Biblioteca Digital de Dissertações e Teses da UFNT
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Resultados da Pesquisa
Item A escrita de si e possibilidades de construção de sentidos sobre a identidade na Educação de Jovens e Adultos(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) RIBEIRO, Sara Cristina da SilvaA presente dissertação discute a leitura literária e a produção de relatos autobiográficos a partir das experiências desenvolvidas com uma turma do segundo segmento do Ensino Fundamental, na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), em uma escola municipal de Imperatriz/Maranhão. A partir de dificuldades diversas da escolarização desse grupo de estudantes, o trabalho com relatos autobiográficos partiu da necessidade de fomentar o protagonismo dos estudantes na construção de sua identidade, ressignificando no processo sua própria escolarização. Para isso, foi indispensável o lugar da literatura. Conforme preconiza Eagleton (2019), a literatura é parte da cultura humana. Partimos, também, do que orientam os documentos curriculares em vigor, a saber, Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) e Documento Curricular do Território Maranhense (DCTMA, 2019), os quais apontam-nos a necessidade de ofertar aos estudantes o contato com os elementos que integram a sua identidade como sujeito situado em determinado espaço e tempo. De caráter qualitativo interpretativista, nossa pesquisa baseia-se nos moldes da Pesquisa-ação de Tripp (2005), Franco (2005) e Thiollent (2011) e da pesquisa Interpretativista por Pimenta (2005). Acreditando que a escrita de si pode corroborar na construção identitária, tomamos como pressupostos teóricos os estudos de Foucault (1992), Josso (2012), Ferreira (2023), Barros (2011) e Silva (2023). Para compor o corpus de análise, selecionamos as produções escritas dos/das estudantes participantes da pesquisa, em sua versão final, para a partir delas construir um ethos, ainda que não aprofundado, para a modalidade EJA no município de Imperatriz. Além disso, esta pesquisa nos oportuniza a pensar sobre a nossa atuação docente e cidadã nesse universo da EJA, conduzindo-nos pelos apontamentos da semiótica discursiva, Landowski (2014, 2024). Como produto, produzimos um videodocumentário, fruto de narrativas dos estudantes, as quais revelam um pouco de seus percursos formativos, bem como apresentamos um guia formativo para a construção de vídeodocumentário destinado a docentes que atuam na modalidade EJA.Item Análise de casos sobre questões socioambientais do território tocantinense: um estudo fundamentado na perspectiva da educação CTS(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) COIMBRA, Mayco PereiraAtualmente, discussões relacionadas às Questões Socioambientais (QSA) vem sendo cada vez mais evidenciadas e tornando-se alvo de grandes debates midiáticos em todos os campos e complexidades. Abordagens no contexto educacional que corroborem com as discussões à respeito das atividades antrópicas e as relações com as problemáticas ambientais tendem a promover compreensões mais críticas sobre as consequências advindas de tais interações. Nesse sentido, intervenções voltadas para a capacitação de professores na formação inicial, a fim de que possam desenvolver situações de ensino-aprendizagem direcionadas à abordagem das QSA, se tornam fundamentais para um ensino que objetive promover o protagonismo dos estudantes, e o desenvolvimento de habilidades e valores indispensáveis para tomada de decisões sobre as problemáticas ambientais. Considerando o ensino das QSA como uma estratégia profícua para o desenvolvimento de um olhar crítico sobre as relações entre a produção científico-tecnológica e as problemáticas ambientais, a proposta de pesquisa foi balizada considerando o desenvolvimento de um curso sobre a elaboração de Casos para análise de problemáticas ambientais referentes ao território tocantinense. Sendo assim, questionou-se: como os participantes compreendem as relações entre a produção científico-tecnológica e as problemáticas ambientais? Deste modo, a presente pesquisa teve por objetivo analisar, na perspectiva da ECTS, como as relações entre a produção científico-tecnológica e as problemáticas ambientais são abordadas pelos participantes de um curso de elaboração de Casos para o estudo de QSA. