Biblioteca Digital de Dissertações e Teses da UFNT

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    A TERRITORIALIZAÇÃO DAS ESTUDANTES COTISTAS NA UFNT, CÂMPUS ARAGUAÍNA/TO
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Bruna de Souza da
    Essa pesquisa reconstituiu as experiências de estudantes negras que ingressaram na UFNT por meio das Ações Afirmativas, as Cotas Raciais, a partir de suas perspectivas e memórias das vivências racistas desde a infância até os processos de territorialização na Universidade Federal do Norte do Tocantins, localizada em Araguaína, região extremo Norte do Tocantins. As estudantes que fazem parte dessa pesquisa estudam no Centro de Ciências Integradas e são atendidas pelo sistema de Cotas Raciais, ação reparatória direcionada a algumas minorias que foram marginalizadas ao longo do contexto histórico do Brasil, a exemplo da população negra. Esse contexto histórico político-cultural-econômico possui origem na colonização, sistema que foi sustentado pela escravização em massa de africanos e afro-brasileiros no Brasil, resultando em um dos maiores genocídios dos povos indígenas e africanos da história. Desse modo, partindo do princípio de que a Universidade é um território institucionalizado e de disputa, e, portanto, não está isenta dessa estrutura racista e hegemônica, propomos investigar a trajetória acadêmica de quatro estudantes cotistas. A partir da abordagem das interseccionalidades (COLLINS, 2019; GONZALEZ, 2020), buscaremos analisar como essas estudantes articulam-se, no âmbito das relações entre identidade étnico-racial (HALL, 2003) e suas experiências de territorialização (HAESBAERT, 2004), enquanto estudantes negras cotistas na Universidade. A pesquisa está debruçada teórico- metodologicamente na revisão de literatura sobre questões étnico-raciais e Feminismo Negro, assim como os estudos envolvendo Cultura e Território. Por ser um tema sensível e que envolve nuances traumáticas, optamos por trabalhar metodologicamente com a História Oral (THOMPSON, 1992), visando reconstituir dialogicamente as trajetórias de vida dessas estudantes. Mobilizando o procedimento qualitativo da história de vida, evocando memórias que nos auxiliaram a compreender como suas identidades étnico-raciais foram sendo constituídas em meio aos violentos processos de racismo e sexismo envolvidos na trajetória educacional até a territorialização do espaço acadêmico. Dessa forma, a pesquisa evidenciou que, apesar das dificuldades trazidas pelo espaço acadêmico, como os conflitos, o desejo de desistência, o racismo, a burocracia e as interseccionalidades que se cruzam, as interlocutoras criaram mecanismos de resistência e de ressignificação do espaço. Criando significados a partir do pertencimento em determinados grupos raciais, reivindicando a própria negritude, seja nos laços criados de amizades, nas articulações com movimentos sociais e coletivos, ou nas diversas experiências vivenciadas dentro da Universidade.
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    Trabalho invisível, resistência visível: a territorialidade e as relações de poder no trabalho informal de mulheres vendedoras ambulantes em Araguaína - TO
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) DIAS, Iago Silva
    Este estudo investiga o trabalho informal exercido por mulheres vendedoras ambulantes em Araguaína - Tocantins, analisando a territorialidade, as relações de poder e as estratégias de resistência do comércio feminino ambulante no contexto pós-Reforma Trabalhista de 2017. A pesquisa parte de uma perspectiva interdisciplinar, articulando cultura e território, com base em uma abordagem interseccional que considera as dimensões de gênero, raça e classe. Para o levantamento dos dados, adotou-se o método qualitativo da observação participante de nível moderado, conforme Spradley (1980), aliado a entrevistas semiestruturadas com quatro mulheres atuantes no comércio ambulante local. A coleta foi registrada por meio de diários de campo e acompanhamentos em territórios urbanos, como bares, restaurantes e praças, onde essas mulheres desenvolvem suas atividades. Os resultados revelam que essas trabalhadoras enfrentam invisibilidade social e simbólica, além de barreiras materiais e simbólicas que limitam sua atuação em determinados espaços da cidade. A pesquisa destaca a importância das práticas cotidianas como formas de resistência e de produção territorial, mesmo diante da ausência de políticas públicas que reconheçam e regulamentem essa atividade itinerante. Ao destacar a atuação dessas mulheres e as complexas dinâmicas que estruturam seu cotidiano, o trabalho propõe reflexões sobre a necessidade de políticas inclusivas que reconheçam o trabalho informal como parte legítima da economia urbana e garantam condições dignas de atuação para essas trabalhadoras.