Programa de Pós-graduação em Estudos de Cultura e Território - PPGCult
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O Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura e Território (PPGCult), oferecido no Centro de Ciências Integradas de Araguaína (UFNT), é um curso presencial de pós-graduação stricto sensu reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.
Está inserido na Área Interdisciplinar procurando construir um diálogo com diversas áreas do conhecimento, e tem como objetivo produzir investigações de caráter interdisciplinar sobre a relação entre cultura e território.
A proposta do mestrado é construir objetos de investigação interdisciplinares em torno da relação cultura e território, bem como reconhecer os pressupostos éticos e políticos da pesquisa científica e do saber produzidos no âmbito da Universidade. Também devem estar aptos ao diálogo entre disciplinas, saberes e sujeitos de diversas procedências sociais, bem como ser capazes de desenvolver projetos interdisciplinares de relevância social que impulsionem a mudança social com vistas a participações mais igualitárias do poder.
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Item Os Quilombos da Romaria: linha do tempo, protagonistas e instituições(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) BORGES, Manoel FilhoEsta pesquisa tem por objetivo apresentar as comunidades quilombolas formadas através de romarias em Muricilândia, retratando a linha do tempo, apresentando os protagonistas das formações, bem como descrevendo as instituições criadas por elas. Essas comunidades são a Comunidade Quilombola Dona Juscelina e a Comunidade Quilombola Dona Domicília, inseridas na sede de Muricilândia (TO) e no Povoado de Cocalândia, distrito daquele município. A metodologia utilizada compõe-se de pesquisas documental, bibliográfica e de entrevista etnográfica. A partir das fontes construímos a linha do tempo das comunidades e narramos a trajetória das lideranças iniciais e atuais das duas comunidades, com o foco no Conselho Griô da Comunidade Quilombola Dona Juscelina.Item Os quilombos da Romaria: linha do tempo, protagonistas e instituições.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) BORGES, Manoel FilhoEsta pesquisa tem por objetivo apresentar as comunidades quilombolas formadas através de romarias em Muricilândia, retratando a linha do tempo, apresentando os protagonistas das formações, bem como descrevendo as instituições criadas por elas. Essas comunidades são a Comunidade Quilombola Dona Juscelina e a Comunidade Quilombola Dona Domicília, inseridas na sede de Muricilândia (TO) e no Povoado de Cocalândia, distrito daquele município. A metodologia utilizada compõe-se de pesquisas documental, bibliográfica e de entrevista etnográfica. A partir das fontes construímos a linha do tempo das comunidades e narramos a trajetória das lideranças iniciais e atuais das duas comunidades, com o foco no Conselho Griô da Comunidade Quilombola Dona Juscelina.Item A TERRITORIALIZAÇÃO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO TOCANTINS – CBMTO: IMPLEMENTAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) FIGUEIRA, Rodrigo ReisEste trabalho tem o objetivo de abordar o processo de territorialização e expansão de uma das corporações militares mais recentes do Brasil, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins – CBMTO, com foco no seu estabelecimento na cidade de Araguaína (a segunda maior em termo populacional e umas das mais importantes em termos de relevância para economia estadual, principalmente na região Norte do Estado). O estudo foi provocado pela percepção da ausência do tema em estudos locais, bem como de registros científicos, acadêmicos ou literários sobre essa parte da história e contexto do Estado do Tocantins: a implementação e a atuação do Corpo de Bombeiros, especialmente no norte do Estado. O trabalho se caracteriza como uma pesquisa do tipo bibliográfica e documental, utilizando-se de uma metodologia de pesquisa quali-quantitativa para captação, exploração, estudos e análise dos dados verificados a partir de entrevistas, relatórios de serviços, ocorrências, decretos, diários oficiais, leis e reportagens de jornais. Para tais estudos, nos embasamos teoricamente nas produções de autores que nos trazem luz às noções de território, Estado, poder, sociedade, direitos humanos e, portanto, lançamos mão de Bourdieu, Dallari, Saquet, Haesbaert e Weber. Como resultado buscamos registrar o processo de desmembramento, implementação, estruturação e expansão do Corpo de Bombeiros, bem