Programa de Pós-graduação em Estudos de Cultura e Território - PPGCult
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O Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura e Território (PPGCult), oferecido no Centro de Ciências Integradas de Araguaína (UFNT), é um curso presencial de pós-graduação stricto sensu reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.
Está inserido na Área Interdisciplinar procurando construir um diálogo com diversas áreas do conhecimento, e tem como objetivo produzir investigações de caráter interdisciplinar sobre a relação entre cultura e território.
A proposta do mestrado é construir objetos de investigação interdisciplinares em torno da relação cultura e território, bem como reconhecer os pressupostos éticos e políticos da pesquisa científica e do saber produzidos no âmbito da Universidade. Também devem estar aptos ao diálogo entre disciplinas, saberes e sujeitos de diversas procedências sociais, bem como ser capazes de desenvolver projetos interdisciplinares de relevância social que impulsionem a mudança social com vistas a participações mais igualitárias do poder.
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Item Os quilombos da Romaria: linha do tempo, protagonistas e instituições.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) BORGES, Manoel FilhoEsta pesquisa tem por objetivo apresentar as comunidades quilombolas formadas através de romarias em Muricilândia, retratando a linha do tempo, apresentando os protagonistas das formações, bem como descrevendo as instituições criadas por elas. Essas comunidades são a Comunidade Quilombola Dona Juscelina e a Comunidade Quilombola Dona Domicília, inseridas na sede de Muricilândia (TO) e no Povoado de Cocalândia, distrito daquele município. A metodologia utilizada compõe-se de pesquisas documental, bibliográfica e de entrevista etnográfica. A partir das fontes construímos a linha do tempo das comunidades e narramos a trajetória das lideranças iniciais e atuais das duas comunidades, com o foco no Conselho Griô da Comunidade Quilombola Dona Juscelina.Item A TERRITORIALIZAÇÃO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO TOCANTINS – CBMTO: IMPLEMENTAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) FIGUEIRA, Rodrigo ReisEste trabalho tem o objetivo de abordar o processo de territorialização e expansão de uma das corporações militares mais recentes do Brasil, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins – CBMTO, com foco no seu estabelecimento na cidade de Araguaína (a segunda maior em termo populacional e umas das mais importantes em termos de relevância para economia estadual, principalmente na região Norte do Estado). O estudo foi provocado pela percepção da ausência do tema em estudos locais, bem como de registros científicos, acadêmicos ou literários sobre essa parte da história e contexto do Estado do Tocantins: a implementação e a atuação do Corpo de Bombeiros, especialmente no norte do Estado. O trabalho se caracteriza como uma pesquisa do tipo bibliográfica e documental, utilizando-se de uma metodologia de pesquisa quali-quantitativa para captação, exploração, estudos e análise dos dados verificados a partir de entrevistas, relatórios de serviços, ocorrências, decretos, diários oficiais, leis e reportagens de jornais. Para tais estudos, nos embasamos teoricamente nas produções de autores que nos trazem luz às noções de território, Estado, poder, sociedade, direitos humanos e, portanto, lançamos mão de Bourdieu, Dallari, Saquet, Haesbaert e Weber. Como resultado buscamos registrar o processo de desmembramento, implementação, estruturação e expansão do Corpo de Bombeiros, bem como, explorar a dimensão das demandas da sociedade para tal processo, das atuações distintas e, ainda, convergindo com a territorialização da corporação na região norte tocantinense a partir de seu processo de desenvolvimento institucional, da sua estruturação física e cidadã dentro do Estado.Item Os Quilombos da Romaria: linha do tempo, protagonistas e instituições(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) BORGES, Manoel FilhoEsta pesquisa tem por objetivo apresentar as comunidades quilombolas formadas através de romarias em Muricilândia, retratando a linha do tempo, apresentando os protagonistas das formações, bem como descrevendo as instituições criadas por elas. Essas comunidades são a Comunidade Quilombola Dona Juscelina e a Comunidade Quilombola Dona Domicília, inseridas na sede de Muricilândia (TO) e no Povoado de Cocalândia, distrito daquele município. A metodologia utilizada compõe-se de pesquisas documental, bibliográfica e de entrevista etnográfica. A partir das fontes construímos a linha do tempo das comunidades