Biblioteca Digital de Dissertações e Teses da UFNT
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Resultados da Pesquisa
Item O TRABALHO COM O CONTEÚDO TEMÁTICO NOS GÊNEROS PROJETO DE CURTA-METRAGEM D EDOCUMENTÁRIO E DOCUMENTÁRIO DA OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) OLIVEIRA, Eliane de JesusEsta tese configura-se como um estudo teórico-analítico acerca do conteúdo temático dos gêneros discursivos Projeto de Documentário e Documentário da Olimpíada de Língua Portuguesa, e tem como objetivo compreender como se caracteriza a passagem do recorte temático do gênero “Projeto de curta-metragem de documentário” para o gênero “Documentário”, produzidos no concurso da Olimpíada de Língua Portuguesa, realizado no ano de 2019. O corpus desta pesquisa é composto por 62 Projetos e Documentários pertencentes às fases semifinalista, finalista e vencedores, produzidos nas cinco regiões brasileiras. Desse número total de documentos, foi feito um recorte para selecionar os três gêneros analisados. Esta investigação está situada no campo de estudos da Linguística Aplicada, possibilitando-nos um diálogo entre o campo de estudo da Linguística de Texto e Dialogismo do Círculo de Bakhtin, para melhor compreendermos os objetos de pesquisa investigados. No âmbito da Linguística de Texto, destacamos as relações textuais de coesão responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção do tema, ao passo que no contexto do Dialogismo, nosso interesse recai sobre a relação do conteúdo temático ao cronotopo, à esfera sociodiscursiva, às projeções ideológicas, à valoração/avaliação social/axiológica e à dialogicidade (relações dialógicas). Caracteriza-se como uma pesquisa documental, de natureza qualitativa de cunho interpretativista. Os resultados mostram que as relações coesivas utilizadas para a progressão temática foram a de Reiteração e Associação, respectivamente. Já no domínio do Dialogismo, foram utilizados diversos recursos linguísticos para a passagem do conteúdo temático do Projeto de Documentário para o Documentário, tais como imagens em preto e branco e monumentos históricos, representando o passado, imagens do lugar tematizado representando o tempo presente, imagens da preparação de comida típica, trilha sonora e dialeto, que marcam também o estilo de linguagem e a posição valorativa dos alunos-autores. Tais recursos foram utilizados em função do cronotopo, da esfera sociodiscursiva, das projeções ideológicas, da valoração/avaliação social/axiológica e da dialogicidade (relações dialógicas).Item TOPONÍMIA EM LIBRAS DOS BAIRROS DE ARAGUAÍNA – TOCANTINS(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) NUNES, Ester FernandesEste estudo teve como objetivo central o levantamento, a criação, registro, e a análise dos aspectos estruturais e motivacionais dos topônimos em Libras atribuídos aos bairros do município de Araguaína, estado do Tocantins. A pesquisa insere-se no campo da Toponímia, subárea da Onomástica que se dedica ao estudo do léxico da língua, com ênfase nos nomes próprios de lugares. Especificamente, buscamos os seguintes objetivos: (i) identificar os bairros que já possuíam sinais em circulação na comunidade surda local; (ii) mapear os bairros que ainda não possuíam um sinal; (iii) propor a criação de sinais toponímicos para esses bairros; (iv) analisar as motivações semânticas e morfológicas envolvidas na criação dos sinais; e (v) registrar e divulgar os resultados obtidos de forma sistematizada. Contamos com a participação de 14 surdos adultos, com idades entre 23 e 50 anos, todos integrantes da comunidade surda de Araguaína. Os dados foram gerados por meio de observação participante, entrevistas semiestruturadas e registros audiovisuais, com as orientações metodológicas nas obras de Dick (1980, 1990, 1996), Isquerdo (2012) Brito (1995), Xavier (2006), e Nascimento (2020) para estudos