como, explorar a dimensão das demandas da sociedade para tal processo, das atuações distintas e, ainda, convergindo com a territorialização da corporação na região norte tocantinense a partir de seu processo de desenvolvimento institucional, da sua estruturação física e cidadã dentro do Estado.Item Os cuidadores do comum: a institucionalização do conselho de griô na comunidade quilombola dona Juscelina(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SANTOS, Kamila Ferreira dosNeste trabalho, a partir do diálogo entre pensamento acadêmico e quilombola, procuramos entender como o Conselho Griô se constitui dentro da comunidade a partir da formalização, através do Conselho, da lógica cultural de respeito aos mais velhos, reconhecidos como os detentores da experiência e dos saberes e, assim, do poder. Essa instituição, organizada a partir do comum como princípio político, é formalizada no momento em que a comunidade busca reconhecimento por parte do Estado como comunidade quilombola e, para isso, cria a associação. A metodologia utilizada é o cruzamento de história oral e pesquisa documental. Usaremos as narrativas orais dos griôs bem como documentos escritos do Conselho e da Associação. A pesquisa mostrou que o Conselho funciona dentro da comunidade como cuidador do comum, sendo responsável pela mobilização constante da comunidade em torno da valorização de seu passado, de sua cultura e da formação das futuras gerações através dos jovens griôs. No centro desse processo está o comum como princípio político, mas que é nomeado através do pensamento quilombola como galho, um termo local para mobilização da ancestralidade enquanto conexão entre passado, presente e futuro.Item Dasĩpê uma das festas tradicionais do povo Akwẽ-Xerente(2023) XERENTE, Aparecida Pereira da SilvaEste trabalho tem o objetivo principal de registrar a forma tradicional de realizar a festa Dasĩpê, passando para as novas gerações a importância de resgatar e preservar nosso modo tradicional de viver. A palavra Dasipê significa a festa tradicional, do povo Akwẽ-Xerente. Nesta perspectiva é que foi realizado este trabalho de mestrado junto ao meu povo, indígenas Xerente, autodenominados povo Akwẽ-Xerente. Somos uma das oito etnias que vivem no Estado do Tocantins e habitamos a região central deste, na margem direita do rio Tocantins, no município de Tocantínia, a 75 km de Palmas do estado do Tocantins. A pesquisa é qualitativa, de natureza interdisciplinar sobre cultura e território, vários autores embasaram este estudo especialmente autores e autoras indígenas, recorrendo a história oral por meio de entrevistas com anciãos e da observação participante. As ferramentas foram entrevistas realizadas com roteiros semiestruturados e gravadas, para registro e reflexão sobre o processo de realização de Dasĩpê. Esta atividade tradicional do povo Akwẽ-Xerente, a Festa do Dasĩpê na maioria das vezes acontece no mês de julho de cada ano e, uma vez ou outra pode ser realizada no mês de abril, com duração em média de 15 dias. A pesquisa foi realizada na aldeia Salto-Kripre em 2021 e na aldeia Morrão-Wdêkrẽkwasahu em 2022, onde os responsáveis pela festa cultural são os líderes das aldeias anciões e caciques. No decorrer da festa Dasĩpê várias atividades são desenvolvidas, dentre elas: ritual de nomeação masculino e feminino; corrida de Toras Pequena e Grande; pinturas corporais com ornamentações e adereços, danças culturais e cantorias e, para finalizar a festa, são preparadas e servidas comidas típicas. Por meio destes estudos podemos reforçar a importância da transmissão dos saberes que foram registrados de forma oral, em diálogos com os anciãos, anciãs e algumas lideranças e colaborar para manter as nossas tradições cerimoniais, a nossa cultura e nossas raízes para as gerações futuras.Item Documentário Tocantins rio afogado: paisagens e relatos numa produção fílmica(2023) SILVA, Diogo Pereira daEste trabalho procura discutir as representações narrativas do filme Tocantins Rio Afogado, produzido em 2005 pelos cineastas Hélio Brito e João Luís Neiva Brito. Procuraremos analisar as imagens presentes no filme a partir da categoria de representação e paisagem do autor Stuart Hall, Denis Cosgrove e Giuliana Andreotti. No intuito de problematizar a mobilização de sentidos nesta narrativa cinematográfica fílmica, consideramos que o cinema documentário é linguagem artística. O diálogo para compreensão e ou aproximação da cognição de documentário, discutiremos através dos compilados teóricos em Bill Nicholls (2005). As representações dos