e narramos a trajetória das lideranças iniciais e atuais das duas comunidades, com o foco no Conselho Griô da Comunidade Quilombola Dona Juscelina.Item Procon e as demandas consumeristas: aspectos da luta em defesa do consumidor idoso em Araguaína no período de 2018 a 2020(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) VASCONCELOS, Renata Aguiar deA presente pesquisa buscou desenvolver-se a partir da necessidade de oferecer um olhar acadêmico sobre as demandas consumeristas dos idosos, no âmbito de atuação do PROCON de Araguaína - TO, e também focar nos empréstimos consignados junto aos agentes financeiros, no período de 2018 a 2020. Nesse intervalo percebeu-se um aumento significativo de processos administrativos abertos por idosos. Essas demandas expõem esses sujeitos a transtornos de vários tipos, tais como: situação de desinformação, exploração financeira, violação de direitos consumeristas, desconforto de deslocamentos físicos, além de gastos na resolução de problemas oriundos destes empréstimos consignados. Esse leque de situações pode ser conduzido sob conceitos de territorialidades (i)materiais, que se dão no âmbito das práticas cotidianas nas várias esferas da vida social. Neste sentido, nosso esforço de abordagem é concebido no âmbito das territorialidades (i)materiais, em um empenho no diálogo teórico das demandas envolvendo idosos e empréstimos consignados, que originaram processos no âmbito do PROCON de Araguaína. A presente pesquisa visou analisar e apontar algumas das implicações oriundas dos processos envolvendo consignados, como também questões próprias que dizem respeito ao público de consumidores idosos. Percebemos que os sujeitos idosos possuem características próprias enquanto grupo de consumidores distintos, que os colocam em situação de vulnerabilidade frente às práticas de mercado.Item MULHERES CAMPONESAS E SUA PARTICIPAÇÃO NA LUTA POR TERRA E TERRITÓRIO: Assentamento Oziel Alves, Porto Franco/MA(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) MORAIS, Alessandra da ConceiçãoA presente pesquisa buscou compreender, por meio das memórias de mulheres camponesas, sua participação no processo de luta pela terra e pelo território do Assentamento Oziel Alves, Porto Franco, MA. Dentre as várias lutas travadas por essas mulheres, percebemos, nas leituras, a presença feminina ocupando importantes espaços no campo de luta, político, econômico, cultural e social. No Brasil, elas se apresentam no cenário a partir da década de 1970, o que se deu pela força organizativa dos movimentos populares. São tempos de lutas vividos pelas camponesas, que trazem, em suas memórias, momentos difíceis, mas que lhes trouxeram um grande resultado: a conquista da terra. A metodologia utilizada na pesquisa foi a História oral com história de vida e as entrevistas semiestruturadas com cinco mulheres camponesas que estiveram à frente, desde o início, da luta e da formação do acampamento. A partir dessas narrativas, destacaremos as histórias de vida das mulheres assentadas, dando ênfase a sua participação na luta pela terra. A pesquisa indicou que as mulheres camponesas do assentamento Oziel Alves enfrentaram policiais, fazendeiros, políticos e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nessa luta. Trazem, em suas memórias, a luta, o medo, a dor, a alegria e a vitória. São mulheres que desafiaram a si mesmas para conquistar o direito à terra: o direito de plantar, de colher e de trabalhar na roça. A luta segue por outros direitos que, apesar de ainda não terem sido conquistados, já existem enquanto políticas públicas, como é o caso de educação, estradas e saúde.Item “É NO FIM QUE ESTÁ O COMEÇO”: Autoetnografia e disputa de sentidos(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2022) MACHADO, LeadorIniciei este trabalho fazendo uma pesquisa sobre a atuação do Poder Judiciário no processo de concentração e de avanço do agronegócio sobre terras de comunidades tradicionais em Serra do Centro. Em princípio, o método original era do estudo de caso consistente na análise do processo judicial que determinou a reintegração de posse de uma associação de sojicultores nas terras disputadas pelos posseiros que ali se encontravam. A pergunta a ser respondida era se poderia ver ali reiterado um padrão de comportamento do Poder Judiciário. Os estudos levaram ao entendimento pela participação parcial desse poder no processo de concentração de terras que passei a denominar, com base em indicativos bibliográficos, como “grilagem verde”, pois incidia sobre as terras de moradia dessas comunidades, junto aos baixões, que eram indicados pelo agronegócio como reserva legal de seus empreendimentos. Além disso, havia uma orientação do Conselho Nacional