em comunidades surdas. A fundamentação teórica articula os pressupostos da toponímia clássica (DICK, 1980, 1990, 1996) e da onomástica, incorporando contribuições contemporâneas do campo da Libras, como os trabalhos de Sousa (2019; 2022; 2023), Miranda (2020), Xavier (2012), que discutem a nomeação de espaços urbanos na perspectiva da língua de sinais, bem como a interface entre lexicografia, identidade e cultura surda. Dos 81 bairros de Araguaína considerados nesse estudo, 25 já possuíam sinais estabelecidos em Libras, e em uso pelos participantes da pesquisa. Para os 56 bairros restantes, foram propostos novos sinais. Os dados foram organizados em Fichas Lexicográfico-Toponímicas Digitais, a partir das quais foi possível categorizar os sinais em três tipos principais: (i) nativos, (ii) inicializados e (iii) soletrados. Quanto às motivações, os topônimos foram agrupados em duas grandes categorias: motivação icônica, subdividida em (a) material e (b) cultural, e motivação baseada na língua portuguesa, englobando (c) calque e (d) grafia. Os resultados evidenciaram uma predominância de sinais inicializados, formados a partir da grafia do nome do bairro em português. Contudo, de modo geral, observamos a presença de diversos processos de formação de sinais, bem como de diferentes motivações, conforme descrito na literatura. Entre elas, destacam-se: sinais com motivação icônica, de natureza material ou cultural, sinais baseados em estruturas do português, de calque linguístico, sem motivação aparente e com dupla motivação. Esses achados revelam a riqueza e a complexidade dos mecanismos linguísticos e socioculturais que permeiam os processos de nomeação em Libras.Item VOCABULÁRIO BILÍNGUE KRAHÔ/PORTUGUÊS DOS CAMPOS LEXICAIS ANIMAIS E ALIMENTOS(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) CAVALCANTE, Francisca MartimEste trabalho é resultado de nossas pesquisas realizadas no Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura (PPGLLIT) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e apresenta a proposta de construção de um vocabulário da língua indígena Krahô, tendo como L1 a língua materna e, como L2, a língua portuguesa. O objetivo é elaborar um vocabulário Krahô/Português organizado por campos lexicais, que sirva como instrumento de valorização, registro e preservação da língua, sob uma perspectiva lexicográfica, intercultural e bilíngue, considerando a realidade sociolinguística do povo Krahô. O estudo contempla a observação dos usos e das funções da língua materna nos diversos domínios sociais da comunidade, bem como aspectos de sua estrutura gramatical. Partindo do princípio de que um vocabulário reúne elementos que interseccionam os vocabulários de uma comunidade ou de um segmento social, selecionados a partir dos critérios de alta frequência e distribuição regular entre os falantes, este trabalho organiza, até aqui, os campos lexicais de “animais” e “alimentos”. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico e descritivo que buscou compreender os aspectos internos e externos da língua Krahô, os conhecimentos da comunidade sobre suas duas línguas (Krahô e Português), bem como os usos e as funções de ambas, de acordo com os diferentes domínios sociais. A pesquisa, de natureza descritiva e qualitativa, é permeada por abordagem etnográfica, considerando a imersão na comunidade por meio de visitas técnicas e pesquisa de campo, e por procedimentos de análise de conteúdo, ancorados na Lexicografia, ciência que tem por objeto a língua como sistema, investigando-a de modo sistemático e considerando os diversos discursos que circulam nas comunidades linguísticas. O levantamento de dados contou, principalmente, com documentos produzidos pelo Laboratório de Língua Indígena (LALI), construídos com a participação e a revisão de professores indígenas Krahô. Metodologicamente, o trabalho apoia-se nas