sujeitos, estilos de vida, paisagens e as problematizações sobre os sentidos presentes nas imagens, utilizaremos da perspectiva de Stuart Hall (2002, 2006) a partir da semiologia com o conceito de representação, além da construção de paisagem no entendimento político de Cosgrove (1984, 2008, 2012) e paisagens culturais em Andreotti (2010, 2012, 2016). A perspectiva metodológica, para a análise da narrativa fílmica audiovisual do Documentário Tocantins Rio Afogado é norteada pela visão da semiologia discutida por Hall e tem a articulação do método de contraste proposto em Diana Rose (2007), onde ela propõe a realização da seleção, transcrição e análise de cenas que resultem em interpretações diversas por meio de representações de sentidos. Neste propósito buscaremos entender quais as representações presentes nas narrativas dos ribeirinhos bem como nas cenas selecionadas da produção fílmica Tocantins Rio Afogado.Item Agroecologia quilombola: saber e olhar das mulheres e dos homens da comunidade quilombola ilha de São Vicente Araguatins –TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) ROCHA, Jorlando FerreiraO presente trabalho tem como objetivo compreender a função da agroecologia como uma ferramenta na luta pelo território do quilombo da Ilha de São Vicente, destacando sua integração nas práticas produtivas e na rotina diária da comunidade, sendo assim, um elemento de resistência e sobrevivência das famílias quilombolas. Além disso, busca-se analisar as práticas agroecológicas e a divisão de tarefas entre homens e mulheres e como estas fortalecem a valorização do comum dentro do território. Para viabilizar esta compreensão, fomos até a comunidade realizar visitas às famílias, aplicar questionários, registrar imagens de homens e mulheres em seus trabalhos diários. Os resultados aqui apresentados através das falas e imagens mostram o quanto homens e mulheres estão envolvidos em diversas atividades, as atividades agroecológicas são realizadas, tanto por mulheres, quanto por homens, as atividades domésticas como lavar roupas, preparar alimentação são realizadas mais pelas mulheres e as atividades que demandam maior força física ou certas habilidades como tirar palha da palmeira babaçu, carregar madeiras, cobrir casa são realizadas pelos homens do território.Item Práticas interculturais e trajetórias socioespaciais dos/as alunos/as indígenas Apinajé na Universidade Federal do Norte do Tocantins – UFNT do Centro de Educação, Humanidade e Saúde em Tocantinópolis(2023) FARIAS, Marcos da SilvaA presente pesquisa tem por objetivo analisar as trajetórias socioespaciais, e práticas interculturais dos/as estudantes indígenas Apinajé na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) no território acadêmico da cidade de Tocantinópolis (TO). Parto da pesquisa qualitativa, utilizando entrevistas para obter a narrativa e observar as trajetórias socioespaciais dos/as acadêmicos/as indígenas Apinajé. O fato observado que nos últimos anos os/as alunos/as indígenas Apinajé, passaram a ocupar espaços acadêmicos do campus de Tocantinópolis (TO). Situo o referencial teórico, pautando a decolonialidade, como prática de educação transformadora, através dos seguintes teóricos: Mignolo (2003) e Quijano (2005) e nos estudos interdisciplinares pautados na cultura, trajetórias socioespaciais e território através dos seguintes estudiosos: Pombo (2004), Bhabha (1998), Cirqueira (2008) e Saquet (2007). Por meio da pesquisa bibliográfica, ficam nítidas as mudanças sociais, territoriais, educacionais e culturais da etnia Apinajé ao longo dos contatos interétnicos, pois a inserção desse povo na educação superior mostra as novas trajetórias socioespaciais que essa etnia vem estabelecendo nas últimas décadas. Sendo assim a principal problemática que este trabalho alude é compreender como são construídas as práticas interculturais e trajetórias socioespaciais dos/as discentes indígenas Apinajé na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT).Item Agroecologia quilombola: saber e olhar das mulheres e dos homens da comunidade quilombola Ilha de São Vicente Araguatins – TO.