo geral: Registrar os elementos linguísticos e culturais a partir dos artefatos culturais linguísticos existentes na língua Indígena Ka’apor de sinais. Os objetivos específicos são: descrever a trajetória histórica da educação dos indígenas ouvintes e surdos; identificar o(s) perfil(s) dos indígenas surdos da etnia Ka’apor; apresentar a estrutura linguísticas dos sinais da língua indígena Ka’apor de sinais utilizados pelos indígenas surdos; apresentar os aspectos fonológicos dos sinais da língua indígena Ka’apor de sinais; identificar, por meio da sinalização dos vocabulários lexicais da língua indígena Ka’apor de sinais, as implicações culturais e linguísticas. Compreendemos que um estudo desta natureza abrange não apenas a estrutura linguística das línguas indígenas de sinais (LIS), mas, também, a função social e cultural da língua indígena Ka’apor de sinais. Sendo assim, a metodologia adotada foi realizada na área do campo dos estudos linguísticos na perspectiva etnográfica qualitativa. O lócus onde ocorreu a pesquisa foi a Terra Indígena Alto Turiaçu, dos povos indígenas da etnia Ka’apor, localizada no norte do estado do Maranhão. A pesquisa realizou-se, especificamente, nas aldeias Waxingi r-ena e Paraku’y. Os participantes foram indígenas surdos, todos usuários da língua indígena Ka’apor de sinais. As técnicas utilizadas nesse estudo foram o questionário semiaberto, traduzido com uso de filmagens. As teorias que nele foram elencadas tiveram como base as concepções de Malinowski (2018), Oliveira, Coelho e Sanches (2022), Rocha e Eckert (2008), Miranda (2020), Leite (2015), Richardson (2017) e Bardin (2012), autores que fundamentaram a escolha dos procedimentos e do método de análise de dados. Foi possível catalogar, mediante mapeamento, 141 sinais existentes na língua indígena Ka’apor de sinais, os quais foram organizados nas categorias: fonologia dos sinais na perspectiva das ENM; léxico nas descrições imagéticas da sinalização da língua indígena Ka’apor de sinais; tipologias dos verbos (incorporação); o vocabulário lexical da língua indígena Ka’apor de sinais e os artefatos culturais visuais do povo surdo. Foi possível comprovarmos que a função dos vocabulários lexicais está além da gramatical, pois os vocabulários lexicais estão presentes na cultura Ka’apor, nas identidades dos indígenas surdos, na comunicação diária nas relações da aldeia e no ato político do povo Ka’apor. Gramaticalmente, os vocabulários lexicais sinalizados pelos indígenas surdos fazem parte de um sistema altamente desenvolvido, onde cada vocábulo possui significados e cada unidade mínima é combinada seguindo os princípios dos elementos linguísticos de uma língua natural, apresentando um padrão de organização, pois, de acordo com que comprovamos neste estudo, durante a sinalização dos vocabulários, os sinais executados seguem uma ordem linguística de CM, M e P.A. Também foi possível identificarmos a presença das ENM nos léxicos sinalizados, além de identificarmos que os léxicos sinalizados seguem um padrão estabelecido pela linguística, conforme mostramos. Nesta Tese concluímos que a função da língua indígena ka’apor de sinais vai além da ordem linguística desse povo, discutir sobre o vocabulário lexical da língua indígena ka’apor de sinais é discutir sobre a cultura presente nos ritos, nos saberes tradicionais indígenas, na caça e nos hábitos alimentares, que vêm sendo repassado e mantido entre os indígenas surdos e ouvintes Ka’apor. Além disso, a língua indígena Ka’apor de sinais está presente nas práticas sociais, na organização econômica e política do povo Ka’apor. Tudo isso faz parte do funcionamento social dessa língua, portanto, esperamos que as discussões realizadas neste Tese contribuam de forma significante para que a Língua Indígena Ka’apor de sinais seja valorizada, reconhecida, revitalizada, preservada e autenticada, pois o indígena surdo tem direito de registrar a história da sua Língua, seus valores, cultura e povo. Nesse sentido, pensamos