Biblioteca Digital de Dissertações e Teses da UFNT
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Resultados da Pesquisa
Item Professor e alunos no entremeio das línguas: efeitos de acolhimento no ensino e no aprendizado da língua portuguesa a refugiados hispanofalantes em Araguaína (TO)(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) CARNEIRO, Felipe GonçalvesNesta investigação, analisamos e problematizamos em que medida se engendra o processo de ensino e de aprendizado da língua portuguesa, como língua de acolhimento, para cubanos e para venezuelanos, na condição de refugiados, que se encontram na cidade de Araguaína, norte do estado do Tocantins. Em vista dessa prática discursiva, a qual envolve professor, alunos, língua portuguesa, como objeto de saber, e o atravessamento da língua espanhola, o nosso objetivo se consistiu em refletir e em tecer considerações acerca desse quadro a partir de um viés discursivo, tendo como parâmetro a prática discursiva de produção textual a partir do processo de (re)escrita de textos temáticos na língua de acolhimento. Os objetivos específicos foram: 1) compreender os efeitos produzidos no âmbito do processo de (re)escrita dos refugiados na língua ‘estranha’, língua do outro, do desconhecido, a partir das intervenções do professor, em que os alunos são levados a elaborar uma relação com o objeto de saber; e 2) analisar em que medida as intervenções do professor no processo de (re)escrita dos refugiados, ou seja, no mo(vi)mento de escuta singular, propiciam a irrupção de emergências subjetivas que, por sua vez, resvalam em possíveis significantes de acolhimento, em que sujeitos e sentidos são acolhidos. Os objetivos traçados se deram a partir de nosso problema de pesquisa, qual seja: quais os efeitos de acolhimento no ensino e no aprendizado da língua portuguesa a refugiados hispanofalantes, considerando a prática discursiva de (re)escrita na língua portuguesa? O procedimento de coleta de material de análise se deu a partir de nossa participação como professores e pesquisadores em um projeto de extensão voltado a refugiados, em que atuamos em 2023 e em 2024. Nesse período, 28 hispanofalantes concluíram o curso básico de língua portuguesa como língua de acolhimento. Com ancoragem no dispositivo teórico-analítico da teoria materialista do discurso, partimos da premissa de que sujeito e sentido, constitutivamente, imbricam-se. Com a premissa que assumimos, formulamos o pressuposto de que o acolhimento de sujeitos, na condição de refugiados, articula-se ao acolhimento de sentidos. Portanto, no espaço discursivo didático-pedagógico, que é constituído por um jogo entre professor, alunos e objeto de saber, conjecturamos que, para o acolhimento de refugiados por parte do professor, na função de sujeito suposto saber, a partir de suas estratégicas didáticas e metodológicas, torna-se preciso abrir espaços para uma possível escuta singular, tendo em conta as marcas presentes nos textos temáticos. Dessa forma, entendemos que assumir essa perspectiva abre possibilidades aos diferentes processos de subjetivação e de inscrição nas línguas, de modo a propiciar que sujeitos e sentidos sejam acolhidos pelo professor. Nosso enfoque está, portanto, na relação sujeito- sentido-acolhimento a partir da intervenção do professor. Sendo assim, partindo da pressuposição de que no processo de subjetivação e de inscrição de refugiados nas línguas, por meio da prática discursiva de ensino e de aprendizado da língua portuguesa, como língua de acolhimento, com o apoio da intervenção didático- pedagógica do professor no seu mo(vi)mento de escuta singular, há a irrupção de possíveis significantes de acolhimento, em que, conforme hipotetizamos, sujeitos e sentidos são acolhidos. A partir das intervenções no processo de (re)escrita de textos temáticos, é possível que haja a instauração de processos transferenciais, de modo a produzir efeitos de acolhimento que incidam em deslocamentos significativos no processo de aprendizagem dos refugiados hispanofalantes.Item A MERCANTILIZAÇÃO DO ESPAÇO URBANO E A CIDADE-MERCADORIA: O DISCURSO IMOBILIÁRIO DIGITAL SOBRE O BAIRRO JARDIM DOS IPÊS EM ARAGUAÍNA–TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) NASCIMENTO, Leticia AlmeidaNesta dissertação, tematiza-se a perspectiva da mercantilização do espaço urbano de Araguaína-TO, considerando o lugar que os empreendimentos imobiliários assumem nesse processo de construção da cidade mercadoria. Como cidade média, localizada no norte do Tocantins, percebe-se a intensificação dos processos de urbanização de Araguaína, nas duas últimas décadas, acentuando o surgimento desse tipo de empreendimento. Dessa forma, mostrou-se pertinente enfocar o modo como diferentes materiais (verbais e imagéticos) são produzidos e postos em circulação na divulgação de loteamentos na cidade. O aporte teórico é sustentado pelos pressupostos da Análise de Discurso materialista, em diálogo com os do campo do marketing urbano. Para tanto, de modo mais específico, particularizou-se a situação do bairro Jardim dos Ipês, pois se trata de um bairro, com maior crescimento em Araguaína-TO. Dessa forma, trabalhou-se com a seguinte pergunta de pesquisa: como o discurso imobiliário digital funciona na mercantilização do espaço urbano em Araguaína/TO, tendo por base o caso do bairro Jardim dos Ipês, e quais as contradições que esse discurso produz na produção de tal espaço? O objetivo geral ganhou a seguinte formulação: compreender o modo como os sentidos ganham materialização no funcionamento do discurso imobiliário digital, dada