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) ROCHA, Jorlando Ferreira.O presente trabalho tem como objetivo compreender a função da agroecologia como uma ferramenta na luta pelo território do quilombo da Ilha de São Vicente, destacando sua integração nas práticas produtivas e na rotina diária da comunidade, sendo assim, um elemento de resistência e sobrevivência das famílias quilombolas. Além disso, busca-se analisar as práticas agroecológicas e a divisão de tarefas entre homens e mulheres e como estas fortalecem a valorização do comum dentro do território. Para viabilizar esta compreensão, fomos até a comunidade realizar visitas às famílias, aplicar questionários, registrar imagens de homens e mulheres em seus trabalhos diários. Os resultados aqui apresentados através das falas e imagens mostram o quanto homens e mulheres estão envolvidos em diversas atividades, as atividades agroecológicas são realizadas, tanto por mulheres, quanto por homens, as atividades domésticas como lavar roupas, preparar alimentação são realizadas mais pelas mulheres e as atividades que demandam maior força física ou certas habilidades como tirar palha da palmeira babaçu, carregar madeiras, cobrir casa são realizadas pelos homens do território.Item A Parteira Tradicional “Mãe Celina”: Desde o parto à benção aos nascidos no Quilombo Dona Juscelina em Muricilândia – TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SANTOS, Francisca Leidiane Privino Gomes dosEsta pesquisa intitulada provisoriamente com A parteira tradicional “Mãe Celina”: Desde o Parto À Benção aos Nacidos no Quilombo Dona Juscelina em Muricilândia - TO traz as narrativas sobre a história de vida da matriarca quilombola Dona Juscelina (in memorian) na realização do trabalho de parteira tradicional. Nesta direção, faz-se relevante o estudo com abordagens biográficas sobre Dona Juscelina (in memorian), com o compromisso de rememorar a construção dos laços de comunidade. A proposta dialoga com a linha de pesquisa “Paisagens, Narrativas e Linguagens”, traz contribuições para as discussões que englobam narrativas orais e a relação entre a identidade étnico-racial quilombola com memórias de sujeitas que revelam trajetórias socioespaciais. A pesquisa objetiva compreender o trabalho de parteira tradicional, exercido por Lucelina Gomes dos Santos (Dona Juscelina - in memorian) e seus desdobramentos sociais em Muricilândia (TO), identificando memórias e narrativas de mulheres que em dores de parto foram cuidadas. Para tal, mobilizamos o método História Oral com técnica de História de vida, para melhor entendermos as nuances expressadas pelas narradoras. Desta forma, Dona Juscelina (in memorian), passou a ser denominada de “Mãe Celina” pelos filhos das mulheres assistidas nos partos naturais e que esses nascidos passam a ser seus “filhos de pegação” (crianças assistidas pelo parto natural). Desta forma, os resultados obtidos até o presente momento revelam que Dona Juscelina (in memorian), através de seus saberes e exercício do trabalho de parteira tradicional, que durante 25 anos (entre as décadas de 1960-1980) realizou 583 partos, contribuem com a construção social de laços comunitários da população de Muricilândia (TO), a partir do concluio entre a parteira, a mulher gestante e o pai da criança gerando relações afetivas de comadrios. Mãe Celina, utilizou seus saberes tradicionais para cuidar das mulheres parturientes, sendo reconhecida por ser uma mulher de fé na religiosidade cristã, deixando seu legado de contribuição social na sua comunidade.Item POVO KRAHÔ E O ESTADO BRASILEIRO: UMA ANÁLISE RELACIONAL DE PROCESSOS CRIMINAIS NAS COMARCAS DE ITACAJÁ E GOIATINS (TO) NOS ANOS DE 2010 A 2021(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SILVA, Rômulo CastroO Povo Krahô é uma etnia indígena cujo território está alocado em uma área tradicionalmente ocupada e denominada Kraolândia, distribuída entre os municípios de Goiatins e Itacajá, no Estado do Tocantins, Brasil, e submetida a competência jurisdicional destas duas comarcas, de acordo com os limites territoriais de cada município. Apesar do Estado brasileiro atribuir autonomia as comunidades indígenas para organizarem e gerirem suas dimensões sócio- política-cultural, existe uma limitação no que pesa aos fatos ocorridos em seu território ou relacionado aos seus membros que se choquem com as regulamentações do direito penal brasileiro, ao passo em que esta autonomia se aplicará somente a situações de baixa complexidade. Nesse seguimento, nas hipóteses em que o Estado entender haver maior complexidade, tais fatos passam a ser gerido pelo Estado-Nação por meio do Poder Judiciário. Assim, o presente trabalho, a partir da análise de 05 processos criminais de interesse das comunidades Krahô, presididos pelas comarcas de Goiatins e de Itacajá entre os anos de 2010 e 2021, estuda os reflexos da atual estrutura da tutela do Estado sobre as comunidades indígenas a partir da perspectiva da aplicação do Direito Penal brasileiro sobre