Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais - PPGDire

URI permanente para esta coleçãohttps://solaris.ufnt.edu.br/handle/123456789/78

O PPGDire é um curso de pós-graduação stricto sensu em nível de mestrado acadêmico, presencial e reconhecido pelo CAPES/MEC, com nota 3 na última avaliação. Visa desenvolver estudos interdisciplinares sobre populações vulneráveis urbanas e/ou rurais da região norte do país. Os egressos são capacitados para analisar as demandas populares e dinâmicas regionais de forma interdisciplinar.

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Resultados da Pesquisa

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    Saúde Mental e Direito à Cidade de Adolescentes Institucionalizados nas Unidades de Acolhimento em Araguaína - TO
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) SOUSA, Raimunda Brito de
    Este estudo analisou a relação entre saúde mental e o Direito à Cidade no contexto da adolescência institucionalizada na cidade de Araguaína - Tocantins, partindo da compreensão de que o desenvolvimento humano é atravessado por dimensões psicossociais, espaciais e políticas. O problema de pesquisa, questiona como a saúde mental de adolescentes acolhidos em unidades de acolhimento do município, se correlaciona com as suas percepções e possibilidades de apropriação dos espaços urbanos, à luz do Direito à Cidade. O objetivo geral, consistiu em compreender as percepções e relações dos adolescentes acolhidos, com os espaços que ocupam ou deixam de ocupar na cidade, identificando intersecções com indicadores de saúde mental e níveis de suporte social. Como hipótese, considerou-se que níveis reduzidos de suporte social e piores indicadores de saúde mental estariam associados a percepções mais restritas e limitadas acerca da cidade e a menor apropriação dos espaços urbanos. O estudo adotou abordagem empírica e análise qualitativa, com aplicação de instrumentos de avaliação em saúde mental- SRQ20 e rastreio de níveis de suporte social- EPSSUS, além da realização de entrevistas semiestruturadas, avaliadas por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin, com o auxílio do software WebQDA, articulando os dados obtidos ao referencial teórico da Teoria Bioecológica do desenvolvimento humano de Urie Bronfenbrenner e à concepção de direito à cidade de Henri Lefebvre. Os resultados indicaram que sete, dos doze adolescentes alcançados, têm a vivência institucional marcada por fragilidades psicológicas, em dimensões de suporte social, principalmente no que diz respeito as dimensões de Interação Social e Enfretamento de Problemas, apresentando também sofrimento emocional nos últimos trinta dias até a data da entrevista, impactando negativamente a sua compreensão e percepção da cidade, ao demonstrarem pouco conhecimento, nenhuma apropriação dos espaços urbanos e baixo pertencimento à mesma, evidenciando a correlação entre saúde mental e experiências socioespaciais no desenvolvimento dos adolescente. Constatou-se também, que esses adolescentes sofreram o mesmo tipo de violação de direitos, quais sejam, a violência sexual e maus tratos, além de compartilharem períodos de acolhimento mais longos, em relação aos adolescentes acolhidos, que possuem níveis mais elevados de suporte social. Conclui-se que a saúde mental dos adolescentes em acolhimento institucional apresenta relação direta com suas percepções e apropriações dos espaços urbano e que trajetórias marcadas por violações de direitos, como violência sexual e maus-tratos, somadas a períodos mais prolongados de institucionalização, intensificam essas limitações. Nesse contexto, a própria permanência nas instituições de acolhimento, marcada por rotinas controladas e restrições de circulação, tende a reforçar ausência de apropriação dos espaços da cidade, indicando que, na prática, não se efetiva o direito à cidade para esses sujeitos, uma vez que suas possibilidades de circulação, participação autônoma e uso dos espaços urbanos permanecem mínimos e portanto, demandando políticas públicas intersetoriais que ampliem oportunidades de participação, circulação e apropriação qualificada dos espaços urbanos, reconhecendo os adolescentes acolhidos como sujeitos de direitos e protagonistas de suas trajetórias.