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso, desenvolvida por meio de uma proposta de intervenção com foco na análise de casos elaborados pelos participantes. Evidenciou-se que os temas escolhidos abarcam as inter- relações Ciência-Tecnologia-Sociedade (Ambiente) com potencial para discussões de controvérsias socioambientais, visto que envolvem discussões sobre o desenvolvimento científico-tecnológico e problemas ambientais relacionados aos aspectos econômicos, políticos, culturais e éticos. Além disso, os casos elaborados pelos participantes apresentam encaminhamentos didáticos-pedagógicos que constituíram o Quadro de Referência (QR) para estudo da QSA, especificados a partir dos questionamentos orientadores e dos objetivos de ensino conceitual, procedimental e atitudinal, entendidos como indicadores para o desenvolvimento das capacidades de tomada de decisão.Item MATAMOS E CHORAMOS PELO CÃO TINHOSO: CONTOS AFRICANOS NA FORMAÇÃO DE LEITORES DE LITERATURA NA EDUCAÇÃO BÁSICA(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SOUSA, Cynthia Regina LealA presente dissertação apresenta propostas de leitura da Literatura, fundamentadas em estudos literários e na semiótica discursiva, compreendendo esta como teoria que se ocupa da significação e da condição da apreensão e construção do sentido. A escolha dessa perspectiva teórica se deve ao fato de que a semiótica fornece elementos que podem subsidiar projetos que visem à formação do leitor literário e à mediação da leitura no contexto escolar. A dissertação parte das experiências com estudantes em uma turma de 9o ano do Ensino Fundamental, de uma escola estadual no município de Araguaína, no Norte do Tocantins e apresenta proposições didáticas para o trato do texto literário no contexto escolar. Ali, ao longo de um semestre, desenvolvemos uma sequência de ações didáticas cujo objetivo foi o de privilegiar a leitura de contos africanos de Língua Portuguesa e que foram sistematizados no caderno pedagógico. Para isso, foram selecionados dois contos que estabelecem, já pelo título, uma clara relação de natureza intertextual: Nós matamos o cão tinhoso (1964), do escritor moçambicano Luís Bernardo Honwana; e Nós choramos pelo cão tinhoso (2007), do escritor angolano Ondjaki. O conto de Honwana, com o qual Ondjaki dialoga, é considerado obra basilar da literatura moderna moçambicana, por ser uma das duas únicas produções ficcionais do período das lutas anticoloniais naquele país. O critério de seleção das obras levou em conta a possibilidade de suscitar, pelas temáticas próximas ao universo de adolescentes, o gosto, o interesse e a curiosidade pela literatura africana de Língua Portuguesa. A opção por autores africanos também se fundamenta na Lei n.o 10.639/2003, que trata da obrigatoriedade do ensino da cultura africana e afro-brasileira na Educação Básica. Nesta dissertação, são discutidos conceitos de leitura, a formação do leitor literário na escola, as especificidades relativas ao gênero conto, temáticas que atravessam as literaturas angolana e moçambicana e as potencialidades do trabalho com o gênero na sala de aula. Os fundamentos teóricos que baseiam esta pesquisa são relativos à semiótica discursiva— mais diretamente considerando fundamentos e o campo da semiótica didática —, estudos relativos ao gênero conto e à formação do leitor literário, com destaque para a literatura africana. A pesquisa apresenta análise de aspectos do Projeto Político Pedagógico da unidade escolar pesquisada, e da Matriz Curricular de Recomposição das Aprendizagens, da Secretaria de Educação do estado do Tocantins. As ações propostas levam em conta os documentos oficiais que tratam do ensino da Língua Portuguesa e da Literatura, como os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa relativos ao Ensino Fundamental e Médio (Brasil, 1998, 1999) e a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018). A pesquisa, de caráter qualitativo, pretende contribuir para a valorização da literatura africana, além de colaborar com possíveis soluções de problemas práticos — como o baixo nível de proficiência leitora observado em nossas salas de aula —, organizando, para tal, um caderno pedagógico que relaciona os caminhos trilhados pelo projeto e que podem servir para orientar novas práticas docentes.Item POVO KRAHÔ E O ESTADO BRASILEIRO: UMA ANÁLISE RELACIONAL DE PROCESSOS CRIMINAIS NAS COMARCAS DE ITACAJÁ E GOIATINS (TO) NOS ANOS DE 2010 A 2021(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SILVA, Rômulo CastroO Povo Krahô é uma etnia indígena cujo território está alocado em uma área tradicionalmente ocupada e denominada Kraolândia, distribuída entre os municípios de Goiatins e Itacajá, no Estado do Tocantins, Brasil, e submetida a competência jurisdicional destas duas comarcas, de acordo com os limites territoriais de cada município. Apesar do Estado brasileiro atribuir autonomia as comunidades indígenas para organizarem e gerirem suas dimensões sócio- política-cultural, existe uma limitação no que pesa aos fatos ocorridos em seu território ou relacionado aos seus membros que se choquem com as regulamentações do direito penal brasileiro, ao passo em que esta autonomia se aplicará somente a situações de baixa complexidade. Nesse seguimento, nas hipóteses em que o Estado entender haver maior complexidade, tais fatos passam a ser gerido pelo Estado-Nação