na urgência da criação de uma política linguística que garanta a pluralidade, a riqueza e o reconhecimentos da língua indígena Ka’apor de sinais do povo indígena surdo.Item CARTOGRAFIA EXISTENCIAL DO EDUCADOR EGUIMAR FELÍCIO CHAVEIRO: intersecções entre Literatura e Geografia(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Weigma Michely daA presente tese analisa as narrativas que compõem a trajetória de vida, formação e atuação profissional do educador Eguimar Felício Chaveiro, tomando-as como chave para compreender a articulação entre experiência subjetiva, engajamento político e inovação pedagógica. Para isso, estabelece-se quatro objetivos específicos: (a) compreender, nas narrativas, a história de vida de Chaveiro como referência para a análise de suas experiências formativas; (b) analisar como ele utiliza a literatura para desenvolver pesquisas e práticas de ensino na área da geografia humana; (c) investigar, no discurso, os movimentos do sujeito em sua trajetória docente, intelectual e política; e (d) identificar regularidades temáticas e de estilo em suas produções literárias. A justificativa para este estudo assenta-se na necessidade de reconhecer e valorizar as múltiplas experiências que integram a trajetória de educadores, tomando a vida narrada como um campo legítimo de análise acadêmica e formativa. Parte-se da convicção de que investigar o processo formativo de um professor permite compreender dimensões constitutivas da docência, como a subjetividade, o engajamento político e o caráter interdisciplinar da produção do conhecimento. Como fundamentação teórico-metodológica, mobiliza-se estudos centrados na história de vida, em especial Experiência de Vida e Formação (Josso, 2004) e Uma ponte ao mundo: Cartografias Existenciais de pessoas com deficiência (Chaveiro; Vasconcelos, 2018). Técnicas da história oral, ancorada em A Voz do Passado (Thompson, 2002) são adotadas para a geração dos dados, enquanto a análise se subsidia pelas teorias do Círculo de Bakhtin (Bakhtin, 2011 [1979]; 2016 [1895-1975]; Volóchinov, 2019 [1895-1936]; 2021 [1895-1936]). O corpus é composto por entrevistas, bilhetes poéticos, crônicas, textos avulsos e cartas, sendo analisado a partir de uma abordagem qualitativa que privilegia os enunciados, as categorias temáticas e os processos de construção narrativa da subjetividade. Parte-se da premissa de que a trajetória narrada por Chaveiro consagra a docência como prática responsiva e interdisciplinar, erigindo-a em gesto ético-estético de endereçamento ao outro. Potencializado pelo entrelaçamento entre geografia e literatura, seu conjunto escritural (autobiográfico, literário e epistolar) constitui espaço de escuta e reflexão crítica, ampliando o engajamento social e político mediante o diálogo entre vozes e tempos diversos. Os resultados revelam: (1) quatro núcleos temáticos recorrentes - território, memória, resistência e afeto - que atravessam docência e militância do autor; (2) a escrita epistolar e a crônica, situadas no “rés- do-chão” da experiência cotidiana, configuram recursos de formação continuada e mobilização comunitária; (3) a convergência entre geografia e literatura amplia recursos heurísticos para a leitura crítica do espaço, estimulando práticas pedagógicas dialógicas e inclusivas; e (4) a autorrepresentação docente sustenta uma ética da responsividade, ancorada na escuta do outro e na ação coletiva. Conclui-se que a história de vida, quando tomada como método de investigação e formação, torna-se ferramenta potente para problematizar subjetividades docentes e propor caminhos interdisciplinares à pesquisa em Geografia Humana e Literatura.Item ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO BILÍNGUE INTERCULTURAL E TRANSDISCIPLINAR: UM ESTUDO NA ESCOLA ESTADUAL INDÍGENA 19 DE ABRIL, DO POVO KRAHÔ(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Nunes Xavier daApresentamos a Tese “Alfabetização e letramento bilíngue intercultural e transdisciplinar: um estudo na Escola