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    A MERCANTILIZAÇÃO DO ESPAÇO URBANO E A CIDADE-MERCADORIA: O DISCURSO IMOBILIÁRIO DIGITAL SOBRE O BAIRRO JARDIM DOS IPÊS EM ARAGUAÍNA–TO
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) NASCIMENTO, Leticia Almeida
    Nesta dissertação, tematiza-se a perspectiva da mercantilização do espaço urbano de Araguaína-TO, considerando o lugar que os empreendimentos imobiliários assumem nesse processo de construção da cidade mercadoria. Como cidade média, localizada no norte do Tocantins, percebe-se a intensificação dos processos de urbanização de Araguaína, nas duas últimas décadas, acentuando o surgimento desse tipo de empreendimento. Dessa forma, mostrou-se pertinente enfocar o modo como diferentes materiais (verbais e imagéticos) são produzidos e postos em circulação na divulgação de loteamentos na cidade. O aporte teórico é sustentado pelos pressupostos da Análise de Discurso materialista, em diálogo com os do campo do marketing urbano. Para tanto, de modo mais específico, particularizou-se a situação do bairro Jardim dos Ipês, pois se trata de um bairro, com maior crescimento em Araguaína-TO. Dessa forma, trabalhou-se com a seguinte pergunta de pesquisa: como o discurso imobiliário digital funciona na mercantilização do espaço urbano em Araguaína/TO, tendo por base o caso do bairro Jardim dos Ipês, e quais as contradições que esse discurso produz na produção de tal espaço? O objetivo geral ganhou a seguinte formulação: compreender o modo como os sentidos ganham materialização no funcionamento do discurso imobiliário digital, dada a prática de mercantilização do espaço urbano em Araguaína/TO, no caso do bairro Jardim dos Ipês, não perdendo de vista as contradições que essa prática produz. Já os objetivos específicos estão assim textualizados: analisar como a linguagem verbal e imagética constitui as peças publicitárias (banners digitais e vídeos) da empresa Fix Urbanismo, responsável pela venda de lotes no bairro Jardim dos Ipês, pensando nos sentidos em disputa sobre o espaço urbano da cidade; analisar como a lógica do capital faz trabalhar, discursivamente, representações sobre moradia e qualidade de vida no bairro Jardim dos Ipês; analisar os sentidos silenciados no funcionamento do discurso imobiliário digital sobre o bairro Jardim dos Ipês, considerando o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado pela Fix Urbanismo, com a prefeitura, dada a política urbana de Araguaína-TO. O método da pesquisa é o dialético, pois permitiu enfocar as disputas de sentido entre instituições pública e privada, considerando as contradições no processo de mercantilização do espaço urbano de Araguaína-TO. Sendo assim, as análises foram ancoradas em quatro peças publicitárias, na captura de telas de um vídeo e no TAC, com foco no modo como a questão da moradia e da qualidade de vida são ali significadas. O movimento analítico abordou as formulações verbais, dando destaque para palavras e expressões que nomeiam e que qualificam essas questões no e pelo espaço urbano do bairro Jardim dos Ipês. As formulações imagéticas, também, foram enfocadas, priorizando elementos que passam a integrar e a constituir o modo como essas questões são significadas. Os resultados mostraram que o discurso imobiliário digital operou por meio da mercantilização das emoções, vinculando a felicidade e o sucesso pessoal à compra de uma propriedade privada. O funcionamento de recursos tecnológicos, como imagens aéreas, produziu efeitos de sentido ligados ao controle e à organização total do espaço urbano, silenciando conflitos e disparidades sociais.