de Justiça para que, nesses conflitos, os juízes se atentassem para a segurança jurídica dos investidores e empreendedores em primeiro plano. Após a qualificação, concluindo que a história vivida pelos posseiros de Serra do Centro coincidia com minha própria história e com a história da maioria do povo brasileiro no último século, mudei o método de pesquisa, passando a trabalhar, por sugestão dos examinadores, com autoetnografia, incluindo minha biografia e, com base nela, analisei o desenvolvimento do sistema capitalista no período estudado e, junto com ele o papel do Estado e do Poder Judiciário nesses conflitos. Já na condição de produto e produtor, começo por descrever minha vida na roça e a decisão da migração, aprofundando conceitos como de “comunidades tradicionais”, “terras tradicionalmente ocupadas” e “posseiro”, ligando minha história à daquelas famílias de Serra Centro. A partir da decisão de migrar analiso o movimento histórico do sistema capitalista que desloca multidões de pessoas do campo para cidade, dando início ao processo de “acumulação primitiva” e formação de um exército de mão-de-obra de reserva. Na cidade, trabalhando como metalúrgico, debruço-me sobre questões como consciência de classe, a militância política e militância social. Com o curso de direito, revisto-me das condições para fazer uma primeira análise do funcionamento do Estado. Com a integração na magistratura e 13 anos de experiência judicante passo a fazer uma análise mais aprofundada da atuação da magistratura no caso estudado, somada a uma análise mais detida a respeito do próprio papel do Estado no sistema capitalista. Para tanto são apreciados conceitos como “mercadoria”, propriedade privada, sujeito de direito, norma jurídica e Estado. De posse de tudo isso, volto à Serra do Centro e analiso o sistema que nos levou até a encruzilhada em que vivemos hoje, passando a expor as duas racionalidades que se enfrentam nessa situação de fronteira. De caráter interdisciplinar, a pesquisa mobilizou estudos relativos a noções de território e territorialidade, comunidades tradicionais, autoetnografia, fundamentos da teoria marxista. O corpus mobilizado para análise foi decisão judicial que definiu a posse da terra a grupos empresariais, em detrimento dos pequenos agricultores. O problema enfrentado, portanto, foi o conflito entre duas racionalidades em situação de fronteira. A metodologia foi da autoetnografia. Os resultados parciais são no sentido de que essas duas racionalidades são inconciliáveis e que é premente um novo começo.Item Os cuidadores do comum: a institucionalização do conselho de griô na comunidade quilombola dona Juscelina(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SANTOS, Kamila Ferreira dosNeste trabalho, a partir do diálogo entre pensamento acadêmico e quilombola, procuramos entender como o Conselho Griô se constitui dentro da comunidade a partir da formalização, através do Conselho, da lógica cultural de respeito aos mais velhos, reconhecidos como os detentores da experiência e dos saberes e, assim, do poder. Essa instituição, organizada a partir do comum como princípio político, é formalizada no momento em que a comunidade busca reconhecimento por parte do Estado como comunidade quilombola e, para isso, cria a associação. A metodologia utilizada é o cruzamento de história oral e pesquisa documental. Usaremos as narrativas orais dos griôs bem como documentos escritos do Conselho e da Associação. A pesquisa mostrou que o Conselho funciona dentro da comunidade como cuidador do comum, sendo responsável pela mobilização constante da comunidade em torno da valorização de seu passado, de sua cultura e da formação das futuras gerações através dos jovens griôs. No centro desse processo está o comum como princípio político, mas que é nomeado através do pensamento quilombola como galho, um termo local para mobilização da ancestralidade enquanto conexão entre passado, presente e futuro.Item Dasĩpê uma das festas tradicionais do povo Akwẽ-Xerente(2023) XERENTE, Aparecida Pereira da SilvaEste trabalho tem o objetivo principal de registrar a forma tradicional de realizar a festa Dasĩpê, passando para as novas gerações a importância de resgatar e preservar nosso modo tradicional de viver. A palavra Dasipê significa a festa tradicional, do povo Akwẽ-Xerente. Nesta perspectiva é que foi realizado este trabalho de mestrado junto ao meu povo, indígenas Xerente, autodenominados povo Akwẽ-Xerente. Somos uma das oito etnias que vivem no Estado do Tocantins e habitamos a região central deste, na margem direita do rio Tocantins, no município de Tocantínia, a 75 km de Palmas do estado do Tocantins. A pesquisa é qualitativa, de natureza interdisciplinar