Estadual Indígena 19 de Abril, do Povo Krahô”. O objetivo é compreender concepções e práticas pedagógicas de professores e professoras do Ensino Fundamental I e II. Especificamente buscamos apreender o processo do ensino e da aprendizagem dos alunos, assimilando conceitos de alfabetização e letramento no contexto indígena krahô, considerando que a demanda de tempo para uma efetiva alfabetização das crianças indígenas se estende à segunda fase do ensino fundamental. O intuito é contribuir com a comunidade e sua escola a partir da realização de um estudo acerca da educação escolar, entendendo que a educação indígena promovida na aldeia antecede a educação da escola, partindo da evidência de que os saberes ancestrais transmitidos pela família e pelos mais velhos agrega conhecimento e fortalece a cultura, avaliando a situação de contato com a sociedade não indígena. Para alcançar tais objetivos, recorremos a diferentes tipos de pesquisa e seus procedimentos, dada a complexidade do tema e o contexto no qual o trabalho se realizou. Assim, utilizamos procedimentos das pesquisas qualitativa, exploratória e na perspectiva etnográfica (Minayo, 2001; Gil, 2002; Bortoni-Ricardo, 2014), com visitas às aldeias, partindo de um planejamento cuidadoso. Considerando a flexibilidade da abordagem qualitativa e também da pesquisa exploratória, aliadas à pesquisa do tipo etnográfica, realizamos algumas etapas relevantes, como entrevistas com lideranças e professores indígenas, aplicação de questionários e análise documental. Todas essas etapas buscaram compreender a organização e as concepções do processo de ensino conduzido por professores, professoras, gestores e gestoras da Escola Estadual Indígena 19 de Abril. A frente teórica é ampla e abrange Alfabetização, Interculturalidade, Educação Indígena Bilíngue e Intercultural, Transdisciplinaridade, Letramento e Povo Krahô a partir do seguinte corpo teórico: Almeida (2012, 2015); Maia (2020); Macedo (2015); Melatti (1972; 1973; 1978); Albuquerque (2011); Constituição Federal do Brasil (1988); Duarte (2007); RCNEI ‒ Referencial Curricular Nacional para as Escola Indígenas (Brasil, 1998); LDB 9.394/1996 ‒ Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Brasil, 1996); Candau (2008); D’Angelis (2008); Pimentel da Silva e Rocha (2006); Abreu e Albuquerque (2012); Sousa, Almeida e Albuquerque (2012); Street (2006, 2010); Muniz (2022); Albuquerque e Santos (2017); Abreu (2012); Soares (2004) e outros. Os resultados indicam que as práticas pedagógicas dos professores consolidam uma Alfabetização e um Letramento Bilíngue, Intercultural e Transdisciplinar, quando o currículo dialoga com elementos da aldeia e seu entorno, envolvendo tudo o que diz respeito à vida dos indígenas e suas idiossincrasias. Assim, o pátio da aldeia, a floresta, a fauna, a flora e o cerrado, em toda a sua exuberância, oferecem as condições para que a alfabetização e o letramento ocorram de modo intercultural e transdisciplinar num ambiente bilíngue.Item HIP-HOP E A LITERATURA MARGINAL-PERIFÉRICA: contribuições para a formação leitora na escola(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SOUSA, Leomar Alves deNeste trabalho, instigado pelas dificuldades de engajamento de alunos adolescentes na leitura de literatura, dada a nossa experiência como professor da educação pública no Tocantins, desenvolvemos o presente estudo, por meio de pesquisa participante, norteado pela questão: “De que forma as expressões do Hip-Hop, aliadas às narrativas e às poéticas da literatura marginal-periférica, contribuem para o letramento de reexistência de jovens na escola?”