por meio do Poder Judiciário. Assim, o presente trabalho, a partir da análise de 05 processos criminais de interesse das comunidades Krahô, presididos pelas comarcas de Goiatins e de Itacajá entre os anos de 2010 e 2021, estuda os reflexos da atual estrutura da tutela do Estado sobre as comunidades indígenas a partir da perspectiva da aplicação do Direito Penal brasileiro sobre comunidades Krahô, analisando se existem simetrias e correlações entre o direito penal brasileiro com e na estrutura social Krahô, tanto para se compreender a efetividade destes mecanismos, como para perceber se esta sobreposição de epistemes não se trataria de uma nova modalidade de ato colonizador, se pautando no estigma de uma “superioridade racial”, assim como verifica o diálogo ou monólogo que se preside entre os distintos conceitos na perspectiva de teóricos, Estado e indígenas sobre suas práticas culturais quando estas esbarram com os conceitos penais brasileiros. Por fim, entender como, no curso dessas demandas, o direito de proteção da cultura destas comunidades se expressa nessa intervenção do Estado ao buscar o jus puniendi, sendo que também é seu dever promover a proteção aos direitos, cultura, língua e demais aspectos culturais destes povos tradicionais.Item VALORIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ÉTNICO RACIAL: Vivências e representações do cabelo e corpo negro nas ações do Projeto Negra Flor de Girassol(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) LIMA, Maria Zilma GabinoEste trabalho teve como objetivo geral demonstrar como ocorre o processo de valorização e construção da identidade étnico-racial mediante projetos interventivos que contribuem para o desenvolvimento intelectual, bem como estimulam o posicionamento de alunos negros através do enfrentamento e questionamentos de suas vivências, tomando como objeto de análise o projeto Negra Flor de Girassol, realizado no Colégio Campos Brasil, situado no extremo sul da cidade de Araguaína, no Norte do Tocantins. Entre os objetivos específicos destacamos: Investigar a contribuição do projeto Negra Flor de Girassol para a transformação de alunos, no que tange aos discursos sobre o corpo e a estética negra no ambiente escolar; analisar as vivências de alunos negros, na referida escola, considerando as temporalidades; demonstrar como tem se dado a formação humana dos discentes a partir das discussões e atividades realizadas pelo projeto. Para compreender as raízes e efeitos do racismo entranhado na escola, esta dissertação buscou entender o processo histórico de exclusão (i)legal dos sujeitos negros ao direito de estudar. Com o direito de estudar garantido legalmente e com as questões raciais amparadas pela Lei 10.639/2003, reflito como a rejeição ao corpo negro no território escolar por meio do racismo recreativo e do epistemicídio, operou durante séculos e ainda se constituem em negação simbólica ao direito pleno à educação. A partir dessas análises, compreende-se como esse conjunto de violências simbólicas atacam o corpo negro por meio das representações inferiorizadas no território escolar, utilizando para a depreciação, os fenótipos cor da pele e cabelos — crespos e cacheados — e a cultura negra.Item Educação para as Relações Étnico-Racial nas Escolas Municipais de Araguaína – TO (2023-2025)(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) BARROS, Maria Raimunda Rodrigues SoaresA presente dissertação tem como tema Educação Étnico-Racial, e propõe refletir sobre os desafios e possibilidades da construção de uma educação comprometida com o respeito às diferenças étnico-raciais no contexto escolar. A pesquisa teve como objetivo principal analisar como as escolas municipais de Araguaína (TO) têm promovido práticas pedagógicas voltadas à valorização da diversidade cultural, especialmente no que se refere à história e cultura afro-brasileira, africana e indígena, conforme determina a Lei no 10.639/2003 e a Lei no 11.645/2008. Para cumprir esta determinação o currículo escolar utiliza eventos em momentos específicos no calendário escolar. A metodologia adotada foi de natureza qualitativa, utilizando-se de pesquisa bibliográfica, documental e a realização de oficinas pedagógicas em uma escola da rede pública municipal. A pesquisa bibliográfica fundamentou-se em autores (as) que abordam as temáticas de relações étnico-raciais, educação antirracista e diversidade cultural. A pesquisa documental analisou o Projeto Político-Pedagógico (PPP) das escolas, planejamentos de aulas e registros institucionais. O levantamento quantitativo permitirá entender a realidade do contexto escolar. As análises indicaram que as práticas pedagógicas com professores (as) e alunos (as) do Ensino Fundamental, utilizando livros didáticos e paradidáticos com temas relacionados ao racismo, à cultura africana, à história da África