contribuições de Flick (2012), Oliveira (2012), Mattos e Castro (2011) e Bogdan e Biklen (1994); teoricamente, dialoga com autores da Sociolinguística, como Labov (1968), Braggio (1997) e Rodrigues (1986); da Educação Escolar Indígena, como Albuquerque (2011, 2012, 2016), Grupioni (2001), Santos (2014) e Abreu (2012); e da Lexicografia, como Zavaglia (2012), Welker (2004), Isquerdo e Finatto (2010), entre outros. Os resultados indicam que, apesar dos desafios relacionados ao contato intenso com a sociedade envolvente e às pressões culturais e linguísticas, a sociedade Krahô resiste, preservando sua língua, seus saberes e suas práticas culturais. Espera-se que este trabalho contribua como recurso pedagógico para a manutenção da língua materna e da cultura Krahô, além de colaborar com a divulgação e o reconhecimento desse povo no contexto do Estado do Tocantins.Item DO MESSIANISMO FALIDO AO INDIVIDUALISMO DEMISSIONÁRIO: Leitura, escrita e constituição dos sujeitos leitor e escritor na ficção de Moacyr Scliar e Cristovão Tezza.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) FREITAS, José Carlos deEsta tese vincula crítica literária e filosofia, refletindo sobre o messianismo utópico falido e o individualismo demissionário em personagens-leitores e personagens-escritores constantes nos romances de Moacyr Scliar e Cristovão Tezza. Ela identifica nos personagens de Scliar o messianismo utópico, estes levados à desistência ou à loucura, prestando-se ao riso e à zombaria, numa forma irônica, por parte de seu autor, de fazer constar as utopias como discursos falidos, mas não menos necessários para quem busca um outro mundo possível, através da revolução do mundo presente. Identifica igualmente nos personagens de Tezza o individualismo demissionário, reduzidos à indiferença, à desesperança, ao cinismo, à misantropia e à inércia em relação ao engajamento nas causas sociais. Para tanto, a pesquisa se pautou por recobrir o papel que o leitor tem diante de livros que lê e o papel do escritor diante dos textos que escreve ou quer escrever, ambos dentro das coordenadas circunstanciais de sua vida privada e pública. De Scliar, foram tomados sobretudo os romances Eu vos abraço, milhões, O exército de um homem só, A majestade do Xingu, A mulher que escreveu a bíblia, O centauro no jardim, Mês de cães danados, Manual da paixão solitária, Os vendilhões do templo, Os voluntários, A festa no castelo. De Tezza, a atenção se volta principalmente para os romances Trapo, O professor, A suavidade do vento, O fantasma da infância, Juliano Pavollini, A tensão superficial do tempo, A tradutora, Beatriz e o poeta, Aventuras provisórias, Um erro emocional,O filho eterno. Sendo uma tentativa de compreensão dos atos da leitura e da escrita que busca exemplos em personagens fictícios, ela convocou o apoio dos teóricos da Literatura, como George Steiner, Tzvetan Todorov, Émile Faguet, Vincent Jouve, Julien Benda, Isaiah Berlin, Terry Eagleton, Ricardo Piglia, Michele Petit, Ayn Rand, Regina Zilberman, Umberto Eco, Wolgang Iser, Octavio Paz, Roland Barthes, entre outros; e, em filósofos, como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud, Michel Foucault, Judith Butler, Immanuel Kant, Karl Marx, Michael Löwy, Hannah Arendt, Fredric Jameson, Ernst Bloch, Theodor Adorno, Paul Ricoeur, Roger Scruton, Emil Cioran, Michela Murgia, Donatela Di Cesare, Enzo Traverso, entre outros. A confluência de teóricos da Literatura com os pensadores da Filosofia serve para mostrar os procedimentos de efetivação das teorias utópicas e as crises das utopias a partir de seus resultados e como isto tem servido de álibi para a desistência de engajamentos e para novos levantes de detratores das mesmas. Esta tese também pondera sobre o surgimento do fascismo nas sociedades contemporâneas nas diversas nações do planeta e acredita que a Literatura se apresenta como uma