comunidades Krahô, analisando se existem simetrias e correlações entre o direito penal brasileiro com e na estrutura social Krahô, tanto para se compreender a efetividade destes mecanismos, como para perceber se esta sobreposição de epistemes não se trataria de uma nova modalidade de ato colonizador, se pautando no estigma de uma “superioridade racial”, assim como verifica o diálogo ou monólogo que se preside entre os distintos conceitos na perspectiva de teóricos, Estado e indígenas sobre suas práticas culturais quando estas esbarram com os conceitos penais brasileiros. Por fim, entender como, no curso dessas demandas, o direito de proteção da cultura destas comunidades se expressa nessa intervenção do Estado ao buscar o jus puniendi, sendo que também é seu dever promover a proteção aos direitos, cultura, língua e demais aspectos culturais destes povos tradicionais.Item Lutas e resistências de mulheres quebradeiras de coco babaçu: um olhar a partir das práticas dos comuns no território dos babaçuais do povoado Piaçava município de Nazaré/TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Lavina Pereira daEsta pesquisa, está vinculada à linha de pesquisa Paisagens, Narrativas e Linguagens do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Estudos de Cultura e Território (PPGCult) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e tem como objetivo geral, compreender as produções de saberes das mulheres quebradeiras de coco babaçu do povoado Piaçava município de Nazaré/TO, nas décadas de 1960 a 1990, a partir das suas memórias e narrativas buscamos compreender as produções de saberes das mulheres quebradeiras de coco babaçu do povoado Piaçava, município de Nazaré/TO, por ocasião da realização de práticas dos comuns ou adjunto. entender como essas mulheres quebradeiras de coco desenvolveram seus modos de vida durante as décadas em que tiveram acesso livre ao território dos babaçuais e como ocorrem as mudanças geradas pelas ações de fazendeiros. A metodologia utilizada tem como base a História oral, a partir da qual realizamos entrevistas semiestruturadas com oito mulheres quebradeiras de coco na faixa etária de 60 a 87 anos. O critério estabelecido consiste no fato de que essas mulheres vivem no território e experienciaram (ou ainda experienciam) as diversas fases e modos de cultuar o extrativismo do coco babaçu. Para analisar as narrativas e as memórias das interlocutoras, recorri a aportes teóricos de autores e autoras que discutem território, modos de vida e resistência: Rogerio Haesbaert (2006a, 2006b); Pollak (1992, 1989); Olivia Medeiros Cormineiro (2010), e Juscelino Laurindo (2021). As análises das entrevistas permitiram-me compreender como se deu a prática dos comuns com as mulheres quebradeiras de coco babaçu no território dos babaçuais, e qual a relevância do extrativismo desse fruto à comunidade do povoado Piaçava no que se refere às questões socioculturais, políticas e econômicas.Item Dona França e a Ilha de São José: diálogo entre conhecimento acadêmico e ribeirinho(2024) FERREIRA DOS SANTOS, JosielO conhecimento sobre algumas localidades e seus povos, pode fazer mais sentido quando sujeitos daquele local são envolvidos. Por isso, o presente trabalho é uma forma de dar ênfase a um grupo de pessoas, mais necessariamente, a ribeirinhos da Comunidade Ilha de São José, em que Dona França é a protagonista desta pesquisa, pois se trata de alguém com relevância na história que foi conhecida em alguns casos, por apenas uma versão. Destacamos assim, que as usinas hidrelétricas são vistas como progresso para a sociedade, mas para alguns grupos são vistas apenas como oportunidade de lucro para pessoas que não pensam na natureza e no bem-estar de muitos. Com isso, o problema desta pesquisa surgiu a partir de questionamentos oriundos da perspectiva ribeirinha: como falar de uma comunidade que teve seu espaço-território destruído? De que forma iríamos relatar as experiências de uma comunidade que estava às margens da história oficial, inclusive da história da UHE de Estreito, e corria perigo de esquecimento? Assim, o objetivo é dar visibilidade aos sujeitos impactados pelo empreendimento. Desse modo, recorremos à pesquisa qualitativa, em que nos utilizamos da roda de conversa para a realização também das entrevistas com os denominados Mais Velhos, que eram habitantes da Comunidade Ilha de São José, mas voltados sobretudo para a história de Dona França. Autores como Djamila Ribeiro (2021), Paul Thompson (1992), Lysias Rodrigues (1945; 2001) e Kátia Flores (2009), dentre outros