. A partir dessa questão, definimos como objetivo geral de nossa investigação: “Demonstrar, por meio de um projeto de leitura, que as batalhas de rimas improvisadas do movimento Hip-Hop, aliadas às narrativas e à poética da literatura marginal-periférica contribuem para a formação de jovens leitores literários na escola”. Já, como objetivos específicos, trabalhamos com os seguintes: (i) Desenvolver projeto de leitura de obras de autores da literatura marginal-periférica e letras de músicas de cantores de rap; (ii) Identificar e relacionar elementos do Hip-Hop a textos da literatura marginal-periférica, dos gêneros conto, poema e canção; (iii) Promover a interação entre Mc’s e alunos do ensino fundamental II (8º e 9 º ano), por meio de batalhas do conhecimento/ batalhas de rimas e leituras de contos, poemas e escuta e análise de raps, como forma de percepção da formação da identidade cultural destes jovens, e formação destes como cidadãos, e (iv) Evidenciar e discutir proposituras socioculturais elaboradas e proferidas pelos Mc’s em batalhas de rimas improvisadas do Parque CIMBA, em Araguaína-TO, e em batalhas de conhecimento no ambiente escolar. O arcabouço teórico que fundamenta esta tese está assentado em trabalhos de Lajolo; Zilberman (2019), Rösing (2018), Dalvi (2013), Colomer (2007), Petit (2009), Melian (2022), Neto (2009), Jouve (2013), Souza (2011), Amorim et. al (2022), Nascimento (2009), Reyes (2013), Dalcastagnè (2012), Patrocínio (2013), Tennina (2017), Sales (2022), Lawson (2006), D’Alva (2014), Neves (2017), Kilomba (2018; 2019), Almeida (2020), e Sousa; Testa (2023). Defendemos como tese da pesquisa que por meio de projeto de leitura, sistematizado, e com as necessárias mediações do professor, é possível instigar estudantes adolescentes a ler obras literárias, de modo a despertá-los para a necessidade de reflexão sobre os aspectos sociais de seus contextos de vida. No intuito de comprovar nossa tese, desenvolvemos o projeto “A formação de leitores literários na escola por meio da literatura marginal-periférica e do hip-hop” com alunos de uma turma de 8º ano e outra de 9º ano do Colégio Estadual Adolfo Bezerra de Menezes, em Araguaína-TO. Esse projeto consistiu na realização de quinze oficinas de leitura, no decorrer do ano letivo de 2022, contemplando poemas e contos de autores da literatura marginal-periférica, escuta e análise de raps e batalhas de rimas improvisadas. Evidenciamos que os estudantes participantes das oficinas se mostraram mais motivados à leitura de literatura, de modo que, gradativamente, passaram a ler com menos resistência, principalmente fazendo empréstimos de livros do acervo da biblioteca escolar.Item Professores lotados em bibliotecas escolares em Araguaína (TO): da constituição à mediação de leitor literário(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) PEREIRA JUNIOR, Nilo MarinhoEste trabalho tem como pergunta de pesquisa: como ocorre a mediação da leitura literária pelos professores lotados em bibliotecas escolares, tendo por base a sua constituição de leitor em geral e de leitor literário? Assim, tivemos como objetivo analisar, por meio das narrativas de professores lotados em bibliotecas escolares estaduais de Araguaína (TO), suas relações com práticas de mediações de leitura literária, considerando os próprios percursos de vida e de formação de leitor e, mais especificamente, de leitor literário. Metodologicamente, o trabalho se constitui como uma pesquisa qualitativa, por lançar um olhar sobre as relações e as vivências dos professores que trabalham em bibliotecas, focando na contribuição da formação do leitor literário e do incentivo à leitura. O levantamento e geração de dados foram realizados por meio de pesquisa documental e pela realização de Grupos Focais com professores lotados em bibliotecas escolares. Para o processo de sistematização e geração das categorias de análise, foi utilizada a Análise de Conteúdo (AC), considerada uma ótima ferramenta para análise de conversas e comunicações. Para apoiar nossas análises, partimos da construção de um arcabouço teórico formado, principalmente, por autores que discutem a noção de leitura e de leitura literária, como Iser (1996), Jauss (1994), (Zilberman (2012; 2021), Abreu (1999), Jouve (2002), Candido (2017) e Perrone-Moisés (1990); aqueles que abordam mediação de leitura e formação de leitores, como Zilbermam (2009), Britto (2015) e Macedo (2021); os que versam sobre biblioteca escolar e as práticas de leitura literária, Milanesi (2002), Castrillón (2011; 2024), Petit (2010) e Silva (2018), entre outros. As análises permitiram-nos concluir que tanto o professor lotado em bibliotecas como o espaço podem contribuir de forma exponencial para a formação de leitores literários, desde que sejam dadas as condições e formações adequadas.Item As políticas públicas para a educação escolar indígena no estado do Tocantins no período de 2019 a 2022.