leitura antecipada dos tempos sombrios.Item ANÁLISE DO VOCABULÁRIO DA LÍNGUA INDÍGENA KA’APOR DE SINAIS NA PERSPECTIVA DOS ARTEFATOS CULTURAIS DO POVO INDÍGENA SURDO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) MOTA, Leila SaraivaEsta tese intitulada “Análise do vocabulário da língua indígena Ka’apor de sinais na perspectiva do artefato linguístico cultural do povo indígena surdo”, tem como objetivo geral: Registrar os elementos linguísticos e culturais a partir dos artefatos culturais linguísticos existentes na língua Indígena Ka’apor de sinais. Os objetivos específicos são: descrever a trajetória histórica da educação dos indígenas ouvintes e surdos; identificar o(s) perfil(s) dos indígenas surdos da etnia Ka’apor; apresentar a estrutura linguísticas dos sinais da língua indígena Ka’apor de sinais utilizados pelos indígenas surdos; apresentar os aspectos fonológicos dos sinais da língua indígena Ka’apor de sinais; identificar, por meio da sinalização dos vocabulários lexicais da língua indígena Ka’apor de sinais, as implicações culturais e linguísticas. Compreendemos que um estudo desta natureza abrange não apenas a estrutura linguística das línguas indígenas de sinais (LIS), mas, também, a função social e cultural da língua indígena Ka’apor de sinais. Sendo assim, a metodologia adotada foi realizada na área do campo dos estudos linguísticos na perspectiva etnográfica qualitativa. O lócus onde ocorreu a pesquisa foi a Terra Indígena Alto Turiaçu, dos povos indígenas da etnia Ka’apor, localizada no norte do estado do Maranhão. A pesquisa realizou-se, especificamente, nas aldeias Waxingi r-ena e Paraku’y. Os participantes foram indígenas surdos, todos usuários da língua indígena Ka’apor de sinais. As técnicas utilizadas nesse estudo foram o questionário semiaberto, traduzido com uso de filmagens. As teorias que nele foram elencadas tiveram como base as concepções de Malinowski (2018), Oliveira, Coelho e Sanches (2022), Rocha e Eckert (2008), Miranda (2020), Leite (2015), Richardson (2017) e Bardin (2012), autores que fundamentaram a escolha dos procedimentos e do método de análise de dados. Foi possível catalogar, mediante mapeamento, 141 sinais existentes na língua indígena Ka’apor de sinais, os quais foram organizados nas categorias: fonologia dos sinais na perspectiva das ENM; léxico nas descrições imagéticas da sinalização da língua indígena Ka’apor de sinais; tipologias dos verbos (incorporação); o vocabulário lexical da língua indígena Ka’apor de sinais e os artefatos culturais visuais do povo surdo. Foi possível comprovarmos que a função dos vocabulários lexicais está além da gramatical, pois os vocabulários lexicais estão presentes na cultura Ka’apor, nas identidades dos indígenas surdos, na comunicação diária nas relações da aldeia e no ato político do povo Ka’apor. Gramaticalmente, os vocabulários lexicais sinalizados pelos indígenas surdos fazem parte de um sistema altamente desenvolvido, onde cada vocábulo possui significados e cada unidade mínima é combinada seguindo os princípios dos elementos linguísticos de uma língua natural, apresentando um padrão de organização, pois, de acordo com que comprovamos neste estudo, durante a sinalização dos vocabulários, os sinais executados seguem uma ordem linguística de CM, M e P.A. Também foi possível identificarmos a presença das ENM nos léxicos sinalizados, além de identificarmos que os léxicos sinalizados seguem um padrão estabelecido pela linguística, conforme mostramos. Nesta Tese concluímos que a função da língua indígena ka’apor de sinais vai além da ordem linguística desse povo, discutir sobre o vocabulário lexical da língua indígena ka’apor de sinais é discutir sobre a cultura presente nos ritos, nos saberes tradicionais indígenas, na caça e nos hábitos alimentares, que vêm sendo repassado e mantido entre os indígenas surdos e ouvintes Ka’apor. Além