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    Desenvolvimento e privações de liberdade: análise dos processos judiciais movidos pelos atingidos da barragem de Estreito – MA
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2026) SOARES, José André Guedes
    A judicialização de conflitos envolvendo populações atingidas por grandes empreendimentos evidencia desafios que extrapolam a dimensão estritamente jurídica, especialmente diante da complexidade das perdas vivenciadas. Nesse contexto, o objetivo geral deste estudo é analisar a eficácia do acesso à justiça para os atingidos pela Usina Hidrelétrica de Estreito, operada pelo Consórcio Estreito Energia, à luz da teoria da justiça de Amartya Sen, que compreende a justiça a partir da eliminação de privações, entendidas como tudo aquilo que restringe as liberdades reais dos indivíduos, e da ampliação dessas liberdades. Como objetivos específicos, busca levantar o número de reparações realizadas, identificar os principais desafios enfrentados pelos atingidos e verificar a correspondência entre o entendimento do Poder Judiciário e a teoria mobilizada. Trata-se de uma pesquisa empírica, de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de análise documental de processos judiciais, com dados organizados com o auxílio do software webQDA. A análise foi conduzida a partir da técnica de análise de conteúdo de Bardin, entendida como um método sistemático de categorização e interpretação de dados qualitativos, mediante a construção de categorias e subcategorias voltadas à identificação das privações relatadas nas petições iniciais e dos desfechos das decisões judiciais. Considerando o universo de 480 processos, adotou-se como procedimento analítico a seleção de um processo por caso para a construção das categorias e subcategorias, tendo em vista a similaridade entre as demandas, tanto na causa de pedir quanto nos desfechos decisórios. Os resultados indicam que as demandas envolvem uma pluralidade de perdas, abrangendo dimensões patrimoniais, sociais, ambientais e existenciais, como a ruptura de modos de vida, a perda de vínculos com o território e a inviabilização de atividades produtivas. Em contraste, as respostas judiciais mostram-se limitadas, com predominância de decisões que não reconhecem integralmente os pedidos e com soluções consensuais marcadas por padronização, restrições à formulação de novas demandas, fixação de valores indenizatórios insuficientes e identificação de vícios estruturais em imóveis destinados ao reassentamento fornecidos pelo Consórcio Estreito Energia. Verifica-se, assim, que as reparações não são suficientes para recompor, de forma efetiva, as condições de vida anteriormente existentes, enquanto os desafios enfrentados pelos atingidos tendem a se prolongar no tempo, agravados pela dificuldade de reconhecimento judicial dos danos. Observa-se, ainda, a ausência de correspondência entre o entendimento do Poder Judiciário e a teoria da justiça de Amartya Sen. Conclui-se que, embora o acesso formal à justiça esteja presente, ele não se traduz, de maneira predominante, em respostas capazes de enfrentar as privações experimentadas, evidenciando limites institucionais na promoção de uma reparação efetiva em contextos de grandes empreendimentos, especialmente no caso dos atingidos pela Usina Hidrelétrica de Estreito.
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    Desenvolvimento intra-urbano desigual: uma leitura sobre os indicadores das unidades básicas de saúde da cidade de Araguaína/Tocantins
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) ARRIVABENE, Patrick andrade
    As desigualdades socioeconômicas que marcam a sociedade brasileira manifestam- se de forma evidente também no espaço urbano, onde condições desiguais de infraestrutura, serviços e oportunidades se traduzem em modos diferenciados de viver e de adoecer. Compreender como essas disparidades se articulam à organização territorial da Atenção Primária em Saúde (APS) torna-se fundamental, sobretudo porque as Unidades Básicas de Saúde (UBS) constituem o principal elo entre a população e o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, esta pesquisa teve como objetivo geral analisar a homogeneidade ou não dos indicadores sociodemográficos nos territórios de saúde das UBS de Araguaína/TO, considerando a perspectiva do desenvolvimento intra-urbano desigual. Para isso, foram definidos como objetivos específicos: (i) examinar a constituição das áreas de abrangência das UBS, relacionando número de residências, habitantes, bairros atendidos e porte das unidades; (ii) identificar zonas de vulnerabilidade socioespacial a partir do cruzamento dos indicadores; e (iii) localizar áreas de concentração e rarefação sociodemográfica que expressem contradições na rede local de saúde. Esses objetivos respondem à pergunta de pesquisa: Como se comportam os indicadores sociodemográficos nos territórios de saúde das UBS de Araguaína, considerando a dinâmica intra-urbana desigual da cidade? O aporte teórico fundamentou-se nas concepções de território de Raffestin, Santos e Haesbaert, compreendendo-o como construção social e espaço de relações de poder; nas abordagens de saúde urbana; e nos Determinantes Sociais da Saúde (DSS), que permitem relacionar vulnerabilidades sociais, condições ambientais e organização dos serviços. Metodologicamente, a pesquisa adotou o método dialético, articulando processos sociais e espaciais; o método estatístico, por meio da tabulação e análise de dados secundários; e o método observatório, com registros fotográficos dos territórios. Os dados foram obtidos junto à Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS), compilados em planilhas e sistematizados por territórios de UBS. Os resultados mostraram que Araguaína apresenta expressivas desigualdades intra-urbanas, evidenciadas por diferenças na infraestrutura urbana, escolaridade, renda, composição racial, padrões habitacionais e dinâmica de ocupação. Territórios periféricos e rurais, como os vinculados às UBS Manoel dos Reis, Ponte, Novo Horizonte e Bairro de Fátima, concentram maiores vulnerabilidades, enquanto áreas centrais e consolidadas, como as da UBS José Ronaldo e Dr. Francisco, exibem melhores condições socioespaciais. Embora os dados não permitam mensurar diretamente o acesso efetivo aos serviços, evidenciam desigualdades que moldam as possibilidades de uso da APS e expressam a relação entre território, saúde e desenvolvimento urbano.