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) MUNDOCO, Rosileia de Oliveira.Neste trabalho apresentamos os resultados de uma pesquisa acerca das políticas públicas para a Educação Escolar Indígena no estado do Tocantins, desenvolvida dentro da Linha de Pesquisa “Teoria, análise linguística e diversidade cultural em contexto de formação”, abrangendo a educação escolar bilíngue e intercultural. O objetivo foi analisar as políticas públicas aplicadas à Educação Escolar Indígena (EEI), no estado do Tocantins, no recorte temporal que compreende os anos de 2019 a 2022, no intuito de detectar se houve regressão, preservação ou aumento da aplicação destas ações no período citado. A pesquisa apresenta as seguintes questões- problema: as Políticas Públicas para a oferta da EEI têm sido respeitadas e praticadas no estado do Tocantins, à luz da legislação educacional vigente? Houve uma manutenção, aumento ou recuo dessas políticas durante o período estudado? Como instrumento de coleta de dados, nesta pesquisa social (Cervo; Bervian; 1996) optou- se pela análise documental (Gil, 2002), considerando-se que utilizar como fonte de dados apenas documentos, como, por exemplo, o Plano Plurianual (2019 a 2022), se mostrou a opção mais segura e adequada, no contexto em que a pesquisa foi desenvolvida. A abordagem foi do tipo qualitativa (Minayo, 2002), ancorando-se, também, em pesquisas bibliográficas (Gil, 2002) para embasar os dados e análises aqui discutidos. Por fim, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2011). O aparato teórico trata da evolução histórica da EEI em nosso país, bem como das etnias indígenas do estado do Tocantins e o embasamento legal para a oferta da Educação Escolar Indígena. As bases teóricas que fundamentam nossa pesquisa se ancoram em Kahn (1994); Almeida (1997); Freire (2002); Cavalcante (2003); Lima e Hoffmann (2004); Gonçalves (2005); Luciano-Baniwa (2006); Parente (2006); Girotto (2007); Grupioni (2009); Bardin (2011), entre outros. Foi possível perceber que a EEI tem sido tratada com seriedade no estado, e que mesmo sofrendo os impactos da Pandemia da COVID-19 e outros reveses, como o conturbado momento político em âmbitos estadual e federal, conseguiu-se manter em funcionamento e apresentou uma tímida ascensão das ações programadas para a EEI.Item Divisão interna Apinayé e Krahô: relações entre línguas, territórios e culturas.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) LEVORATO, Danielle Mastelari.Nesta tese, desenvolvemos um estudo qualitativo, por meio de uma pesquisa exploratória baseada em revisão bibliográfica e análise documental. A pesquisa de campo incluiu entrevistas semiestruturadas realizadas em turnos conversacionais com indígenas dos povos Apinayé e Krahô. A hipótese central é que as divisões internas desses povos, manifestadas pela criação de várias aldeias em seus territórios, resultam em modificações linguísticas e culturais. O objetivo principal é analisar se essas divisões internas podem gerar processos de transformação nas línguas e culturas dos Apinayé e Krahô. Os objetivos específicos são: a) identificar as razões pelas quais os povos Apinayé e Krahô se dividiram internamente; b) compreender a função dessas divisões nas dinâmicas linguísticas e culturais desses povos; e c) verificar se os Apinayé e Krahô consideram que suas línguas e culturas estão em risco devido a essas divisões. Para isso, examinamos a localização dos territórios