sobre cultura e território, vários autores embasaram este estudo especialmente autores e autoras indígenas, recorrendo a história oral por meio de entrevistas com anciãos e da observação participante. As ferramentas foram entrevistas realizadas com roteiros semiestruturados e gravadas, para registro e reflexão sobre o processo de realização de Dasĩpê. Esta atividade tradicional do povo Akwẽ-Xerente, a Festa do Dasĩpê na maioria das vezes acontece no mês de julho de cada ano e, uma vez ou outra pode ser realizada no mês de abril, com duração em média de 15 dias. A pesquisa foi realizada na aldeia Salto-Kripre em 2021 e na aldeia Morrão-Wdêkrẽkwasahu em 2022, onde os responsáveis pela festa cultural são os líderes das aldeias anciões e caciques. No decorrer da festa Dasĩpê várias atividades são desenvolvidas, dentre elas: ritual de nomeação masculino e feminino; corrida de Toras Pequena e Grande; pinturas corporais com ornamentações e adereços, danças culturais e cantorias e, para finalizar a festa, são preparadas e servidas comidas típicas. Por meio destes estudos podemos reforçar a importância da transmissão dos saberes que foram registrados de forma oral, em diálogos com os anciãos, anciãs e algumas lideranças e colaborar para manter as nossas tradições cerimoniais, a nossa cultura e nossas raízes para as gerações futuras.Item Documentário Tocantins rio afogado: paisagens e relatos numa produção fílmica(2023) SILVA, Diogo Pereira daEste trabalho procura discutir as representações narrativas do filme Tocantins Rio Afogado, produzido em 2005 pelos cineastas Hélio Brito e João Luís Neiva Brito. Procuraremos analisar as imagens presentes no filme a partir da categoria de representação e paisagem do autor Stuart Hall, Denis Cosgrove e Giuliana Andreotti. No intuito de problematizar a mobilização de sentidos nesta narrativa cinematográfica fílmica, consideramos que o cinema documentário é linguagem artística. O diálogo para compreensão e ou aproximação da cognição de documentário, discutiremos através dos compilados teóricos em Bill Nicholls (2005). As representações dos sujeitos, estilos de vida, paisagens e as problematizações sobre os sentidos presentes nas imagens, utilizaremos da perspectiva de Stuart Hall (2002, 2006) a partir da semiologia com o conceito de representação, além da construção de paisagem no entendimento político de Cosgrove (1984, 2008, 2012) e paisagens culturais em Andreotti (2010, 2012, 2016). A perspectiva metodológica, para a análise da narrativa fílmica audiovisual do Documentário Tocantins Rio Afogado é norteada pela visão da semiologia discutida por Hall e tem a articulação do método de contraste proposto em Diana Rose (2007), onde ela propõe a realização da seleção, transcrição e análise de cenas que resultem em interpretações diversas por meio de representações de sentidos. Neste propósito buscaremos entender quais as representações presentes nas narrativas dos ribeirinhos bem como nas cenas selecionadas da produção fílmica Tocantins Rio Afogado.Item Práticas interculturais e trajetórias socioespaciais dos/as alunos/as indígenas Apinajé na Universidade Federal do Norte do Tocantins – UFNT do Centro de Educação, Humanidade e Saúde em Tocantinópolis(2023) FARIAS, Marcos da SilvaA presente pesquisa tem por objetivo analisar as trajetórias socioespaciais, e práticas interculturais dos/as estudantes indígenas Apinajé na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) no território acadêmico da cidade de Tocantinópolis (TO). Parto da pesquisa qualitativa, utilizando entrevistas para obter a narrativa e observar as trajetórias socioespaciais dos/as acadêmicos/as indígenas Apinajé. O fato observado que nos últimos anos os/as alunos/as indígenas Apinajé, passaram a ocupar espaços acadêmicos do campus de Tocantinópolis (TO). Situo o referencial teórico, pautando a decolonialidade, como prática de educação transformadora, através dos seguintes teóricos: Mignolo (2003) e Quijano (2005) e nos estudos interdisciplinares pautados na cultura, trajetórias socioespaciais e território através dos seguintes estudiosos: Pombo (2004), Bhabha (1998), Cirqueira (2008) e Saquet (2007). Por meio da pesquisa bibliográfica, ficam nítidas as mudanças sociais, territoriais, educacionais e culturais da etnia Apinajé ao longo dos contatos interétnicos, pois a inserção desse povo na educação superior mostra as novas trajetórias socioespaciais que essa etnia vem estabelecendo nas últimas décadas. Sendo assim a principal problemática que este trabalho alude é compreender como são construídas as práticas interculturais e trajetórias socioespaciais dos/as discentes indígenas Apinajé na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT).Item Agroecologia quilombola: saber e olhar das mulheres e dos homens da comunidade quilombola Ilha de São Vicente Araguatins – TO.