disso, a língua indígena Ka’apor de sinais está presente nas práticas sociais, na organização econômica e política do povo Ka’apor. Tudo isso faz parte do funcionamento social dessa língua, portanto, esperamos que as discussões realizadas neste Tese contribuam de forma significante para que a Língua Indígena Ka’apor de sinais seja valorizada, reconhecida, revitalizada, preservada e autenticada, pois o indígena surdo tem direito de registrar a história da sua Língua, seus valores, cultura e povo. Nesse sentido, pensamos na urgência da criação de uma política linguística que garanta a pluralidade, a riqueza e o reconhecimentos da língua indígena Ka’apor de sinais do povo indígena surdo.Item CARTOGRAFIA EXISTENCIAL DO EDUCADOR EGUIMAR FELÍCIO CHAVEIRO: intersecções entre Literatura e Geografia(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Weigma Michely daA presente tese analisa as narrativas que compõem a trajetória de vida, formação e atuação profissional do educador Eguimar Felício Chaveiro, tomando-as como chave para compreender a articulação entre experiência subjetiva, engajamento político e inovação pedagógica. Para isso, estabelece-se quatro objetivos específicos: (a) compreender, nas narrativas, a história de vida de Chaveiro como referência para a análise de suas experiências formativas; (b) analisar como ele utiliza a literatura para desenvolver pesquisas e práticas de ensino na área da geografia humana; (c) investigar, no discurso, os movimentos do sujeito em sua trajetória docente, intelectual e política; e (d) identificar regularidades temáticas e de estilo em suas produções literárias. A justificativa para este estudo assenta-se na necessidade de reconhecer e valorizar as múltiplas experiências que integram a trajetória de educadores, tomando a vida narrada como um campo legítimo de análise acadêmica e formativa. Parte-se da convicção de que investigar o processo formativo de um professor permite compreender dimensões constitutivas da docência, como a subjetividade, o engajamento político e o caráter interdisciplinar da produção do conhecimento. Como fundamentação teórico-metodológica, mobiliza-se estudos centrados na história de vida, em especial Experiência de Vida e Formação (Josso, 2004) e Uma ponte ao mundo: Cartografias Existenciais de pessoas com deficiência (Chaveiro; Vasconcelos, 2018). Técnicas da história oral, ancorada em A Voz do Passado (Thompson, 2002) são adotadas para a geração dos dados, enquanto a análise se subsidia pelas teorias do Círculo de Bakhtin (Bakhtin, 2011 [1979]; 2016 [1895-1975]; Volóchinov, 2019 [1895-1936]; 2021 [1895-1936]). O corpus é composto por entrevistas, bilhetes poéticos, crônicas, textos avulsos e cartas, sendo analisado a partir de uma abordagem qualitativa que privilegia os enunciados, as categorias temáticas e os processos de construção narrativa da subjetividade. Parte-se da premissa de que a trajetória narrada por Chaveiro consagra a docência como prática responsiva e interdisciplinar, erigindo-a em gesto ético-estético de endereçamento ao outro. Potencializado pelo entrelaçamento entre geografia e literatura, seu conjunto escritural (autobiográfico, literário e epistolar) constitui espaço de escuta e reflexão crítica, ampliando o engajamento social e político mediante o diálogo entre vozes e tempos diversos. Os resultados revelam: (1) quatro núcleos temáticos recorrentes - território, memória, resistência e afeto - que atravessam docência e militância do autor; (2) a escrita epistolar e a crônica, situadas no “rés- do-chão” da experiência cotidiana, configuram recursos de formação continuada e mobilização comunitária; (3) a convergência entre geografia e literatura amplia recursos heurísticos para a leitura crítica do espaço, estimulando práticas pedagógicas dialógicas e inclusivas; e (4) a autorrepresentação docente sustenta uma ética da