pesquisadores, deram embasamento ao trabalho. Tendo em vista que a história foi contada a partir das memórias dos moradores da antiga comunidade, o resultado da pesquisa é concernente à preservação destas histórias na sociedade.Item Universitários/as de camadas populares: processos de afiliação cultural(2024) SANTOS, Gabriel Queiroz dosEste estudo investigou como acadêmicos/as constroem etnométodos, através de suas rotinas e atividades acadêmicas, essenciais para sua afiliação às regras e lógicas da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). A partir de alguns princípios da etnometodologia, uma abordagem qualitativa proposta por Alain Coulon, analisamos as experiências de três estudantes homens e três mulheres, de camadas populares, do 3º ao 8º período de cursos distintos. Os resultados revelaram que o acesso à universidade foi uma jornada individual marcada por persistência e resistência, e que a afiliação cultural tem sido um processo complexo e conflituoso. A análise destacou como os/as estudantes construíram seus etnométodos para assimilar informações diárias e como as ações cotidianas, ao contrário de reforçarem a meritocracia, abriram espaço para discussões sobre responsabilidade social e pedagógica. Essa pesquisa pode fornecer alguns caminhos para a UFNT elaborar políticas públicas de suporte aos/às estudantes ao longo de seus cursos.Item A TERRITORIALIZAÇÃO DAS ESTUDANTES COTISTAS NA UFNT, CÂMPUS ARAGUAÍNA/TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Bruna de Souza daEssa pesquisa reconstituiu as experiências de estudantes negras que ingressaram na UFNT por meio das Ações Afirmativas, as Cotas Raciais, a partir de suas perspectivas e memórias das vivências racistas desde a infância até os processos de territorialização na Universidade Federal do Norte do Tocantins, localizada em Araguaína, região extremo Norte do Tocantins. As estudantes que fazem parte dessa pesquisa estudam no Centro de Ciências Integradas e são atendidas pelo sistema de Cotas Raciais, ação reparatória direcionada a algumas minorias que foram marginalizadas ao longo do contexto histórico do Brasil, a exemplo da população negra. Esse contexto histórico político-cultural-econômico possui origem na colonização, sistema que foi sustentado pela escravização em massa de africanos e afro-brasileiros no Brasil, resultando em um dos maiores genocídios dos povos indígenas e africanos da história. Desse modo, partindo do princípio de que a Universidade é um território institucionalizado e de disputa, e, portanto, não está isenta dessa estrutura racista e hegemônica, propomos investigar a trajetória acadêmica de quatro estudantes cotistas. A partir da abordagem das interseccionalidades (COLLINS, 2019; GONZALEZ, 2020), buscaremos analisar como essas estudantes articulam-se, no âmbito das relações entre identidade étnico-racial (HALL, 2003) e suas experiências de territorialização (HAESBAERT, 2004), enquanto estudantes negras cotistas na Universidade. A pesquisa está debruçada teórico- metodologicamente na revisão de literatura sobre questões étnico-raciais e Feminismo Negro, assim como os estudos envolvendo Cultura e Território. Por ser um tema sensível e que envolve nuances traumáticas, optamos por trabalhar metodologicamente com a História Oral (THOMPSON, 1992), visando reconstituir dialogicamente as trajetórias de vida dessas estudantes. Mobilizando o procedimento qualitativo da história de vida, evocando memórias que nos auxiliaram a compreender como suas identidades étnico-raciais foram sendo constituídas em meio aos violentos processos de racismo e sexismo envolvidos na trajetória educacional até a territorialização do espaço acadêmico. Dessa forma, a pesquisa evidenciou que, apesar das dificuldades trazidas pelo espaço acadêmico, como os conflitos, o desejo de desistência, o racismo, a burocracia e as interseccionalidades que se cruzam, as interlocutoras criaram mecanismos de resistência e de ressignificação do espaço. Criando significados a partir do pertencimento em determinados grupos raciais, reivindicando a própria negritude, seja nos laços criados de amizades, nas articulações com movimentos sociais e coletivos, ou nas diversas experiências vivenciadas dentro da Universidade.Item A (des)virtude de ser e existir: o protagonismo negro em Hollywood, representações e estereótipos(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Marcos Douglas Lima eEste estudo investiga a representação do protagonismo negro no cinema hollywoodiano, com o objetivo de compreender como ele é frequentemente retratado de