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    ARRANJOS PRODUTIVOS INTERROMPIDOS EM BABAÇULÂNDIA/TO: modos de individuação do sujeito pelo Estado
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Islana barbosa da
    A construção de grandes empreendimentos hidrelétricos, como a Usina Hidrelétrica (UHE) de Estreito, gera grandes impactos, afetando diretamente as condições de vida e de trabalho das comunidades locais. Considerando essa premissa, nesta dissertação, analisamos, sob a ótica da Análise do Discurso, as discursivizações e os modos de individuação de sujeitos pertencentes aos Arranjos Produtivos Locais (APLs) interrompidos pela formação do reservatório da UHE em Babaçulândia, Tocantins. Os sujeitos entrevistados são ex-barqueiros, ex-barraqueiros, ex-oleiros, ex-vazanteiros e ex-quebradeiras de coco. Inscritos em uma abordagem qualitativa, a pesquisa baseou-se em entrevistas semiestruturadas, utilizando a técnica de amostragem bola de neve para seleção dos participantes. Os áudios das entrevistas foram transcritos, de onde foram recortadas sequências discursivas (SD); no total foram realizadas 10 entrevistas. A análise tomou como ponto de partida as sequências discursivas para a compreensão de como os sujeitos pertencentes aos APLs significam os impactos advindos da formação do reservatório. Os resultados revelam processos de subjetivação marcados pela ruptura das condições materiais de produção, formações discursivas que contrastam a memória de um passado de autonomia produtiva e de abundância com um presente marcado pela precariedade, pela dependência e pela experiência de injustiça. A análise evidencia diferentes processos discursivos de modos de individuação frente à perda. Concluímos que a interrupção dos APLs desencadeou processos de individuação, marcados pela falha ou pela falta do Estado, moldando as posições-sujeito e as formas como esses indivíduos significam suas trajetórias e resistem ou se resignam diante das transformações impostas. A pesquisa contribui com a compreensão da discursividade subjetiva dos impactos de grandes projetos por meio da AD
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    Um estudo discursivo sobre os arranjos produtivos locais alterados em Babaçulândia/Tocantins
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SILVA, Midian Ferreira dos Santos
    Neste trabalho, temos como objetivo analisar, discursivamente, a configuração dos arranjos produtivos locais dos pescadores e do apicultor no município de Babaçulândia, estado do Tocantins, antes e depois da formação do lago da Usina Hidrelétrica de Estreito (UHE). Trata-se de pensar, portanto, nos modos de vida e de fazer desses trabalhadores quando havia o rio e, depois, com a transformação deste em lago, considerando a constituição dessa Usina, A pesquisa está inserida no campo da Análise de Discurso (AD) de base materialista, articulando conceitos como formação discursiva, sujeito, território e prática socioespacial da resistência. Parte-se do pressuposto de que a construção da hidrelétrica gerou impactos significativos nas práticas produtivas, exigindo dos trabalhadores novas formas de adaptação e de permanência em seus arranjos produtivos locais. A metodologia envolveu entrevistas com roteiro semiestruturado, realizadas com 08 pescadores e um apicultor local, além de análise documental. O método de análise é o materialismo histórico-dialético, pois buscamos perseguir as condições de produção dos modos de vida e de fazer dos trabalhadores entrevistados. As análises partiram de sequências discursivas (SD) recortadas das transcrições feitas dos áudios das entrevistas realizadas por nós. Os resultados evidenciaram que, mesmo diante dos efeitos provocados pela transformação do rio em lago, o quê implicou mudanças nos modos de vida e de fazer desses trabalhadores, eles construíram processos de ressignificação de suas atividades, preservando práticas produtivas que se constituem também como forma de resistência e (re)construção de identidade territorial. Concluímos que as práticas produtivas, em Babaçulândia/TO, não apenas persistem, como também revelam uma dinâmica de luta simbólica por reconhecimento e por pertencimento ao território historicamente vivido.
