Biblioteca Digital de Dissertações e Teses da UFNT
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Resultados da Pesquisa
Item BARRAGEM DE ESTREITO: Efeito no território dos Pescadores Artesanais de Tocantinópolis (TO)(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) SILVA, Adriana Monteiro daNo Brasil, a geração de energia hidrelétrica a partir de sistemas fluviais desempenha um papel central na produção de eletricidade. A construção de projetos hidrelétricos de grande porte gera impactos socioambientais e altera os modos de vida de comunidades tradicionais, como ilustram as adversidades enfrentadas pelos pescadores da Colônia Z-7, situações que impulsionaram estratégias de resistência permitindo-lhes permanecer em seu território de pesca. Nesse contexto, o objetivo geral deste estudo foi analisar os efeitos do projeto hidrelétrico sobre o território de pescadores artesanais em Tocantinópolis, no estado do Tocantins. O município situa-se na margem esquerda do Rio Tocantins, e o estudo foi realizado em sua área urbana. A pesquisa buscou identificar a área afetada e documentar os procedimentos metodológicos adotados. Dessa forma, esclareceu-se o papel do Estado e do empreendedor privado na construção da Usina Hidrelétrica de Estreito (UHEE), bem como os efeitos da barragem sobre as populações atingidas, concentrando-se nas percepções dos pescadores artesanais da Colônia Z-7, enquanto indivíduos diretamente afetados pelo empreendimento. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, fundamentada na fenomenologia, para compreender as vivências dos pescadores. Os procedimentos metodológicos incluíram revisão de literatura, análise documental e entrevistas semiestruturadas realizadas com 10 pescadores artesanais da Colônia Z-7, em março de 2026, abordando aspectos socioeconômicos, a relação dos pescadores com o Rio Tocantins, os impactos da UHEE e as estratégias de adaptação desenvolvidas após sua implementação. A Colônia Z-7 conta com 442 pescadores artesanais registrados, distribuídos por 12 municípios dos estados do Tocantins e do Maranhão: Aguiarnópolis, Ananás, Angico, Araguaína, Darcinópolis, Itaguatins, Luzinópolis, Maurilândia, Nazaré, Palmeiras, Porto Franco e Tocantinópolis. O referencial teórico baseou-se em discussões sobre grandes projetos hidrelétricos e seus impactos socioambientais, em diálogo com os conceitos de território, territorialidade, lugar, identidade, relações territoriais e reprodução social, considerando também o marco legal da pesca artesanal, estabelecido pela Lei no 11.959, de 29 de junho de 2009. Os resultados demonstraram que a construção e a operação da UHEE provocaram mudanças profundas na dinâmica do Rio Tocantins e no cotidiano dos pescadores artesanais. Os principais impactos socioambientais identificados incluem a redução da abundância de espécies de peixes, a mortandade de peixes, as flutuações na vazão do rio, as alterações nos habitats aquáticos e as dificuldades econômicas enfrentadas pelos pescadores. De modo geral, os impactos da UHEE extrapolaram a dimensão ambiental, afetando as relações sociais, culturais, econômicas e simbólicas dos pescadores artesanais da Colônia Z-7, comprometendo a reprodução de seus modos de vida e reafirmando a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção desses territórios tradicionais.Item O projeto de Giovanni Gallo na Amazônia- o museu do Marajó: da constituição de uma linguagem expositiva à significação do ser marajoara(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) CRUZ, Niceléia Muribeca daO Museu do Marajó, criado na década de 1970 por Giovanni Gallo, está localizado na Ilha do Marajó-Pará, na Amazônia oriental. Um museu de vanguarda reconhecido por seu projeto com/para e sobre a comunidade marajoara apoiado em concepções emergentes nos campos da museologia, da educação e da linguagem. O principal acervo, denominado de computadores de marca caipira, foi desenvolvido criativamente para uma experiência de interação pela linguagem ao encontro da cultura marajoara. Esses artefatos são estruturas em madeira e/ou compensados que simulam caixas de diferentes formas e tamanhos, contendo adivinhações, cujas respostas foram cuidadosamente escondidas, e são descobertas mediante interação do visitante. Apesar de suas marcas de singularidade expositiva e relevância para os estudos identitários não há estudos referente ao seu processo de criação que contemple as suas concepções e tecnologias empregadas. Por isso, partimos da questão de investigação: como se constituiu a linguagem expositiva do acervo, destacando o modo como o ser marajoara está significado no MdM? Em decorrência disso, nosso objetivo geral é compreender, a partir da epistemologia do pensamento complexo em perspectiva transdisciplinar, a constituição da linguagem expositiva do acervo denominado de “computadores de marca caipira”, com vista a compreender como o ser marajoara está significado no MdM. A partir de fundamentos dos campos da museologia, da educação e da linguagem, a metodologia encontrou, na epistemologia do pensamento complexo e na transdisciplinaridade, um caminho para a religação do conhecimento. Para tanto, adotamos uma abordagem qualitativa voltada para a pesquisa documental incorporando as técnicas de observação e descrição dos dados, como o registro fotográfico e as vivências em campo. Os dados obtidos foram submetidos à análise de conteúdo e discutidos a partir das teorias mencionadas. Em suma, os resultados evidenciaram que a temática do acervo, como linguagem expositiva, foi organizada com base nos saberes locais, em interação com a comunidade, evidenciando a memória de suas práticas culturais. A composição da linguagem concentra-se no emprego de uma tipologia criativa, desenvolvida a partir de técnicas pertencentes ao fazer marajoara, que conferiu marcas expográficas singulares ao acervo. Com base nos aspectos linguísticos, a significação da linguagem perpassa por formulações textuais de condução ao jogo-reflexivo com destaque aos dizeres da tradição oral, apresentados em narrativas. Desse modo, à luz do pensamento complexo, compreende-se a constituição de uma linguagem expositiva singular idealizada para a prática educativa pela significação do ser marajoara. Nesta tese, o projeto museal de Giovanni Gallo na Amazônia rompe com o paradigma tradicional de exposição dos anos de 1980, ao desenvolver uma tecnologia singular de linguagem expositiva, centrada na significação do ser marajoara, aproximando-se às concepções emergentes de museologia, educação e linguagem. Assim, esperamos que este estudo possa somar-se às demais experiências de reflexão sobre as práticas educativas voltadas às linguagens e aos saberes de povos originários e tradicionais da Amazônia.
