Biblioteca Digital de Dissertações e Teses da UFNT

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    O novo ensino médio em Araguaína (TO): entre dizeres oficiais e posições-sujeito dos estudantes acerca dos itinerários formativos
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) APINAGÉ, Maria Deusa Brito de Sousa
    Neste trabalho, tomamos o Novo Ensino Médio (NEM) como objeto de análise e de problematização. Mais precisamente, o nosso interesse recaiu sobre o modo como os itinerários formativos são discursivizados no Projeto Político-Pedagógico do Colégio Estadual Guilherme Dourado e por estudantes da mesma instituição, no âmbito desta reforma, deixando entrever as suas (contra)identificações. A fundamentação teórico- metodológica está ancorada em estudos da Análise de Discurso de linha francesa (doravante AD), preconizada por Michel Pêcheux e inicialmente desenvolvida, no Brasil, por Eni Orlandi. Considerando as discursividades acerca do Novo Ensino Médio, a problemática deste trabalho reside em buscar responder à seguinte questão: como o discurso oficial reformista sobre o Novo Ensino Médio produz efeitos de sentido no Projeto Político-Pedagógico da escola pesquisada e nas formulações dos estudantes entrevistados, considerando o caso específico dos itinerários formativos? No intuito de buscar respostas para essa indagação, traçamos o seguinte objetivo geral: analisar o modo como os itinerários formativos são significados no âmbito do PPP da escola pesquisada e nas formulações dos estudantes entrevistados. Em um primeiro momento, analisamos o Projeto Político-Pedagógico da escola, no que se refere ao Novo Ensino Médio, e observamos quais discursivizações circulam neste documento. Em um segundo momento, fizemos entrevistas, com roteiro semiestruturado, com os estudantes do Ensino Médio. A partir das formulações dos estudantes, observamos o modo como os itinerários formativos estão sendo discursivizados por esses estudantes. Por fim, analisamos que tensões são apontadas a partir da (contra)identificação dos estudantes concernentes às discursividades do Novo Ensino Médio acerca dos itinerários formativos. A pesquisa mostra que o discurso oficial reformista e o discurso dos estudantes não se alinham: enquanto o primeiro mobiliza sentidos de flexibilidade e de inovação, o segundo reivindica rigidez, estrutura e autoridade como garantias de um ensino de qualidade. Essa dissonância revela que a implementação do NEM é atravessada por efeitos de contraidentificação e por uma disputa de sentidos que fragiliza sua legitimação entre os sujeitos diretamente envolvidos.