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    Uma análise das atas do Conselho Estadual de Alimentação Escolar (CAE) do Tocantins pela via das políticas públicas: as (in)ações sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2024) SILVA, Maria Do Socorro
    O objetivo desta pesquisa é analisar as atas do Conselho Estadual de Alimentação Escolar do Tocantins (CAE-TO), realizadas entre 2013 e 2023, e identificar como as decisões registradas refletem ou restringem as liberdades substantivas e instrumentais dos estudantes, em conformidade com a teoria do desenvolvimento como liberdade de Amartya Sen. A metodologia adotada foi a análise de conteúdo, com base em Bardin (2016), aplicando uma categorização estruturada que inclui segurança alimentar, educação de qualidade, governança, accountability e participação comunitária. Foram analisadas 74 atas, que documentaram as discussões e deliberações do CAE-TO, evidenciando desafios como burocracia, falta de recursos e falhas na execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Os resultados indicam que, embora o CAE-TO tenha buscado promover a segurança alimentar e o bem-estar dos estudantes, há necessidade de melhorias na governança e na capacitação dos conselheiros para assegurar a eficácia das políticas públicas de alimentação escolar. As conclusões sugerem recomendações para aprimorar a atuação do CAE-TO e alinhar suas práticas aos princípios de desenvolvimento humano sustentável.
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    Uso da terra e cobertura vegetal no assentamento Vera Cruz/Maranhão: subsídios à produção de alimentos e à soberania alimentar
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) REIS, Graciany Costa dos
    A presente dissertação analisou o uso da terra e a cobertura vegetal no assentamento Vera Cruz, localizado no município de Grajaú, Maranhão, destacando as estratégias camponesas de produção de alimentos e a promoção da soberania alimentar. O estudo parte da compreensão da paisagem como um sistema dinâmico e indissociável entre natureza e sociedade, conforme a abordagem de Bertrand (2004), e do território como condição, meio e produto das práticas sociais, conforme Santos (2006). Adotou-se como base metodológica o materialismo histórico- dialético, permitindo interpretar as contradições e transformações que permeiam o espaço agrário. A pesquisa foi conduzida por meio de uma abordagem quali- quantitativa, exploratória e descritiva, com o uso de levantamento bibliográfico, análise documental, aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas com os assentados, além de técnicas de geoprocessamento para o mapeamento do uso da terra e cobertura vegetal entre 2015 e 2025. Os resultados indicaram que o assentamento Vera Cruz é caracterizado por uma paisagem híbrida, onde áreas de vegetação nativa coexistem com espaços degradados pelo uso intensivo da terra. A produção agrícola é diversificada, com predomínio de mandioca, arroz, feijão, milho, hortaliças e frutíferas, majoritariamente destinadas ao autoconsumo, evidenciando a lógica da agricultura camponesa e sua contribuição para a soberania alimentar local. As entrevistas revelaram sentimentos ambíguos entre esperança e frustração, associados às condições precárias de infraestrutura, falta de assistência técnica, envelhecimento da população e ausência de políticas públicas efetivas. As mulheres assumem papel central na produção de alimentos, especialmente no cultivo de hortaliças, frutíferas e feijão, reafirmando sua importância na preservação de saberes tradicionais e na reprodução da vida no campo. Conclui-se que a soberania alimentar no assentamento depende da valorização das práticas agroecológicas, da preservação da biodiversidade e do fortalecimento das políticas públicas voltadas à agricultura camponesa. A pesquisa confirma que o objetivo proposto foi alcançado, ao demonstrar como as estratégias camponesas articulam resistência, identidade e sustentabilidade em um contexto de desafios estruturais. Além de contribuir empiricamente para o debate sobre reforma agrária, soberania alimentar e paisagem rural, este trabalho tem relevância especial por ser a primeira dissertação do Programa de Pós-Graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais a ser desenvolvida no estado do Maranhão, constituindo-se como referência para futuras investigações sobre os assentamentos rurais do bioma Cerrado maranhense.