(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) ROCHA, Jorlando Ferreira.O presente trabalho tem como objetivo compreender a função da agroecologia como uma ferramenta na luta pelo território do quilombo da Ilha de São Vicente, destacando sua integração nas práticas produtivas e na rotina diária da comunidade, sendo assim, um elemento de resistência e sobrevivência das famílias quilombolas. Além disso, busca-se analisar as práticas agroecológicas e a divisão de tarefas entre homens e mulheres e como estas fortalecem a valorização do comum dentro do território. Para viabilizar esta compreensão, fomos até a comunidade realizar visitas às famílias, aplicar questionários, registrar imagens de homens e mulheres em seus trabalhos diários. Os resultados aqui apresentados através das falas e imagens mostram o quanto homens e mulheres estão envolvidos em diversas atividades, as atividades agroecológicas são realizadas, tanto por mulheres, quanto por homens, as atividades domésticas como lavar roupas, preparar alimentação são realizadas mais pelas mulheres e as atividades que demandam maior força física ou certas habilidades como tirar palha da palmeira babaçu, carregar madeiras, cobrir casa são realizadas pelos homens do território.Item POVO KRAHÔ E O ESTADO BRASILEIRO: UMA ANÁLISE RELACIONAL DE PROCESSOS CRIMINAIS NAS COMARCAS DE ITACAJÁ E GOIATINS (TO) NOS ANOS DE 2010 A 2021(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SILVA, Rômulo CastroO Povo Krahô é uma etnia indígena cujo território está alocado em uma área tradicionalmente ocupada e denominada Kraolândia, distribuída entre os municípios de Goiatins e Itacajá, no Estado do Tocantins, Brasil, e submetida a competência jurisdicional destas duas comarcas, de acordo com os limites territoriais de cada município. Apesar do Estado brasileiro atribuir autonomia as comunidades indígenas para organizarem e gerirem suas dimensões sócio- política-cultural, existe uma limitação no que pesa aos fatos ocorridos em seu território ou relacionado aos seus membros que se choquem com as regulamentações do direito penal brasileiro, ao passo em que esta autonomia se aplicará somente a situações de baixa complexidade. Nesse seguimento, nas hipóteses em que o Estado entender haver maior complexidade, tais fatos passam a ser gerido pelo Estado-Nação por meio do Poder Judiciário. Assim, o presente trabalho, a partir da análise de 05 processos criminais de interesse das comunidades Krahô, presididos pelas comarcas de Goiatins e de Itacajá entre os anos de 2010 e 2021, estuda os reflexos da atual estrutura da tutela do Estado sobre as comunidades indígenas a partir da perspectiva da aplicação do Direito Penal brasileiro sobre comunidades Krahô, analisando se existem simetrias e correlações entre o direito penal brasileiro com e na estrutura social Krahô, tanto para se compreender a efetividade destes mecanismos, como para perceber se esta sobreposição de epistemes não se trataria de uma nova modalidade de ato colonizador, se pautando no estigma de uma “superioridade racial”, assim como verifica o diálogo ou monólogo que se preside entre os distintos conceitos na perspectiva de teóricos, Estado e indígenas sobre suas práticas culturais quando estas esbarram com os conceitos penais brasileiros. Por fim, entender como, no curso dessas demandas, o direito de proteção da cultura destas comunidades se expressa nessa intervenção do Estado ao buscar o jus puniendi, sendo que também é seu dever promover a proteção aos direitos, cultura, língua e demais aspectos culturais destes povos tradicionais.Item Agroecologia quilombola: saber e olhar das mulheres e dos homens da comunidade quilombola ilha de São Vicente Araguatins –TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) ROCHA, Jorlando FerreiraO presente trabalho tem como objetivo compreender a função da agroecologia como uma ferramenta na luta pelo território do quilombo da Ilha de São Vicente, destacando sua integração nas práticas produtivas e na rotina diária da comunidade, sendo assim, um elemento de resistência e sobrevivência das famílias quilombolas. Além disso, busca-se analisar as práticas agroecológicas e a divisão de tarefas entre homens e mulheres e como estas fortalecem a valorização do comum dentro do território. Para viabilizar esta compreensão, fomos até a comunidade realizar visitas às famílias, aplicar questionários, registrar imagens de homens e mulheres em seus trabalhos diários. Os resultados aqui apresentados através das falas e imagens mostram o quanto homens e mulheres estão envolvidos em diversas atividades, as