maneira estereotipada. A análise se concentra nos filmes "A Princesa e o Sapo" (2009) e "Um espião animal" (2020), que representam pessoas negras como animais. A pesquisa utiliza a teoria semiótica de Martine Joly (1994) e a perspectiva de Hall (2016) sobre representação. A influência das representações cinematográficas na imaginação social e na construção da identidade é discutida com base nas teorias de Douglas Kellner (2001) e Stuart Hall (2016). A violência na representação de negros em Hollywood é abordada a partir do trabalho de Silva (2018). Turner (1997) é utilizado para enfatizar o cinema como uma prática social que vai além do entretenimento. Mills (2023) explora o "Contrato Racial", evidenciando como a supremacia branca molda a sociedade e perpetua a segregação racial. Discussões de bell Hooks (2019), Angela Davis (2018) e Sueli Carneiro (2006) são usadas para abordar a resistência decolonial, a opressão histórica enfrentada pela população negra e a noção de pensamento abissal de Santos (2007). A análise final dos filmes ilustra a prevalência de representações estereotipadas da população negra no cinema hollywoodiano, destacando a violência, a subalternização e a objetificação dos corpos negros.Item VALORIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ÉTNICO RACIAL: Vivências e representações do cabelo e corpo negro nas ações do Projeto Negra Flor de Girassol(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) LIMA, Maria Zilma GabinoEste trabalho teve como objetivo geral demonstrar como ocorre o processo de valorização e construção da identidade étnico-racial mediante projetos interventivos que contribuem para o desenvolvimento intelectual, bem como estimulam o posicionamento de alunos negros através do enfrentamento e questionamentos de suas vivências, tomando como objeto de análise o projeto Negra Flor de Girassol, realizado no Colégio Campos Brasil, situado no extremo sul da cidade de Araguaína, no Norte do Tocantins. Entre os objetivos específicos destacamos: Investigar a contribuição do projeto Negra Flor de Girassol para a transformação de alunos, no que tange aos discursos sobre o corpo e a estética negra no ambiente escolar; analisar as vivências de alunos negros, na referida escola, considerando as temporalidades; demonstrar como tem se dado a formação humana dos discentes a partir das discussões e atividades realizadas pelo projeto. Para compreender as raízes e efeitos do racismo entranhado na escola, esta dissertação buscou entender o processo histórico de exclusão (i)legal dos sujeitos negros ao direito de estudar. Com o direito de estudar garantido legalmente e com as questões raciais amparadas pela Lei 10.639/2003, reflito como a rejeição ao corpo negro no território escolar por meio do racismo recreativo e do epistemicídio, operou durante séculos e ainda se constituem em negação simbólica ao direito pleno à educação. A partir dessas análises, compreende-se como esse conjunto de violências simbólicas atacam o corpo negro por meio das representações inferiorizadas no território escolar, utilizando para a depreciação, os fenótipos cor da pele e cabelos — crespos e cacheados — e a cultura negra.Item Cultura, resiliência comunitária e cidadania: a Associação Companhia de Teatro e dança arte livre de Porto Franco - MA (2006-2023)(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) OLIVEIRA, Edvan da SilvaEsta pesquisa interdisciplinar, tomando como base as chamadas “epistemologias do sul” como em Ramos Júnior (2020), busca investigar, a partir das ações da associação Companhia de Teatro e Dança Arte Livre - CIATDAL, a possibilidade de uma economia e política do comum, ao mesmo tempo em que discute as razões pelas quais vozes negras, mulheres e grupos periféricos são invisibilizados no currículo escolar e na prática cotidiana. A dissertação está centrada nas narrativas dos participantes que foram coletadas com os associados da CIATDAL por meio de entrevistas, questionários, estudos de documentos, revisão bibliográfica e observação participante entre 2010 e 2024. Esse contexto envolve o período em que o município de Porto Franco desponta como uma nova fronteira agrícola do país, na visão da mídia local e nacional. Sendo a associação um espaço de arte, cultura e educação popular, tem-se formas de resistência contra práticas coloniais e capitalistas, um lugar que provoca à necessidade de instituições mais abertas e inclusivas, especialmente para os sujeitos que integram as comunidades e territorialidades marginalizadas.Item Meios de vida e resistência à expansão do