responsividade, ancorada na escuta do outro e na ação coletiva. Conclui-se que a história de vida, quando tomada como método de investigação e formação, torna-se ferramenta potente para problematizar subjetividades docentes e propor caminhos interdisciplinares à pesquisa em Geografia Humana e Literatura.Item ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO BILÍNGUE INTERCULTURAL E TRANSDISCIPLINAR: UM ESTUDO NA ESCOLA ESTADUAL INDÍGENA 19 DE ABRIL, DO POVO KRAHÔ(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Nunes Xavier daApresentamos a Tese “Alfabetização e letramento bilíngue intercultural e transdisciplinar: um estudo na Escola Estadual Indígena 19 de Abril, do Povo Krahô”. O objetivo é compreender concepções e práticas pedagógicas de professores e professoras do Ensino Fundamental I e II. Especificamente buscamos apreender o processo do ensino e da aprendizagem dos alunos, assimilando conceitos de alfabetização e letramento no contexto indígena krahô, considerando que a demanda de tempo para uma efetiva alfabetização das crianças indígenas se estende à segunda fase do ensino fundamental. O intuito é contribuir com a comunidade e sua escola a partir da realização de um estudo acerca da educação escolar, entendendo que a educação indígena promovida na aldeia antecede a educação da escola, partindo da evidência de que os saberes ancestrais transmitidos pela família e pelos mais velhos agrega conhecimento e fortalece a cultura, avaliando a situação de contato com a sociedade não indígena. Para alcançar tais objetivos, recorremos a diferentes tipos de pesquisa e seus procedimentos, dada a complexidade do tema e o contexto no qual o trabalho se realizou. Assim, utilizamos procedimentos das pesquisas qualitativa, exploratória e na perspectiva etnográfica (Minayo, 2001; Gil, 2002; Bortoni-Ricardo, 2014), com visitas às aldeias, partindo de um planejamento cuidadoso. Considerando a flexibilidade da abordagem qualitativa e também da pesquisa exploratória, aliadas à pesquisa do tipo etnográfica, realizamos algumas etapas relevantes, como entrevistas com lideranças e professores indígenas, aplicação de questionários e análise documental. Todas essas etapas buscaram compreender a organização e as concepções do processo de ensino conduzido por professores, professoras, gestores e gestoras da Escola Estadual Indígena 19 de Abril. A frente teórica é ampla e abrange Alfabetização, Interculturalidade, Educação Indígena Bilíngue e Intercultural, Transdisciplinaridade, Letramento e Povo Krahô a partir do seguinte corpo teórico: Almeida (2012, 2015); Maia (2020); Macedo (2015); Melatti (1972; 1973; 1978); Albuquerque (2011); Constituição Federal do Brasil (1988); Duarte (2007); RCNEI ‒ Referencial Curricular Nacional para as Escola Indígenas (Brasil, 1998); LDB 9.394/1996 ‒ Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Brasil, 1996); Candau (2008); D’Angelis (2008); Pimentel da Silva e Rocha (2006); Abreu e Albuquerque (2012); Sousa, Almeida e Albuquerque (2012); Street (2006, 2010); Muniz (2022); Albuquerque e Santos (2017); Abreu (2012); Soares (2004) e outros. Os resultados indicam que as práticas pedagógicas dos professores consolidam uma Alfabetização e um Letramento Bilíngue, Intercultural e Transdisciplinar, quando o currículo dialoga com elementos da aldeia e seu entorno, envolvendo tudo o que diz respeito à vida dos indígenas e suas idiossincrasias. Assim, o pátio da aldeia, a floresta, a fauna, a flora e o cerrado, em toda a sua exuberância, oferecem as condições para que a alfabetização e o letramento ocorram de modo intercultural e transdisciplinar num ambiente bilíngue.Item HIP-HOP E A LITERATURA MARGINAL-PERIFÉRICA: contribuições para a formação leitora na escola(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SOUSA, Leomar Alves deNeste trabalho, instigado pelas dificuldades de engajamento de alunos adolescentes na leitura de literatura, dada a nossa experiência como professor da educação pública no Tocantins, desenvolvemos o presente estudo, por meio de pesquisa participante, norteado pela questão: “De que forma as expressões do Hip-Hop, aliadas às narrativas e às poéticas da literatura marginal-periférica, contribuem para o letramento de reexistência de jovens na escola?”