indígenas Apinayé e Krahô, os aspectos socio- históricos e culturais relacionados aos processos de demarcação territorial, e as questões que levam esses povos a se dividirem internamente. A criação de novas aldeias ao longo dos territórios é motivada tanto pela necessidade de proteção, quanto pela busca por novos recursos naturais, o que gera consequências que podem alterar suas línguas e culturas. Refletimos sobre como esse processo de fragmentação afeta a estrutura linguística e cultural dos Apinayé e Krahô. Também comparamos as aldeias atuais com as que existiam antes da intensificação desse fenômeno, além de apresentar dados demográficos que mostram o crescimento e o decréscimo populacional de ambos os povos. Como resultado, o estudo proporcionou um entendimento mais profundo sobre as motivações por trás dessas divisões internas e seus impactos, ou a ausência deles, nas línguas, territórios e culturas dos Apinayé e Krahô.Item Do messianismo falido ao individualismo demissionário: leitura, escrita e constituição dos sujeitos leitor e escritor na ficção de Moacyr Scliar e Cristóvão Tezza.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) FREITAS, José Carlos de.Esta tese vincula crítica literária e filosofia, refletindo sobre o messianismo utópico falido e o individualismo demissionário em personagens-leitores e personagens-escritores constantes nos romances de Moacyr Scliar e Cristovão Tezza. Ela identifica nos personagens de Scliar o messianismo utópico, estes levados à desistência ou à loucura, prestando-se ao riso e à zombaria, numa forma irônica, por parte de seu autor, de fazer constar as utopias como discursos falidos, mas não menos necessários para quem busca um outro mundo possível, através da revolução do mundo presente. Identifica igualmente nos personagens de Tezza o individualismo demissionário, reduzidos à indiferença, à desesperança, ao cinismo, à misantropia e à inércia em relação ao engajamento nas causas sociais. Para tanto, a pesquisa se pautou por recobrir o papel que o leitor tem diante de livros que lê e o papel do escritor diante dos textos que escreve ou quer escrever, ambos dentro das coordenadas circunstanciais de sua vida privada e pública. De Scliar, foram tomados sobretudo os romances Eu vos abraço, milhões, O exército de um homem só, A majestade do Xingu, A mulher que escreveu a bíblia, O centauro no jardim, Mês de cães danados, Manual da paixão solitára, Os vendilhões do templo, Os voluntáriios, A festa no castelo. De Tezza, a atenção se volta principalmente para os romances Trapo, O professor, A suavidade do vento, O fantasma da infância, Juliano Pavollini, A tensão superficial do tempo, A tradutora, Beatriz e o poeta, Aventuras provisórias, Um erro emocional,O filho eterno. Sendo uma tentativa de compreensão dos atos da leitura e da escrita que busca exemplos em personagens fictícios, ela convocou o apoio dos teóricos da Literatura, como George Steiner, Tzvetan Todorov, Émile Faguet, Vincent Jouve, Julien Benda, Isaiah Berlin, Terry Eagleton, Ricardo Piglia, Michele Petit, Ayn Rand, Regina Zilberman, Umberto Eco, Wolgang Iser, Octavio Paz, Roland Barthes, entre outros; e, em filósofos, como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud, Michel Foucault, Judith Butler, Immanuel Kant, Karl Marx, Michael Löwy, Hannah Arendt, Fredric Jameson, Ernst Bloch, Theodor Adorno, Paul Ricoeur, Roger Scruton, Emil Cioran, Michela Murgia, Donatela Di Cesare, Enzo Traverso, entre outros. A confluência de teóricos da Literatura com os pensadores da Filosofia serve para mostrar os procedimentos de efetivação das teorias utópicas e as crises das utopias a partir de seus resultados e como isto tem servido de álibi para a desistência de engajamentos e para novos levantes de detratores das mesmas. Esta tese também pondera sobre o surgimento do fascismo nas sociedades contemporâneas nas diversas nações do planeta e acredita que a Literatura se apresenta como uma leitura antecipada dos tempos sombrios.