agronegócio: os quintais produtivos como garantia da territorialização das famílias do Baixão dos Cocos em Darcinópolis - TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) ABREU, Dione Cley Bento deOs quintais produtivos apresentam-se, em regiões do cerrado brasileiro, como uma importante estratégia de cultivo e diversificação alimentar. Para as famílias que fazem manejo nos quintais na região do Baixão dos Cocos no município de Darcinópolis-TO, essas zonas no entorno da casa, constituídas de interações de seus componentes, são utilizadas como ambientes de produção agroecológica e reprodução cultural dos saberes e modos de vida local. O uso desses espaços tem tomado consistência no território tocantinense e, o manejo agroecológico dos quintais, passou a ter um significado cultural, social e econômico para as famílias que vivem nessa região. O crescimento do agronegócio pode resultar na expansão de grandes fazendas e na adoção de práticas intensivas de produção, o que impacta negativamente os pequenos agricultores e as comunidades tradicionais. E isso pode ocorrer por meio da concentração de terras, uso extensivo de agrotóxicos e monoculturas; deslocamento de comunidades locais e redução da diversidade agrícola. Nesse sentido, este trabalho buscou, compreender, como os quintais produtivos têm garantido a territorialização das famílias frente à expansão do agronegócio, considerando os processos de estruturação produtiva, social e ambiental. Por meio desta pesquisa, busca-se fortalecer a visibilidade da cultura local com enfoque na questão ambiental, visando a promoção do desenvolvimento sustentável em consonância da convivência com o cerrado e a promoção da conservação do ambiente. A dissertação está orientada pela pesquisa qualitativa. As técnicas de coleta de dados tiveram como eixos fundamentais o processo de entrevistas semiestruturada, escutas, diálogos e trocas de informações como forma de compreender fenômenos a partir da perspectiva dos sujeitos envolvidos. Esses recursos metodológicos foram empregados com o objetivo de construir uma narrativa compartilhada e aprofundada sobre os temas investigados, valorizando a interação e o contexto dos participantes como elementos centrais do processo investigativo. Os resultados apontaram que os quintais produtivos têm se apresentado como uma importante alternativa para a conservação ambiental, desempenhando um papel crucial na preservação da diversidade agrícola e na manutenção e continuidade das tradições locais. Portanto, a partir das informações apresentadas, pode-se identificar as mudanças ocorridas no contexto social, econômico e cultural das famílias envolvidas na pesquisa e a permanência delas com as práticas nos quintais mesmo com a presença da expansão do agronegócio. Apesar das mudanças significativas causadas por esse modelo de produção em larga escala, é notável a resistência e a permanência das práticas tradicionais nos quintais familiares que desempenham um papel crucial na manutenção do modo de vida e da segurança alimentar dessas famílias.Item A pandemia do covid-19 no Colégio Estadual Jardim Paulista na perspectiva das mulheres professoras(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) COSTA, Wanessa Lorenna De Sousa MirandaA presente pesquisa analisou narrativas sobre a vida de mulheres professoras do Colégio Estadual Jardim Paulista no período pandêmico, nos anos de 2020, 2021 e 2022, na cidade de Araguaína, Tocantins. Essas professoras tiveram sua jornada de trabalho dobrada, ficando em casa e trabalhando no home office. Com a pandemia, todas as aulas foram desenvolvidas sob um modelo remoto, mediadas pelo uso das tecnologias digitais. A pesquisa trouxe informações importantes sobre os desafios encontrados neste período de pandemia. No cenário da educação, com as escolas fechadas e o ensino não presencial, professores(as) de todo o país tiveram que, de uma hora para outra, ministrar aulas não presenciais durante a pandemia da COVID- 19. Com a pandemia do coronavírus, as desigualdades que já existiam na educação básica se agravaram ainda mais, ampliando as desigualdades territoriais presentes em nossa sociedade. As aulas remotas mudaram a rotina dos profissionais da educação, que tiveram que se adaptar às novas ferramentas tecnológicas, sem treinamento ou cursos para capacitá-los ao novo formato de ensino remoto. A vida de muitos alunos e do corpo docente foi afetada, sendo necessário mudar suas rotinas para se adaptarem ao novo modelo de estudo e trabalho que surgiu em um período de medo, dúvidas e incertezas.