. A partir dessa questão, definimos como objetivo geral de nossa investigação: “Demonstrar, por meio de um projeto de leitura, que as batalhas de rimas improvisadas do movimento Hip-Hop, aliadas às narrativas e à poética da literatura marginal-periférica contribuem para a formação de jovens leitores literários na escola”. Já, como objetivos específicos, trabalhamos com os seguintes: (i) Desenvolver projeto de leitura de obras de autores da literatura marginal-periférica e letras de músicas de cantores de rap; (ii) Identificar e relacionar elementos do Hip-Hop a textos da literatura marginal-periférica, dos gêneros conto, poema e canção; (iii) Promover a interação entre Mc’s e alunos do ensino fundamental II (8º e 9 º ano), por meio de batalhas do conhecimento/ batalhas de rimas e leituras de contos, poemas e escuta e análise de raps, como forma de percepção da formação da identidade cultural destes jovens, e formação destes como cidadãos, e (iv) Evidenciar e discutir proposituras socioculturais elaboradas e proferidas pelos Mc’s em batalhas de rimas improvisadas do Parque CIMBA, em Araguaína-TO, e em batalhas de conhecimento no ambiente escolar. O arcabouço teórico que fundamenta esta tese está assentado em trabalhos de Lajolo; Zilberman (2019), Rösing (2018), Dalvi (2013), Colomer (2007), Petit (2009), Melian (2022), Neto (2009), Jouve (2013), Souza (2011), Amorim et. al (2022), Nascimento (2009), Reyes (2013), Dalcastagnè (2012), Patrocínio (2013), Tennina (2017), Sales (2022), Lawson (2006), D’Alva (2014), Neves (2017), Kilomba (2018; 2019), Almeida (2020), e Sousa; Testa (2023). Defendemos como tese da pesquisa que por meio de projeto de leitura, sistematizado, e com as necessárias mediações do professor, é possível instigar estudantes adolescentes a ler obras literárias, de modo a despertá-los para a necessidade de reflexão sobre os aspectos sociais de seus contextos de vida. No intuito de comprovar nossa tese, desenvolvemos o projeto “A formação de leitores literários na escola por meio da literatura marginal-periférica e do hip-hop” com alunos de uma turma de 8º ano e outra de 9º ano do Colégio Estadual Adolfo Bezerra de Menezes, em Araguaína-TO. Esse projeto consistiu na realização de quinze oficinas de leitura, no decorrer do ano letivo de 2022, contemplando poemas e contos de autores da literatura marginal-periférica, escuta e análise de raps e batalhas de rimas improvisadas. Evidenciamos que os estudantes participantes das oficinas se mostraram mais motivados à leitura de literatura, de modo que, gradativamente, passaram a ler com menos resistência, principalmente fazendo empréstimos de livros do acervo da biblioteca escolar.Item Professores lotados em bibliotecas escolares em Araguaína (TO): da constituição à mediação de leitor literário(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) PEREIRA JUNIOR, Nilo MarinhoEste trabalho tem como pergunta de pesquisa: como ocorre a mediação da leitura literária pelos professores lotados em bibliotecas escolares, tendo por base a sua constituição de leitor em geral e de leitor literário? Assim, tivemos como objetivo analisar, por meio das narrativas de professores lotados em bibliotecas escolares estaduais de Araguaína (TO), suas relações com práticas de mediações de leitura literária, considerando os próprios percursos de vida e de formação de leitor e, mais especificamente, de leitor literário. Metodologicamente, o trabalho se constitui como uma pesquisa qualitativa, por lançar um olhar