atividades agroecológicas são realizadas, tanto por mulheres, quanto por homens, as atividades domésticas como lavar roupas, preparar alimentação são realizadas mais pelas mulheres e as atividades que demandam maior força física ou certas habilidades como tirar palha da palmeira babaçu, carregar madeiras, cobrir casa são realizadas pelos homens do território.Item A Parteira Tradicional “Mãe Celina”: Desde o parto à benção aos nascidos no Quilombo Dona Juscelina em Muricilândia – TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2023) SANTOS, Francisca Leidiane Privino Gomes dosEsta pesquisa intitulada provisoriamente com A parteira tradicional “Mãe Celina”: Desde o Parto À Benção aos Nacidos no Quilombo Dona Juscelina em Muricilândia - TO traz as narrativas sobre a história de vida da matriarca quilombola Dona Juscelina (in memorian) na realização do trabalho de parteira tradicional. Nesta direção, faz-se relevante o estudo com abordagens biográficas sobre Dona Juscelina (in memorian), com o compromisso de rememorar a construção dos laços de comunidade. A proposta dialoga com a linha de pesquisa “Paisagens, Narrativas e Linguagens”, traz contribuições para as discussões que englobam narrativas orais e a relação entre a identidade étnico-racial quilombola com memórias de sujeitas que revelam trajetórias socioespaciais. A pesquisa objetiva compreender o trabalho de parteira tradicional, exercido por Lucelina Gomes dos Santos (Dona Juscelina - in memorian) e seus desdobramentos sociais em Muricilândia (TO), identificando memórias e narrativas de mulheres que em dores de parto foram cuidadas. Para tal, mobilizamos o método História Oral com técnica de História de vida, para melhor entendermos as nuances expressadas pelas narradoras. Desta forma, Dona Juscelina (in memorian), passou a ser denominada de “Mãe Celina” pelos filhos das mulheres assistidas nos partos naturais e que esses nascidos passam a ser seus “filhos de pegação” (crianças assistidas pelo parto natural). Desta forma, os resultados obtidos até o presente momento revelam que Dona Juscelina (in memorian), através de seus saberes e exercício do trabalho de parteira tradicional, que durante 25 anos (entre as décadas de 1960-1980) realizou 583 partos, contribuem com a construção social de laços comunitários da população de Muricilândia (TO), a partir do concluio entre a parteira, a mulher gestante e o pai da criança gerando relações afetivas de comadrios. Mãe Celina, utilizou seus saberes tradicionais para cuidar das mulheres parturientes, sendo reconhecida por ser uma mulher de fé na religiosidade cristã, deixando seu legado de contribuição social na sua comunidade.Item Lutas e resistências de mulheres quebradeiras de coco babaçu: um olhar a partir das práticas dos comuns no território dos babaçuais do povoado Piaçava município de Nazaré/TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Lavina Pereira daEsta pesquisa, está vinculada à linha de pesquisa Paisagens, Narrativas e Linguagens do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Estudos de Cultura e Território (PPGCult) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e tem como objetivo geral, compreender as produções de saberes das mulheres quebradeiras de coco babaçu do povoado Piaçava município de Nazaré/TO, nas décadas de 1960 a 1990, a partir das suas memórias e narrativas buscamos compreender as produções de saberes das mulheres quebradeiras de coco babaçu do povoado Piaçava, município de Nazaré/TO, por ocasião da realização de práticas dos comuns ou adjunto. entender como essas mulheres quebradeiras de coco desenvolveram seus modos de vida durante as décadas em que tiveram acesso livre ao território dos babaçuais e como ocorrem as mudanças geradas pelas ações de fazendeiros. A metodologia utilizada tem como base a História oral, a partir da qual realizamos entrevistas semiestruturadas com oito mulheres quebradeiras de coco na faixa etária de 60 a 87 anos. O critério estabelecido consiste no fato de que essas mulheres vivem no território e experienciaram (ou ainda experienciam) as diversas fases e modos de cultuar o extrativismo do coco babaçu. Para analisar as narrativas e as memórias das interlocutoras, recorri a aportes teóricos de autores e autoras que discutem território, modos de vida e resistência: Rogerio Haesbaert (2006a, 2006b); Pollak (1992, 1989); Olivia Medeiros Cormineiro (2010), e Juscelino Laurindo (2021). As análises das entrevistas permitiram-me compreender como se deu a prática dos comuns com as mulheres quebradeiras de coco babaçu no território dos babaçuais, e qual a relevância do extrativismo desse fruto à comunidade do povoado Piaçava no que se refere às questões socioculturais, políticas