e à cultura indígena. Os resultados Apontaram que os avanços legais, mesmo que ainda haja lacunas na formação docente e na efetivação de práticas pedagógicas que tratem a temática étnico-racial de forma crítica e estruturante para cumprir com os objetivos do ensino das questões étnicos racial e culturais. As oficinas revelaram-se como uma estratégia eficaz para sensibilização e desenvolvimento de ações pedagógicas mais inclusivas e conscientes, buscando compreender o quanto é fundamental fortalecer políticas de formação continuada e promover o protagonismo das escolas na luta contra o racismo e na valorização das identidades culturais diversas.Item A IMPLEMENTAÇÃO DA LEI Nº 11.645/08 NO COLÉGIO ESTADUAL IRMÃOS FILGUEIRAS EM SÃO BENTO DO TOCANTINS: uma análise da prática pedagógica a partir da Perspectiva Intercultural(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) ARAÚJO, Maria Marcia Barbosa deA presente pesquisa analisou a implementação da Lei no 11.645/08 no Colégio Estadual Irmãos Filgueiras, no município de São Bento do Tocantins, a partir da prática pedagógica sob a ótica da interculturalidade. Adotou-se uma abordagem qualitativa, utilizando a pesquisa participante e os círculos epistemológicos como metodologias de aproximação e formação, a fim de problematizar os conceitos de interculturalidade e decolonialidade. Além de experienciar a prática de “escrevivências” de Conceição Evaristo nos espaços de trocas e formações. Para o desenvolvimento da pesquisa, foram analisados documentos institucionais, eventos e ações previstas no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola. Ademais, realizou-se também o histórico da implementação da Lei no 11.645/2008 a partir do contexto político dos movimentos sociais indígenas e negros, refletindo sobre os desafios e as possibilidades de implementação da referida Lei. Para embasamento teórico, utilizamos os autores Brandão (2006), Walsh (2012), Mignolo (2008, 2020), Kilomba (2019), Raffestin (1993), Saquet (2013) e Thompson (2010, 1981). A investigação demonstrou que a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena não se efetiva de forma interdisciplinar, resultando em uma prática pedagógica fragmentada. Tendo em vista este cenário de tensionamentos e desigualdades, a desobediência epistêmica pode ser um interessante começo para, aos poucos, irmos desvelando a realidade e abrindo caminhos para que a implementação da Lei no 11.645/08 se torne possível, sem superficialidades, mas, sim, com qualidade e visando a uma educação mais justa, humanizada e libertadora. Por último, reforçamos a necessidade de um trabalho contínuo e engajado sobre o ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Indígena na perspectiva intercultural. Nesse propósito, esboçamos o Plano Pedagógico de Práticas Interculturais para servir de parâmetro na implementação da Lei no 11.645/08, assim como para nortear possíveis novas pesquisas que favoreçam uma educação antirracista e decolonial.Item A (des)virtude de ser e existir: o protagonismo negro em Hollywood, representações e estereótipos(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Marcos Douglas Lima eEste estudo investiga a representação do protagonismo negro no cinema hollywoodiano, com o objetivo de compreender como ele é frequentemente retratado de maneira estereotipada. A análise se concentra nos filmes "A Princesa e o Sapo" (2009) e "Um espião animal" (2020), que representam pessoas negras como animais. A pesquisa utiliza a teoria semiótica de Martine Joly (1994) e a perspectiva de Hall (2016) sobre representação. A influência das representações cinematográficas na imaginação social e na construção da identidade é discutida com base nas teorias de Douglas Kellner (2001) e Stuart Hall (2016). A violência na representação de negros em Hollywood é abordada a partir do trabalho de Silva (2018). Turner (1997) é utilizado para enfatizar o cinema como uma prática social que vai além do entretenimento. Mills (2023) explora o "Contrato Racial", evidenciando como a supremacia branca molda a sociedade e perpetua a segregação racial. Discussões de bell Hooks (2019), Angela Davis (2018) e Sueli Carneiro (2006) são usadas para abordar a resistência decolonial, a opressão histórica enfrentada pela população negra e a noção de pensamento abissal de Santos (2007). A análise final dos filmes ilustra a prevalência de representações estereotipadas da população negra no cinema hollywoodiano, destacando a violência, a subalternização e a objetificação dos corpos negros.Item A Parteira Tradicional “Mãe Celina”: Desde o parto à benção aos nascidos no Quilombo Dona Juscelina em Muricilândia – TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SANTOS, Francisca Leidiane Privino Gomes dosEsta pesquisa intitulada provisoriamente com A parteira tradicional “Mãe Celina”: Desde o Parto À