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    Desenvolvimento desigual e bancarização na região de influência imediata de Araguaína - TO.
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) BORGES, Paula regis dias
    O estudo se justifica pela necessidade de entender como a concentração de agências bancárias nos centros urbanos e a ausência de infraestrutura bancária nos municípios menores contribuem para a exclusão financeira e o desenvolvimento desigual. A hipótese central é que a falta de acesso aos serviços bancários básicos, como a possibilidade de realizar saques, segrega a população e força os moradores a se deslocarem para outros municípios em busca de produtos e serviços financeiros. Esse deslocamento gera consequências negativas, como a redução da movimentação econômica nos municípios de origem e o mascaramento das informações sobre as movimentações financeiras locais. Além disso, a ausência de serviços bancários impede a geração de empregos locais, perpetuando as desigualdades socioeconômicas. Metodologicamente, empregou-se a observação direta e a análise dos dados coletados durante as visitas aos municípios. A teoria do desenvolvimento desigual, conforme discutida por David Harvey e Milton Santos, foi fundamental para compreender como a concentração de serviços bancários nos centros urbanos e a exclusão financeira nos municípios menores refletem e reforçam as desigualdades regionais. Os resultados e conclusões expõem que a inclusão financeira é um fator crucial para o desenvolvimento regional e a redução das desigualdades sociais. A análise revelou que a concentração de serviços bancários nos centros urbanos e a exclusão financeira nos municípios menores evidenciam a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade no acesso aos serviços financeiros. Investimentos em infraestrutura bancária, letramento financeiro e tecnologias que viabilizem o acesso digital são essenciais para alcançar uma inclusão financeira mais ampla e justa. Em suma, a pesquisa sugere que melhorar o acesso aos serviços financeiros pode contribuir para a redução de desigualdades sociais e para o fortalecimento do desenvolvimento regional. Futuras investigações devem ampliar o escopo da pesquisa, envolvendo mais municípios e utilizando abordagens metodológicas diferentes, a fim de obter uma visão mais completa sobre os desafios e as possibilidades de avanço na bancarização em diferentes contextos urbanos e rurais.
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    A infância ribeirinha que perdeu o rio: crianças amazônidas de Babaçulândia atingidas pela usina hidrelétrica de Estreito.
    (Universidade Federal do Norte do Tocantins, 2025) SOUSA, Cimara leite de
    O presente trabalho objetiva compreender a infância das crianças descendentes dos ribeirinhos da ilha de São José realocados no reassentamento Baixão no município de Babaçulândia- TO em função do deslocamento forçado pela barragem da UHE de Estreito. Para tanto, foram realizadas entrevistas com cinco antigos moradores da ilha e quatro professores que exerceram função na escola da localidade, bem como oito crianças do Baixão realizadas por meio da produção de desenhos e suas significações. As entrevistas foram analisadas sob a luz da dinâmica dos contextos ambientais apresentada por Urie Bronfenbrenner – e avaliados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin –, com o auxílio do software WebQDA. A partir dos resultados chegou-se a três categorias temáticas: i) Infâncias; ii) Infância e natureza morta; iii) Macrossistema. O primeiro descreve como era a infância ribeirinha no ambiente da ilha. O segundo os desafios enfrentados pela população em seu novo local de vivência e como estes afetam infância. O terceiro versa sobre os instrumentos de domínio e força utilizados para impedir que os moradores acessem seus direitos. Os desenhos foram analisados considerando a técnica do Instrumento Gerador de Mapas Afetivos (IGMA) proposto por Bomfim. Os resultados alcançados por meio da narrativa das crianças revelaram sentimentos potencializadores, despotencializadores e mistos em relação ao reassentamento Baixão e ilha de São José. De modo geral, concluiu-se que, a construção da usina alterou de maneira significativa o contexto infantil dos descendentes dos ribeirinhos. Notou-se que a mudança para um ambiente sem acesso ao rio limitou a compreensão das crianças em relação a amplitude geográfica do rio o que marca uma transição ecológica, na qual, os filhos dos ribeirinhos, se apresentam como a primeira geração familiar que não se identificam como tal. O fim da infância ribeirinha das famílias estudadas é um dano social e subjetivo que nenhuma análise de impacto social e psicológico havia previsto.