a prática de mercantilização do espaço urbano em Araguaína/TO, no caso do bairro Jardim dos Ipês, não perdendo de vista as contradições que essa prática produz. Já os objetivos específicos estão assim textualizados: analisar como a linguagem verbal e imagética constitui as peças publicitárias (banners digitais e vídeos) da empresa Fix Urbanismo, responsável pela venda de lotes no bairro Jardim dos Ipês, pensando nos sentidos em disputa sobre o espaço urbano da cidade; analisar como a lógica do capital faz trabalhar, discursivamente, representações sobre moradia e qualidade de vida no bairro Jardim dos Ipês; analisar os sentidos silenciados no funcionamento do discurso imobiliário digital sobre o bairro Jardim dos Ipês, considerando o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado pela Fix Urbanismo, com a prefeitura, dada a política urbana de Araguaína-TO. O método da pesquisa é o dialético, pois permitiu enfocar as disputas de sentido entre instituições pública e privada, considerando as contradições no processo de mercantilização do espaço urbano de Araguaína-TO. Sendo assim, as análises foram ancoradas em quatro peças publicitárias, na captura de telas de um vídeo e no TAC, com foco no modo como a questão da moradia e da qualidade de vida são ali significadas. O movimento analítico abordou as formulações verbais, dando destaque para palavras e expressões que nomeiam e que qualificam essas questões no e pelo espaço urbano do bairro Jardim dos Ipês. As formulações imagéticas, também, foram enfocadas, priorizando elementos que passam a integrar e a constituir o modo como essas questões são significadas. Os resultados mostraram que o discurso imobiliário digital operou por meio da mercantilização das emoções, vinculando a felicidade e o sucesso pessoal à compra de uma propriedade privada. O funcionamento de recursos tecnológicos, como imagens aéreas, produziu efeitos de sentido ligados ao controle e à organização total do espaço urbano, silenciando conflitos e disparidades sociais.Item ARRANJOS PRODUTIVOS INTERROMPIDOS EM BABAÇULÂNDIA/TO: modos de individuação do sujeito pelo Estado(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Islana barbosa daA construção de grandes empreendimentos hidrelétricos, como a Usina Hidrelétrica (UHE) de Estreito, gera grandes impactos, afetando diretamente as condições de vida e de trabalho das comunidades locais. Considerando essa premissa, nesta dissertação, analisamos, sob a ótica da Análise do Discurso, as discursivizações e os modos de individuação de sujeitos pertencentes aos Arranjos Produtivos Locais (APLs) interrompidos pela formação do reservatório da UHE em Babaçulândia, Tocantins. Os sujeitos entrevistados são ex-barqueiros, ex-barraqueiros, ex-oleiros, ex-vazanteiros e ex-quebradeiras de coco. Inscritos em uma abordagem qualitativa, a pesquisa baseou-se em entrevistas semiestruturadas, utilizando a técnica de amostragem bola de neve para seleção dos participantes. Os áudios das entrevistas foram transcritos, de onde foram recortadas sequências discursivas (SD); no total foram realizadas 10 entrevistas. A análise tomou como ponto de partida as sequências discursivas para a compreensão de como os sujeitos pertencentes aos APLs significam os impactos advindos da formação do reservatório. Os resultados revelam processos de subjetivação marcados pela ruptura das condições materiais de produção, formações discursivas que contrastam a memória de um passado de autonomia produtiva e de abundância com um presente marcado pela precariedade, pela dependência e pela experiência de injustiça. A análise evidencia diferentes processos discursivos de modos de individuação frente à perda. Concluímos que a interrupção dos APLs desencadeou processos de individuação, marcados pela falha ou pela falta do Estado, moldando as posições-sujeito e as formas como esses indivíduos significam suas trajetórias e resistem ou se resignam diante das transformações impostas. A pesquisa contribui com a compreensão da discursividade subjetiva dos impactos de grandes projetos por meio da ADItem O texto meme nas aulas de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental (9° ano Escolar): entre a opacidade do verbal e do imagético(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SANTOS, Anyelle Borges dosNeste trabalho, apresentamos os resultados de uma pesquisa-ação, interventiva, realizada numa turma de 9° ano de uma escola pública estadual, localizada no município de Conceição do Araguaia, estado do Pará. A chave de leitura perseguida no decorrer da pesquisa foi como os alunos da turma pesquisada leem o texto meme não perdendo de vista a relação entre o verbal e o imagético? Objetivamos problematizar essa relação, pois, dada algumas práticas sociais, há um pré-construído de que o imagético ilustra o verbal. A fim de alcançarmos o objetivo proposto, elaboramos um caderno didático a partir do qual, aula por aula, os alunos foram levados a pensar, primeiro, o imagético; depois, o verbal e, na sequência, o imagético e o verbal em relação. Para fundamentar esse trabalho, filiamo-nos à Análise de Discurso de linha francesa, com aporte teórico de Michel Pêcheux (2015) e Eni P. Orlandi (2020). A pesquisa está estruturada em 3 capítulos nos quais delineamos considerações acerca do texto e da interpretação pelo viés da Análise de Discurso nas aulas de Língua Portuguesa, apresentamos o nosso percurso metodológico e análises de recortes de formulações feitas pelos anos participantes da pesquisa a partir de questões apresentadas do caderno didático por nós elaborado.