Benção aos Nacidos no Quilombo Dona Juscelina em Muricilândia - TO traz as narrativas sobre a história de vida da matriarca quilombola Dona Juscelina (in memorian) na realização do trabalho de parteira tradicional. Nesta direção, faz-se relevante o estudo com abordagens biográficas sobre Dona Juscelina (in memorian), com o compromisso de rememorar a construção dos laços de comunidade. A proposta dialoga com a linha de pesquisa “Paisagens, Narrativas e Linguagens”, traz contribuições para as discussões que englobam narrativas orais e a relação entre a identidade étnico-racial quilombola com memórias de sujeitas que revelam trajetórias socioespaciais. A pesquisa objetiva compreender o trabalho de parteira tradicional, exercido por Lucelina Gomes dos Santos (Dona Juscelina - in memorian) e seus desdobramentos sociais em Muricilândia (TO), identificando memórias e narrativas de mulheres que em dores de parto foram cuidadas. Para tal, mobilizamos o método História Oral com técnica de História de vida, para melhor entendermos as nuances expressadas pelas narradoras. Desta forma, Dona Juscelina (in memorian), passou a ser denominada de “Mãe Celina” pelos filhos das mulheres assistidas nos partos naturais e que esses nascidos passam a ser seus “filhos de pegação” (crianças assistidas pelo parto natural). Desta forma, os resultados obtidos até o presente momento revelam que Dona Juscelina (in memorian), através de seus saberes e exercício do trabalho de parteira tradicional, que durante 25 anos (entre as décadas de 1960-1980) realizou 583 partos, contribuem com a construção social de laços comunitários da população de Muricilândia (TO), a partir do concluio entre a parteira, a mulher gestante e o pai da criança gerando relações afetivas de comadrios. Mãe Celina, utilizou seus saberes tradicionais para cuidar das mulheres parturientes, sendo reconhecida por ser uma mulher de fé na religiosidade cristã, deixando seu legado de contribuição social na sua comunidade.Item A TERRITORIALIZAÇÃO DAS ESTUDANTES COTISTAS NA UFNT, CÂMPUS ARAGUAÍNA/TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Bruna de Souza daEssa pesquisa reconstituiu as experiências de estudantes negras que ingressaram na UFNT por meio das Ações Afirmativas, as Cotas Raciais, a partir de suas perspectivas e memórias das vivências racistas desde a infância até os processos de territorialização na Universidade Federal do Norte do Tocantins, localizada em Araguaína, região extremo Norte do Tocantins. As estudantes que fazem parte dessa pesquisa estudam no Centro de Ciências Integradas e são atendidas pelo sistema de Cotas Raciais, ação reparatória direcionada a algumas minorias que foram marginalizadas ao longo do contexto histórico do Brasil, a exemplo da população negra. Esse contexto histórico político-cultural-econômico possui origem na colonização, sistema que foi sustentado pela escravização em massa de africanos e afro-brasileiros no Brasil, resultando em um dos maiores genocídios dos povos indígenas e africanos da história. Desse modo, partindo do princípio de que a Universidade é um território institucionalizado e de disputa, e, portanto, não está isenta dessa estrutura racista e hegemônica, propomos investigar a trajetória acadêmica de quatro estudantes cotistas. A partir da abordagem das interseccionalidades (COLLINS, 2019; GONZALEZ, 2020), buscaremos analisar como essas estudantes articulam-se, no âmbito das relações entre identidade étnico-racial (HALL, 2003) e suas experiências de territorialização (HAESBAERT, 2004), enquanto estudantes negras cotistas na Universidade. A pesquisa está debruçada teórico- metodologicamente na revisão de literatura sobre questões étnico-raciais e Feminismo Negro, assim como os estudos envolvendo Cultura e Território. Por ser um tema sensível e que envolve nuances traumáticas, optamos por trabalhar metodologicamente com a História Oral (THOMPSON, 1992), visando reconstituir dialogicamente as trajetórias de vida dessas estudantes. Mobilizando o procedimento qualitativo da história de vida, evocando memórias que nos auxiliaram a compreender como suas identidades étnico-raciais foram sendo constituídas em meio aos violentos processos de racismo e sexismo envolvidos na trajetória educacional até a territorialização do espaço acadêmico. Dessa forma, a pesquisa evidenciou que, apesar das dificuldades trazidas pelo espaço acadêmico, como os conflitos, o desejo de desistência, o racismo, a burocracia e as interseccionalidades que se cruzam, as interlocutoras criaram mecanismos de resistência e de ressignificação do espaço. Criando significados a partir do pertencimento em determinados grupos raciais, reivindicando a própria negritude, seja nos laços criados de amizades, nas articulações com movimentos sociais e coletivos, ou nas diversas experiências vivenciadas dentro da Universidade.