e econômicas.Item Dona França e a Ilha de São José: diálogo entre conhecimento acadêmico e ribeirinho(2024) FERREIRA DOS SANTOS, JosielO conhecimento sobre algumas localidades e seus povos, pode fazer mais sentido quando sujeitos daquele local são envolvidos. Por isso, o presente trabalho é uma forma de dar ênfase a um grupo de pessoas, mais necessariamente, a ribeirinhos da Comunidade Ilha de São José, em que Dona França é a protagonista desta pesquisa, pois se trata de alguém com relevância na história que foi conhecida em alguns casos, por apenas uma versão. Destacamos assim, que as usinas hidrelétricas são vistas como progresso para a sociedade, mas para alguns grupos são vistas apenas como oportunidade de lucro para pessoas que não pensam na natureza e no bem-estar de muitos. Com isso, o problema desta pesquisa surgiu a partir de questionamentos oriundos da perspectiva ribeirinha: como falar de uma comunidade que teve seu espaço-território destruído? De que forma iríamos relatar as experiências de uma comunidade que estava às margens da história oficial, inclusive da história da UHE de Estreito, e corria perigo de esquecimento? Assim, o objetivo é dar visibilidade aos sujeitos impactados pelo empreendimento. Desse modo, recorremos à pesquisa qualitativa, em que nos utilizamos da roda de conversa para a realização também das entrevistas com os denominados Mais Velhos, que eram habitantes da Comunidade Ilha de São José, mas voltados sobretudo para a história de Dona França. Autores como Djamila Ribeiro (2021), Paul Thompson (1992), Lysias Rodrigues (1945; 2001) e Kátia Flores (2009), dentre outros pesquisadores, deram embasamento ao trabalho. Tendo em vista que a história foi contada a partir das memórias dos moradores da antiga comunidade, o resultado da pesquisa é concernente à preservação destas histórias na sociedade.Item Universitários/as de camadas populares: processos de afiliação cultural(2024) SANTOS, Gabriel Queiroz dosEste estudo investigou como acadêmicos/as constroem etnométodos, através de suas rotinas e atividades acadêmicas, essenciais para sua afiliação às regras e lógicas da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). A partir de alguns princípios da etnometodologia, uma abordagem qualitativa proposta por Alain Coulon, analisamos as experiências de três estudantes homens e três mulheres, de camadas populares, do 3º ao 8º período de cursos distintos. Os resultados revelaram que o acesso à universidade foi uma jornada individual marcada por persistência e resistência, e que a afiliação cultural tem sido um processo complexo e conflituoso. A análise destacou como os/as estudantes construíram seus etnométodos para assimilar informações diárias e como as ações cotidianas, ao contrário de reforçarem a meritocracia, abriram espaço para discussões sobre responsabilidade social e pedagógica. Essa pesquisa pode fornecer alguns caminhos para a UFNT elaborar políticas públicas de suporte aos/às estudantes ao longo de seus cursos.Item A TERRITORIALIZAÇÃO DAS ESTUDANTES COTISTAS NA UFNT, CÂMPUS ARAGUAÍNA/TO(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Bruna de Souza daEssa pesquisa reconstituiu as experiências de estudantes negras que ingressaram na UFNT por meio das Ações Afirmativas, as Cotas Raciais, a partir de suas perspectivas e memórias das vivências racistas desde a infância até os processos de territorialização na Universidade Federal do Norte do Tocantins, localizada em Araguaína, região extremo Norte do Tocantins. As estudantes que fazem parte dessa pesquisa estudam no Centro de Ciências Integradas e são atendidas pelo sistema de Cotas Raciais, ação reparatória direcionada a algumas minorias que foram marginalizadas ao longo do contexto histórico do Brasil, a exemplo da população negra. Esse contexto histórico político-cultural-econômico possui origem na colonização, sistema que foi sustentado pela escravização em massa de africanos e afro-brasileiros no Brasil, resultando em um dos maiores genocídios dos povos indígenas e africanos da história. Desse modo, partindo do princípio de que a Universidade é um território institucionalizado e de disputa, e, portanto, não está isenta dessa estrutura racista e hegemônica, propomos investigar a trajetória acadêmica de quatro estudantes cotistas. A partir da abordagem das interseccionalidades (COLLINS, 2019; GONZALEZ, 2020), buscaremos analisar como essas estudantes articulam-se, no âmbito das relações entre identidade étnico-racial (HALL, 2003) e suas experiências de territorialização (HAESBAERT, 2004), enquanto estudantes negras cotistas na Universidade. A pesquisa está debruçada teórico- metodologicamente na revisão de literatura sobre questões étnico-raciais