Desafios e conquistas de ser mãe indígena Akwẽ-Xerente na universidade: um relato de experiências

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Data

2026-08-03

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Universidade Federal do Norte do Tocantins

Resumo

Minha pesquisa tem como objetivo geral discutir os desafios e as conquistas de ser mãe indígena do povo Akwẽ-Xerente na UFNT, a partir do meu relato de experiência. De forma específica, busco: apresentar o lugar e o status das mulheres mães na cultura Akwẽ-Xerente; relatar e discutir os desafios para ingressar, se manter e concluir o curso de Pedagogia como estudante indígena, mulher e mãe; e apontar recomendações para que as universidades ofereçam suporte adequado a essa realidade. Adoto uma abordagem qualitativa por meio da metodologia autobiográfica, utilizando minhas narrativas pessoais e as memórias de minha mãe e avó materna como fonte principal para compreender a subjetividade da vivência real, sem focar em dados estatísticos. O estudo demonstrou que a mulher mãe exerce papel central na preservação da língua e das tradições da cultura Xerente. Ao ingressarmos na Universidade, enfrentamos o choque cultural, preconceito institucional, exclusão tecnológica, vulnerabilidade financeira por atrasos nos auxílios e o sofrimento emocional pela distância dos filhos, deixados na aldeia por falta de moradia familiar. Contudo, a criação do Programa de Apoio à Parentalidade na Universidade (PAPU) funcionou como um farol de esperança, oferecendo acolhimento infantil e permitindo que eu trouxesse meus filhos para Tocantinópolis, garantindo a continuidade e a conclusão com sucesso de todas as etapas do curso. Além disso, os estágios obrigatórios, participação nos projetos de extensão e pesquisa sobre a parentalidade permitiu o meu desenvolvimento durante a graduação. Concluo que a maternidade indígena na Universidade não deve ser vista como isolamento ou fraqueza, mas como potência pedagógica e força de resistência política, desde que amparada por redes institucionais. Pois, a permanência desses estudantes nessa situação exige auxílio financeiro sem atrasos no início do curso, moradias universitárias familiares a transformação de projetos como o PAPU em políticas permanentes. Por fim, minha graduação em Pedagogia representa uma conquista coletiva: significa a emancipação da mulher indígena, a ocupação de espaços de liderança e a certeza de que onde houver uma Pedagoga Indígena formada, haverá cultura viva e esperança para o futuro do nosso povo Akwẽ/Xerente.

Descrição

Palavras-chave

Mães Estudantes Indígenas, Ensino Superior, Políticas de Permanência Materna, Maternidades, Políticas de Parentalidade.

Citação

Lidiane Krukwanẽ da Silva Xerente. Desafios e conquistas de ser mãe indígena Akwẽ-Xerente na universidade: um relato de experiências. 60 f. 2026. Monografia (Graduação) Universidade Federal Do Norte do Tocantins (UFNT), Curso De Pedagogia, Campus De Tocantinópolis-TO.

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