sobre as relações e as vivências dos professores que trabalham em bibliotecas, focando na contribuição da formação do leitor literário e do incentivo à leitura. O levantamento e geração de dados foram realizados por meio de pesquisa documental e pela realização de Grupos Focais com professores lotados em bibliotecas escolares. Para o processo de sistematização e geração das categorias de análise, foi utilizada a Análise de Conteúdo (AC), considerada uma ótima ferramenta para análise de conversas e comunicações. Para apoiar nossas análises, partimos da construção de um arcabouço teórico formado, principalmente, por autores que discutem a noção de leitura e de leitura literária, como Iser (1996), Jauss (1994), (Zilberman (2012; 2021), Abreu (1999), Jouve (2002), Candido (2017) e Perrone-Moisés (1990); aqueles que abordam mediação de leitura e formação de leitores, como Zilbermam (2009), Britto (2015) e Macedo (2021); os que versam sobre biblioteca escolar e as práticas de leitura literária, Milanesi (2002), Castrillón (2011; 2024), Petit (2010) e Silva (2018), entre outros. As análises permitiram-nos concluir que tanto o professor lotado em bibliotecas como o espaço podem contribuir de forma exponencial para a formação de leitores literários, desde que sejam dadas as condições e formações adequadas.Item Pólen Apícola como aditivo natural na alimentação de frangos de corte dos 8 aos 42 dias de idade(2025, 2025-09-09) Monteiro Junior, Jerry Kleube FelixObjetivou-se avaliar o desempenho produtivo e a qualidade da carne de frangos de frangos de corte alimentados com pólen apícola dos 8 aos 42 dias de idade. Foram utilizados 200 pintos de corte, de um dia de idade, fêmeas, da linhagem comercial Cobb 500® , sendo criado até o sétimo dia de idade de acordo com as recomendações da linhagem. No oitavo dia de idade, as aves com o peso médio de 171,0g ± 1,0g foram homogeneizadas e os tratamentos distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, com cinco tratamentos, CP: Controle positivo com adição do promotor de crescimento (Salinomicina), CN: Controle negativo sem adição do promotor de crescimento (Salinomicina); CN+0,2: 200; CN+0,4: 400; CN+0,6: 600 (gramas de pólen apícola/100 Kg de ração) com 4 repetições de 10 aves por unidade experimental. Foram avaliados o consumo de ração (CR), ganho de peso (GP), conversão alimentar (CA), as vísceras comestíveis (coração, fígado e moela), órgãos imunes (Bursa de Fabrícius e Baço), peso e comprimento do intestino delgado, rendimento de cortes nobres (peito, coxa e sobrecoxa), a coloração da carne do peito (L* = luminosidade, a* = vermelho, b* = amarelo) e a qualidade da carne (pH, perda de peso por cocção e força de cisalhamento). Observou-se que os níveis de pólen apícola nas dietas, não influenciaram o consumo de ração, o ganho de peso, a conversão alimentar e o peso aos 21 e 42 dias de idade. Observou-se que os níveis de pólen apícola nas dietas, não influenciaram o coração, fígado, moela, baço, Bursa e o comprimento e peso do intestino delgado aos 21 e 42 dias de idade. Não se verificou influência significativa para os diferentes níveis de pólen apícola em relação aos rendimentos de carcaça, coxa, sobrecoxa, peito de frangos de corte abatidos aos 42 dias de idade. Observou-se que os níveis de pólen apícola nas dietas, não influenciaram o pH, a perda de peso por cocção e a força de cisalhamento da carne do peito de frangos aos 42 dias de idade. Observou-se que os níveis de pólen apícola nas dietas, não influenciaram o teor de vermelho, teor de amarelo, luminosidade e a temperatura de frangos de corte abatidos aos 42 dias de idade. Conclui-se que o pólen apícola não alterou as variáveis avaliadas neste experimento. Portanto, visto que se trata de um novo ingrediente na alimentação de frangos de corte, novas pesquisas são necessárias para aprofundar o entendimento sobre seu uso.