e Feminismo Negro, assim como os estudos envolvendo Cultura e Território. Por ser um tema sensível e que envolve nuances traumáticas, optamos por trabalhar metodologicamente com a História Oral (THOMPSON, 1992), visando reconstituir dialogicamente as trajetórias de vida dessas estudantes. Mobilizando o procedimento qualitativo da história de vida, evocando memórias que nos auxiliaram a compreender como suas identidades étnico-raciais foram sendo constituídas em meio aos violentos processos de racismo e sexismo envolvidos na trajetória educacional até a territorialização do espaço acadêmico. Dessa forma, a pesquisa evidenciou que, apesar das dificuldades trazidas pelo espaço acadêmico, como os conflitos, o desejo de desistência, o racismo, a burocracia e as interseccionalidades que se cruzam, as interlocutoras criaram mecanismos de resistência e de ressignificação do espaço. Criando significados a partir do pertencimento em determinados grupos raciais, reivindicando a própria negritude, seja nos laços criados de amizades, nas articulações com movimentos sociais e coletivos, ou nas diversas experiências vivenciadas dentro da Universidade.Item VALORIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ÉTNICO RACIAL: Vivências e representações do cabelo e corpo negro nas ações do Projeto Negra Flor de Girassol(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) LIMA, Maria Zilma GabinoEste trabalho teve como objetivo geral demonstrar como ocorre o processo de valorização e construção da identidade étnico-racial mediante projetos interventivos que contribuem para o desenvolvimento intelectual, bem como estimulam o posicionamento de alunos negros através do enfrentamento e questionamentos de suas vivências, tomando como objeto de análise o projeto Negra Flor de Girassol, realizado no Colégio Campos Brasil, situado no extremo sul da cidade de Araguaína, no Norte do Tocantins. Entre os objetivos específicos destacamos: Investigar a contribuição do projeto Negra Flor de Girassol para a transformação de alunos, no que tange aos discursos sobre o corpo e a estética negra no ambiente escolar; analisar as vivências de alunos negros, na referida escola, considerando as temporalidades; demonstrar como tem se dado a formação humana dos discentes a partir das discussões e atividades realizadas pelo projeto. Para compreender as raízes e efeitos do racismo entranhado na escola, esta dissertação buscou entender o processo histórico de exclusão (i)legal dos sujeitos negros ao direito de estudar. Com o direito de estudar garantido legalmente e com as questões raciais amparadas pela Lei 10.639/2003, reflito como a rejeição ao corpo negro no território escolar por meio do racismo recreativo e do epistemicídio, operou durante séculos e ainda se constituem em negação simbólica ao direito pleno à educação. A partir dessas análises, compreende-se como esse conjunto de violências simbólicas atacam o corpo negro por meio das representações inferiorizadas no território escolar, utilizando para a depreciação, os fenótipos cor da pele e cabelos — crespos e cacheados — e a cultura negra.Item A (des)virtude de ser e existir: o protagonismo negro em Hollywood, representações e estereótipos(Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Marcos Douglas Lima eEste estudo investiga a representação do protagonismo negro no cinema hollywoodiano, com o objetivo de compreender como ele é frequentemente retratado de maneira estereotipada. A análise se concentra nos filmes "A Princesa e o Sapo" (2009) e "Um espião animal" (2020), que representam pessoas negras como animais. A pesquisa utiliza a teoria semiótica de Martine Joly (1994) e a perspectiva de Hall (2016) sobre representação. A influência das representações cinematográficas na imaginação social e na construção da identidade é discutida com base nas teorias de Douglas Kellner (2001) e Stuart Hall (2016). A violência na representação de negros em Hollywood é abordada a partir do trabalho de Silva (2018). Turner (1997) é utilizado para enfatizar o cinema como uma prática social que vai além do entretenimento. Mills (2023) explora o "Contrato Racial", evidenciando como a supremacia branca molda a sociedade e perpetua a segregação racial. Discussões de bell Hooks (2019), Angela Davis (2018) e Sueli Carneiro (2006) são usadas para abordar a resistência decolonial, a opressão histórica enfrentada pela população negra e a noção de pensamento abissal de Santos (2007). A análise final dos filmes ilustra a prevalência de representações estereotipadas da população negra no cinema hollywoodiano, destacando a violência, a subalternização e a objetificação dos corpos negros.
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